A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira, 29 de julho, o registro de mais cinco canetas emagrecedoras à base de semaglutida. A autorização foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Foram liberados as marcas Owozy, da Ávita Care; Zempneo, da Brainfarma (empresa da Hypera Pharma); Semavy, da Cosmed (também da Hypera); Seemasun, da indiana Sun Pharma; e Orsema, da Ranbaxy.

A liberação em bloco ocorre dois meses após a aprovação da Ozivy, da farmacêutica EMS, primeira semaglutida produzida no Brasil após o fim da patente de Ozempic e Wegovy, da dinamarquesa Novo Nordisk, em março deste ano.

A diferença dos novos registros é que nenhum deles será efetivamente produzido no Brasil. E nem todos pelas próprias empresas que obtiveram os registros na agência.

O NeoFeed apurou que, das cinco canetas emagrecedoras, uma delas não deve ser fabricada neste primeiro momento, a Zempneo, em uma decisão estratégica da Hypera, para compreender inicialmente a demanda de mercado.

A companhia vai lançar a Semavy, que chegará às farmácias com a marca Mantecorp, considerada uma das mais fortes da Hypera em produtos de prescrição médica. Só que a produção será feita na Índia, pela Sun Pharma.

“O medicamento chega para ampliar a oferta nacional de semaglutida, contribuindo para tornar esse tipo de tratamento cada vez mais acessível e disponível à população brasileira”, diz Breno Oliveira, CEO da Hypera Pharma, em nota ao NeoFeed. A perspectiva é de lançar a caneta em até dois meses.

Além do produto da Hypera, a empresa indiana também vai fabricar sua própria versão da semaglutida e a da também Ranbaxy, da qual a Sun Pharma é dona. Mas como ela também operação no Brasil, será responsável pela distribuição e comercialização de suas canetas.

O NeoFeed já havia revelado que a caneta emagrecedora da Ávita Care estava próxima de ser aprovada e que seria comercializada pela farmacêutica Sandoz.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o registro da Ávita demorou um pouco mais do previsto, e não saiu sozinho antes, porque a Anvisa indeferiu a linha de produção que seria montada em fábrica no Canadá. Com isso, a empresa obteve o registro de boas práticas do parque fabril na China, de onde virá a caneta aprovada no Brasil.

Nesta quarta-feira, a Sandoz, liderada no Brasil por Isabella Wanderley, que já foi CEO da Novo Nordisk, confirmou a informação. A perspectiva é que o produto chegue às farmácias ainda no segundo semestre deste ano, ainda sem data definida.

Segundo a Anvisa, dos 24 pedidos destes medicamentos que estavam na fila da Anvisa, 11 já tiveram suas análises concluídas, resultados em seis aprovações. Portanto, ainda faltam 13.

O processo de avaliação inclui realização de estudos clínicos, avaliação de documentos e inspeção da linha de produção.

A chegada de novos concorrentes vai acirrar um mercado que segue em franca expansão e já representa uma das principais avenidas de crescimento do varejo farmacêutico.

Levantamento da Close-Up International Brasil mostra que, no período de 12 meses, de maio de 2025 a maio de 2026, o mercado das canetas emagrecedoras alcançou R$ 13,3 bilhões, somando todos os produtos.

O líder é o Mounjaro (tirzepatida), produzido pela americana Eli Lilly, que faturou R$ 8,5 bilhões no período. O Wegovy vem em segundo, com R$ 3,7 bilhões, seguido pelo Ozempic, com R$ 1,1 bilhão.

Já o Itaú BBA enxerga um mercado anual de R$ 14,6 bilhões no Brasil no cenário anualizado até abril, com um crescimento de 110% na mesma base. A perspectiva é que, em 2026, este mercado chegue a R$ 19 bilhões.

Outro reflexo da chegada de mais players no mercado de canetas emagrecedoras foi a redução dos preços, de todas as farmacêuticas que têm produtos no mercado, incluindo o Mounjaro, que diminuiu em 35% os valores nas farmácias.

Como o NeoFeed revelou com exclusividade no início de julho, o grupo EMS já fez o registro para a produção do “medicamento clone” da caneta Ozivy, que passou a ser considerado medicamento referência pela Anvisa. O registro foi solicitado em nome da Brace Pharma.

A nova caneta da farmacêutica da família Sanchez vai se chamar Semaclick e também deve chegar ao mercado até o fim do ano.

A tendência é que a companhia produza 700 mil unidades da nova caneta em 12 meses. No caso da Ozivy, a previsão é de 1,2 milhão em um ano. Nos primeiros 15 dias, a semaglutida da EMS faturou R$ 100 milhões com 230 mil unidades.