O Citi rebaixou a recomendação para as ações do Nubank, de compra para neutra, além de reduzir o preço-alvo do papel do banco digital brasileiro, de US$ 18 para US$ 13.
As atualizações vêm à tona duas semanas depois de o Bank of America mudar a recomendação para o papel, de neutra para venda. O banco de investimentos americano também rebaixou o preço-alvo da ação, de US$ 16 para US$ 10.
Em sua reavaliação do papel, o Citi ressalta que é improvável que o Nubank vá desacelerar sua trajetória de crescimento sem sacrificar componentes como a monetização e lucratividade, em função da sua forte dependência de crédito, uma linha na qual o banco enxerga, por sua vez, riscos crescentes.
“O Nubank se destaca por sua exposição desproporcionalmente alta a cartões de crédito, empréstimos pessoais e clientes de baixa renda, enquanto ainda luta para ganhar tração no consignado privado”, escreve o Citi.
Os analistas do banco observam que o Nubank expandiu sua carteira de empréstimos em cerca de 60% ano contra ano. E que um índice de aproximadamente 96% do total desse portfólio está relacionado a empréstimos sem garantia.
Ao mesmo tempo, o time do Citi destaca a forte dependência do crédito observada na operação, ao citar que a receita média por cliente proveniente dessa linha já representa cerca de 60% da receita média por cliente total.
Embora frise que cerca de 9% dos clientes do banco têm exposição aos empréstimos com desconto em folha de pagamento, o Citi observa que essa porcentagem tende a aumentar, em função da grande presença do Nubank em todo o Brasil e da sua vasta base de clientes no País.
Nesse contexto, o banco ressalta a forte correlação do custo do risco do com a dinâmica de crescimento dos empréstimos. Bem como a subordinação das exposições a cartões de crédito e empréstimos pessoais ao consignado privado.
Segundo os analistas, isso aumenta a vulnerabilidade do Nubank a um efeito de deslocamento sobre a capacidade de pagamento dos tomadores de crédito, impulsionada pela expansão do crédito consignado privado, algo que, segundo o banco, está sendo subestimado.
“À medida que os empréstimos consignados privados sigam crescendo, é provável que reduzam a capacidade de pagamento dos tomadores, transferindo o estresse de crédito incremental para outros produtos sem garantia”, apontam os analistas.
Para referendar essa análise, o Citi usa como referência o período de 2021 a 2023, no qual as linhas sem garantia, em particular, os cartões de crédito e empréstimos pessoais, e os financiamentos de veículos absorveram a maior parte da deterioração dos pagamentos.
Em contrapartida, nesse mesmo período, os empréstimos com garantia permaneceram mais resilientes, consistentes e com um status de “pagamento prioritário” para os tomadores de crédito.
A partir desse cenário, o Citi reduziu a estimativa de lucro do Nubank em 2026 e 2027, em 9% e 15%, respectivamente, para US$ 3,7 bilhões e US$ 4,4 bilhões, citando como justificativa o maior custo do risco da operação.
Em outra linha, o banco projeta um retorno sobre o patrimônio (ROE) de longo prazo de 25%, contra o índice anterior de 30%, refletindo um menor poder de geração de lucro, uma perspectiva de crescimento mais desafiadora e uma incerteza crescente em relação à expansão internacional.
“Consequentemente, reduzimos nosso preço-alvo para os próximos doze meses para US$ 13, com base em um múltiplo P/L de 14,4 vezes para 2027, o que implica uma valorização modesta de aproximadamente 10% em relação ao múltiplo atual de 13,1 vezes”, escreve o banco.
Negociadas na Bolsa de Nova York, as ações do Nubank registravam alta de 2,13% por volta das 10h30 (horário local), cotadas a US$ 12,45, avaliando a empresa em US$ 60,5 bilhões. Em 2026, os papéis acumulam, porém, uma queda de mais de 25%.