Na casa de Mandela, um pouco de hotelaria (E muita história)

A residência em que Nelson Mandela viveu depois de ser libertado acaba de virar um hotel boutique. Mais do que o conforto, hospedar-se lá é como respirar a história

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A casa em que Mandela viveu no bairro de Houghton, em Johannnesburgo

Caminhar pela sala, adentrar os corredores, repousar em um dos quartos ou, simplesmente, fazer uma refeição. A sensação é a mesma de folhear um livro de história. Pelo menos, em uma casa localizada no bairro de Houghton, em Johannnesburgo, na África do Sul. É ali que se encontra a residência que pertenceu ao lendário ativista sul-africano Nelson Mandela (1918-2013).

No lugar, é possível revisitar a trajetória do líder da luta contra o apartheid – de sua prisão por 27 anos à presidência da África do Sul (1994-1999) –, ouvir histórias de família e, ainda, experimentar seus pratos favoritos.

A experiência em questão acaba de se tornar realidade pelas mãos do Motsamayi Tourism Group, que transformou o lar do ícone sul-africano no recém-inaugurado hotel boutique Sanctuary Mandela

Foi lá que “Madiba”, como era chamado pelo povo, morou depois que foi libertado, entre os anos de 1992 e 1998. “A casa estava totalmente deteriorada”, diz ao NeoFeed, Jerry Mabena, CEO do Motsamayi Tourism Group, um dos parceiros no projeto, focado em oferecer experiências turísticas únicas entre hospedagem e atrações na África do Sul.

“Em uma conversa com o CEO da Fundação Nelson Mandela, proprietária do imóvel, surgiu a ideia de transformá-lo em um ‘museu vivo’ – ou seja, um espaço habitável que buscasse captar a essência da residência mas adicionando uma atmosfera contemporânea.”

Homenagem ao líder sul-africano

Mabena não divulga números, mas diz que o investimento para a obra foi resultado da parceria do Motsamayi Tourism Group com a Fundação Nelson Mandela, o fundo norte-americano The Atlantic Philanthropies e o Independent Development Corporation of South Africa, que pertence ao governo sul-africano.

“Conservamos a fachada exatamente como era, expandimos alguns dos cômodos, mas mantivemos o espírito da época.” No décor, mantém-se o estilo e gosto de Mandela. “Simples, clássico e sem ostentação.” Objetos históricos se espalham pelos espaços, como sua pasta de trabalho e a réplica do Prêmio Nobel da Paz que ganhou em 1993. O original é mantido na Fundação.

Com diárias de US$ 274,13 (Deluxe Studio) a US$ 1.027,98 (Presidential) por casal, o hotel oferece nove quartos decorados individualmente. “Cada um dos quartos representa um certo momento de vida de Nelson Mandela”, descreve. Caso da Ilha Robben, onde ficou encarcerado, retratada por meio de fotos e documentos.

A suíte principal, onde Mandela dormia, foi renovada

“Aquelas paredes nos contam muitas histórias”, afirma o executivo. A Presidential Suite, naturalmente, era o aposento do líder. “Outro dia o neto de Mandela veio nos visitar e nos contou que aquele era o quarto ‘terrível’ pois toda vez que ele era chamado para lá sabia que estava em apuros, que o avô lhe daria uma bronca ou um castigo.”

Muitos dos encontros políticos de Mandela como líder democrático também ocorriam na casa e duas salas de reunião estão preservadas. O ex-presidente americano Bill Clinton foi um dos visitantes ilustres.

Piscina coberta para os hóspedes

Outro destaque do Sanctuary Mandela é o restaurante, cuja cozinha resgata as receitas favoritas do ex-presidente, preparadas pela cozinheira de Mandela em pessoa, Xoliswa Ndoyiya, em conjunto com um chef executivo.

Pratos preferidos? Rabada, nguni sirloin (steak de boi de raça sul-africana) e malva pudding, sobremesa típica parecida com um bolo, feita com geleia de damasco e açúcar mascavo e servida com sorvete ou creme de baunilha.

Nos fundos da residência, os chefs cultivam uma pequena horta, onde colhem ingredientes. Há, ainda, bar e piscina. “No turismo da África do Sul procuramos idealizar projetos icônicos, que se tornam itens de bucket-list”, diz Mabena. Sanctuary Mandela certamente já é um deles.

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