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O remédio da CVS contra a concorrência: a “reinvenção” do conceito de farmácia

Avaliada em US$ 96 bilhões, a empresa americana está transformando sua rede de farmácias em hubs de saúde e deve terminar 2020 com o serviço implementado em 600 das suas 10 mil unidades

 

CVS HealthHub propõe nova redistribuição das lojas físicas, destinando 20% de sua área a serviços

A rede de farmácias americana CVS Health, avaliada em US$ 96 bilhões, seguiu à risca a bula dos negócios: em tempos de alta pressão, o indicado é dilatar os serviços.

Enquanto lojas físicas arriscam novos modelos para continuar relevante em uma era marcada pelas compras online, a empresa estreou, no ano passado, um novo conceito de varejo.

Colocando em prática parte da expertise adquirida junto à compra do plano de saúde Aetna, numa negociação anunciada em dezembro de 2017, por US$ 69 bilhões, a companhia tirou do papel a CVS HeatlhHub, uma loja modelo que traz um amplo leque de atendimento.

Com o novo projeto, a companhia pretende, em suas próprias palavras, “oferecer uma gama de produtos e serviços voltados para o cuidado da saúde diária e para o alívio de doenças crônicas”.

As três primeiras unidades com este novo conceito foram inauguradas em fevereiro de 2019, em Houston, mas a boa aceitação do público acelerou o processo de escala do projeto.

Até o momento, a CVS conta com 53 HealthHubs espalhados pelos estados da Flórida, Georgia, New Jersey, Pensilvânia e Texas. O plano é inaugurar mais 15 unidades em Houston e expandir para outros 17 estados ainda no primeiro semestre de 2020.

A companhia anunciou que pretende fechar 2020 com um total de 600 unidades dos HealthHubs e, até 2021, prevê alcançar 1,5 mil pontos espalhados pelos Estados Unidos.

Com 10 mil farmácias ativas, a estratégia da CVS é também uma forma de resistência à entrada de grandes players no segmento de health care. A Amazon, por exemplo, desembolsou US$ 753 milhões para comprar, em maio de 2019, a startup Pill Pack — especializada na comercialização de medicamentos prescritos, embalados de acordo com a receita médica.

Já a Apple investiu na compra de empresas do calibre da Tueo Health, focada no monitoramento de doenças de alta incidência, como a asma.

Essas e outras apostas tecnológicas para o mercado de bem-estar e saúde pedem que a utilização dos espaços físicos sejam repensados. Por isso, os HealthHubs têm 20% de sua área total voltados para atividades de saúde, em vez de snacks, suplementos e afins.

Parte do sucesso das lojas conceitos tem a ver com o atendimento personalizado. Todas as HealthHubs contam com um “concierge”, um profissional cujo propósito é guiar os clientes pelas diferentes possibilidades – dentro e fora da farmácia.

Esse especialista é preparado, por exemplo, para auxiliar com dúvidas às obrigações e deveres de planos de saúde e sugerir aplicativos e dispositivos eletrônicos que possam ser úteis para o consumidor em questão.

Além desse profissional, os hubs também contam com a MinuteClinic, presente em 1,1 mil unidades da rede em todo o país. Espécie de pronto-socorro, a MinuteClinic ganha mais funções dentro deste projeto, incluindo exames de sangue.

Embora não sejam lideradas por médicos, essas clínicas disponibilizam o cuidado de profissionais aptos a prescrever medicações e tratar enfermidades “básicas”. A ideia é que esse hub possa evoluir neste departamento e abranger o cuidado de doenças crônicas também, tratando males como diabetes e apneia do sono. 

O professor assistente do curso de medicina da Universidade de Stanford, Peter Acker, vê a iniciativa com bons olhos. “Um paciente que tenha, por exemplo, uma virose e não disponha de plano de saúde passa a ter acesso a uma opção mais em conta de tratamento, ainda nos estágios iniciais da doença. Isso faz com que, além de ter os cuidados necessários, esse indivíduo economize com uma possível hospitalização”, diz o médico ao NeoFeed.

Acker salienta, porém, que quadros clínicos mais graves devem ser tratados em locais mais apropriados, como hospitais ou clínicas especializadas. “Não vejo a CVS HealthHub e sua MinuteClinic como uma competidora, mas sim como um complemento”, afirma o médico.

O que também colabora para a popularização desses espaços é a venda de equipamentos médicos de grande porte, como andadores. De acordo com o relatório da National Health Expenditures, equipamentos médicos duráveis somam 2% (US$ 64,1 bilhões) de todas as despesas relativas à saúde nos Estados Unidos.

Todo esse crescimento é espelhado no desempenho da CVS Health junto a Wall Street: seus papéis estão em curva ascendente desde fevereiro de 2019, embalados por uma receita anual superior a US$ 200 bilhões. 

Líder em um setor avaliado em US$ 4,2 trilhões, segundo dados da consultoria Market Watch, a CVS ainda não viu uma ação à altura de seus principais concorrentes: Walgreens, avaliada em US$ 76,4 bilhões; Rite Aid, que vale US$ 21,6 bilhões; e PharMerica Corporation, cujo valor beira os US$ 2,2 bilhões.

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