Vai virar fumaça? Juul pode ser impedida de vender cigarros eletrônicos nos EUA

A fabricante americana enfrenta uma batalha contra o FDA e pode ser obrigada a interromper a venda de seus produtos no país

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Fabricante de cigarros eletrônicos, Juul enfrenta batalha com o FDA

Numa longa batalha que começou ainda em 2019, a Juul Labs pode ter tido enfim o seu destino decretado nos Estados Unidos. A fabricante de cigarros eletrônicos será alvo de uma ação que pode fazer com que a companhia americana não possa mais comercializar no país.

Conforme reportado pelo jornal The Wall Street Journal, o Food and Drug Administration (FDA), órgão que atua nos EUA de forma semelhante a Anvisa no Brasil, vai determinar que a operação seja interrompida em território americano ainda nesta quarta-feira, 22 de junho.

A decisão tem como justificativa o aumento do consumo de cigarros eletrônicos e vaporizadores entre pessoas menores de idade. Segundo o FDA, a Juul, através de campanhas de marketing e com sabores frutados para seus produtos – que já não são mais vendidos pela companhia –, impulsionou o consumo entre o público adolescente.

Os atritos entre o FDA e a Juul começaram há quatro anos e de lá para cá as vendas do cigarro eletrônico da marca vem caindo. Parte por conta da proibição da venda de sabores frutados por determinação do órgão de saúde e parte pelo desinteresse do público com o aumento de casos de hospitalizações devido ao consumo dos vaporizadores.

Durante o segundo trimestre de 2019, as vendas mensais de produtos da Juul chegaram a ultrapassar a marca de US$ 200 milhões. Este número vem caindo desde então. Dois anos depois, no segundo trimestre de 2021, as vendas dos produtos a cada mês já registravam algo em torno de US$ 120 milhões, segundo um estudo publicado no site Tobacco Control.

Segundo o The Wall Street Journal, a Juul registrou prejuízo líquido de US$ 259 milhões no passado. O resultado foi impulsionado pela queda de 11% nas vendas, que somaram US$ 1,3 bilhão no período. A receita vem quase toda dos EUA, mas a companhia também vende produtos no Canadá, Reino Unido, Itália, França e Filipinas.

Por ora, a Juul ainda não se manifestou sobre a questão. A expectativa é de que a companhia só faça isso quando houver uma decisão oficial do FDA sobre o caso. Caso a companhia seja determinada a interromper as vendas, a novela sobre o caso pode ganhar novos episódios com a contestação da decisão nos tribunais.

Ainda que essa possa parecer uma boa notícia para as fabricantes de cigarros que viram parte dos consumidores migrarem para os vaporizadores, ela afeta diretamente uma das maiores empresas do setor. Em 2018, a Marlboro Altria Group pagou US$ 12,8 bilhões na compra de 35% da Juul numa tentativa de modernizar seu negócio.

Na época da transação, a Juul foi avaliada em US$ 35 bilhões. No fim de março deste ano, a Altria, consciente da queda nas vendas dos produtos e da pressão do FDA em cima de companhias do setor, avaliou sua participação de 35% em apenas US$ 1,6 bilhão.

Este valor pode cair ainda mais. Nesta quarta-feira, as ações da Altria negociadas na Nasdaq fecharam o pregão com queda de 9,19%, fazendo o valor do papel despencar para seu menor valor desde o começo de janeiro. A companhia agora está avaliada em US$ 75,1 bilhões.

Ainda assim, o mercado de vaporizadores deve continuar crescendo em escala global. De acordo com a consultoria americana Global Industry Analysts, o consumo de produtos deste tipo deve movimentar US$ 15,6 bilhões neste ano e US$ 24,6 bilhões em 2026.

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