A 83 dias do início da Copa do Mundo 2026, que será sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, o Brasil tem se dividido entre quem defende e quem rechaça convocação de Neymar para o escrete canarinho comandado pelo técnico italiano Carlo Ancelotti.
Os vencedores desse “embate” só serão conhecidos em 18 de maio, data da convocação da seleção brasileira para o torneio. Entretanto, em outro campo, também relacionado à competição, o BTG Pactual já escolheu quem devem ser os ganhadores e perdedores.
Em relatório, o banco traz uma análise sobre quais devem ser os segmentos e players do varejo mais beneficiados e, na outra ponta, os mais impactados negativamente quando a bola começar a rolar para a seleção brasileira, que estreia no torneio em 13 de junho, contra Marrocos.
“A Copa do Mundo cria uma clara dispersão no comércio varejista brasileiro”, escrevem os analistas do BTG Pactual em um dos trechos do relatório.
Eles acrescentam que, “em última análise, o torneio tem menos a ver com o crescimento agregado do varejo e mais com a redistribuição – recompensando a exposição ao consumo impulsionado pelo futebol e penalizando categorias de bens de consumo discricionários dom prazo de validade mais curto”.
Nesse cenário, o banco aponta que o Grupo SBF, dono da Centauro e à frente da operação local da Nike, é um dos favoritos, ao se beneficiar tanto da expansão do volume quanto de um mix favorável, com as categorias ligadas ao futebol apresentando margens estruturalmente maiores e descontos menores.
“Os produtos relacionados ao futebol, particularmente os produtos da Nike e as camisas licenciadas, normalmente geram forte interesse do consumidor durante os ciclos do torneio”, escrevem os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon.
O trio também destaca a expectativa do Grupo SBF de alcançar um volume de vendas de aproximadamente 850 mil camisas durante a competição, com estratégias de preços projetadas para preservar margens saudáveis.
As perspectivas otimistas para a varejista são reforçadas com a análise de dados compilados durante as três últimas edições da Copa do Mundo, que mostram uma média de crescimento na venda de artigos esportivos de 23% durante o torneio – no caso dos itens relacionados ao futebol, o índice é de 48%.
O banco frisa, porém, que essa aceleração deve ser analisada a partir da triangulação de um conjunto de dados, em vez de um único número isolado. E, como exemplo, cita que, em 2014, essa categoria cresceu cerca de 18% a 25% em julho e julho, comparado a um avanço de um dígito nos meses anteriores.
“É importante ressaltar que esse crescimento se concentra em um período de 6 a 8 semanas, o que implica um aumento temporário, porém, altamente lucrativo na demanda”, pontua outro trecho do relatório.
Em outra prateleira além dos artigos esportivos, o BTG Pactual escala os varejistas alimentares e as empresas do segmento de bebidas como “vencedores relativos”, ao se beneficiarem da dinâmica do consumo doméstico em dias de jogos do Brasil.
“Por outro lado, varejistas de moda (Renner, C&A) e shoppings centers enfrentam interrupções de curto prazo, principalmente se o Brasil avançar no torneio e ampliar o número de jogos durante a semana”, observa o banco.
Na primeira fase do torneio, além da estreia contra Marrocos, que acontecerá em um sábado, o Brasil enfrentará as seleções do Haiti, no dia 19 de junho, uma sexta-feira, e da Escócia, em 24 de junho, uma quarta-feira.
O BTG também buscou dados das últimas três edições do torneio que avaliam os impactos para os varejistas em dias de jogos da seleção. Em horas perdidas de venda, a média é de 37%. Já o recuo das vendas no varejo foi, em média, de 12%. Outros números embolam esse meio de campo.
“Dados da Abrasce de fluxo de pedestres em shoppings indicaram quedas intradiária de até 40% durante os horários dos jogos, com recuperação parcial antes e depois das partidas”, observa o banco.
Os analistas também traçam um panorama considerando que o Brasil avance de fases e jogue de 5 a 7 partidas - nessa edição, diferentemente das anteriores, quem chegar à final irá disputar oito jogos. Isso implicaria num caminho até final, no dia 19 de julho, com 4 a 5 partidas durante a semana e 3 a 4 jogos no fim de semana.
Segundo o banco, com um calendário que sugere uma concentração ligeiramente maior de jogos durante a semana e levando-se em conta que cada partida reduza as horas efetivas de venda em cerca de 30 a 40% em cada dia, isso se traduziria em uma redução de 1% a 2% nas vendas totais do varejo.
O BTG ressalta, porém, que esse efeito é assimétrico. Enquanto artigos esportivos se beneficiam da demanda pré-evento, a maioria das categorias de produtos não essenciais enfrenta uma perda líquida de tempo de venda.
“Isso cria distorções em dados de alta frequência, muitas vezes exigindo que os analistas normalizem as tendências para evitar interpretações equivocadas das condições de demanda subjacentes”, conclui o relatório.