Via preserva R$ 1,5 bilhão em caixa sob “cenário macroeconômico desafiador”

Com a emissão de R$ 400 milhões em notas comerciais e uma segunda operação, o grupo dono das bandeiras Casas Bahia, Ponto e Extra.com alongou o prazo das suas dívidas em 147 dias

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Um ano com resultados pouco animadores e um 2022 com a perspectiva de um cenário não menos desafiador. Sob esse contexto, a Via, dona das marcas Casas Bahia, Ponto e Extra.com, divulgou medidas para gerar uma preservação de caixa de R$ 1,5 bilhão no ano que vem.

Em comunicado, o grupo varejista anunciou que seu Conselho de Administração aprovou a emissão pública de notas comerciais estruturais, em série única, no valor de R$ 400 milhões, com esforços restritos de distribuição e vencimento em 23 de junho de 2023.

Segundo a companhia, os recursos captados serão usados para o alongamento do saldo de R$ 400 milhões de debentures, com vencimento original previsto anteriormente para ocorrer em 23 de dezembro deste ano.

A Via informou ainda que concluiu outra operação de alongamento de dívida no valor total de R$ 1,1 bilhão, cujo prazo de vencimento original era o mês de julho de 2022.

Com esses dois movimentos, além da preservação de caixa de R$ 1,5 bilhão, o grupo observou que está alongando o prazo das suas dívidas em 147 dias e reduzindo o custo médio da dívida em 0,07 pontos percentuais, para CDI mais uma taxa annual de 2,44%.

“Com isso, ao final de dezembro de 2021, cerca de 78% da dívida da Via terá vencimento no longo prazo, comparado a 40% no final de 2020”, escreveu a companhia, no comunicado ao mercado.

A Via acrescentou que seguirá com sua política ativa de liability management no decorrer de 2022, combinada a uma “gestão assertiva de capital de giro e uma estratégia de contenção de despesas”, que permitirão dar continuidade à implementação das suas estratégias e planos de investimentos, “mesmo diante de um cenário macroeconômico desafiador”.

No terceiro trimestre desse ano, a Via reportou um prejuízo líquido de R$ 638 milhões, contra o lucro líquido de R$ 590 milhões, reportado um ano antes. No período, a receita líquida da companhia recuou 5,9%, para R$ 7,3 bilhões.

Além da queda na receita, os relatórios de analistas destacaram como um dos pontos negativos no trimestre foi a provisão de R$ 1,2 bilhão anunciada pela companhia, relacionada a novas ações e processos trabalhistas, que ampliou os recursos destinados a essa frente para R$ 2,5 bilhões.

Conforme informou a empresa na época, o impacto da provisão no balanço do terceiro trimestre foi de R$ 810 milhões. Nesse quarto trimestre, será de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões. Em 2022, a cifra deve ficar entre R$ 900 milhões e R$ 1 bilhão. E, em 2023, entre R$ 500 milhões e R$ 600 milhões.

As ações da Via estavam sendo negociadas a R$ 4,81 por volta das 11h30, queda de 0,8%. No ano, os papéis do grupo acumulam uma desvalorização próxima de 70%. A empresa está avaliada em R$ 7,6 bilhões.

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