Responsáveis pelo crescimento que colocou o Mercado Bitcoin entre os maiores emissores de dívida tokenizada do mundo, Alexandre Reda e Felipe Siqueira agora querem competir com a antiga casa na frente de investment banking.
Após deixarem o Mercado Bitcoin em outubro, Reda e Siqueira fundaram a Atlas, nova plataforma voltada a crédito estruturado e investimentos alternativos. Com eles, levaram outros cinco sócios do time de investment banking, que deixaram a antiga casa dias após a saída dos dois fundadores.
O empreendimento nasce com um aporte de R$ 5 milhões em uma rodada seed que contou com a participação da Credit Saison, instituição financeira japonesa não bancária que vem ampliando sua atuação no Brasil por meio de operações de crédito e financiamento estruturado. Recentemente, o grupo passou a ter exposição no País em iniciativas como operações de crédito ligadas à Turbi estruturas de fundos em parceria com a Verde Asset.
A rodada também teve a participação da Seeders Ventures, além de investidores-anjo como Rafael Coelho, cofundador da Sette, antiga A de Agro, e da Monkey, e Paulo Cunha, que investiu na Stone e CloudWalk e fez exit para o Rappi e Nubank.
“A demanda chegou a R$ 30 milhões. Tivemos que restringir a entrada, mas temos alguns investidores que devem entrar na rebarba dessa primeira rodada. São americanos”, diz Siqueira.
Outros três aportes estão no horizonte, segundo Siqueira, que deverão vir de uma gestora brasileira com R$ 15 bilhões em investimentos e de um VC local e outro americano. “Serão coisas bem maiores.”
Na Atlas, Reda e Siqueira implementaram uma operação semelhante à que deram início no Mercado Bitcoin e que colocou a empresa brasileira no top 3 das maiores emissoras de dívida tokenizada do mundo, segundo o ranking RWA.XYZ.
Entre as operações, estiveram antecipação de crédito a franqueados da Chilli Beans e outras envolvendo consignado FGTS, telecomunicações e subadquirência. Quando saiu do Mercado Bitcoin, que nasceu como uma corretora de criptomoedas, a área de IB já representava quase 40% da receita da companhia.
“O Brasil acabou saindo na frente. A regulação aqui foi pioneira nesse tema e virou uma referência. Isso deu muita vantagem para quem estava construindo esse mercado desde o início”, afirma Siqueira.
Ainda com a operação no início, a Atlas emitiu cerca de R$ 100 milhões em operações estruturadas de crédito e equity, incluindo crédito pessoal e consignado, operações de real estate, telecomunicações, geração de energia, data centers e deals de equity em infraestrutura. Outros R$ 5 bilhões em emissão estão no pipeline.
Com foco em operações estruturadas de dívida, equity e tokenização, a Atlas mira operações com tíquetes que variam de R$ 2 milhões a R$ 1 bilhão, independentemente da região. "Queremos ser a primeira plataforma de investimentos globais para investidores globais."
Siqueira se diz agnóstico quanto ao veículo dessas emissões, mas que vê a tecnologia blockchain como fundamental para ganhar escala global na distribuição. Nesse primeiro momento, 70% das emissões foram feitas via mercado tradicional.
Do portfólio atual, 40% das operações foram originadas nos Estados Unidos, 54% no Brasil e outros 6% em outras regiões, como Singapura e México.
“Tem mais coisa no Brasil, dada a natureza da companhia e o pouco tempo de vida que ela tem, mas a Atlas já nasce global, sem limite de geografia. Pouco importa se o investidor está nos Estados Unidos, no México ou na Ásia. Eu registro no blockchain e distribuo onde fizer sentido”, diz o cofundador.
Além da equipe que veio do MB, Siqueira conta que também trouxe consigo alguns clientes. ”Assim que eu anunciei minha saída, as pessoas vieram até mim e falaram ‘poxa, vamos fazer negócio juntos’ Acabou que os relacionamentos, tanto na ponta de clientes quanto nos canais, eram 100% nossos, na pessoa física praticamente”, diz Siqueira.
Nesse primeiro momento, o foco da distribuição da Atlas será em investidores institucionais e assessorias de investimento, que terão acesso aos produtos estruturados da plataforma. O atendimento direto ao varejo deve ficar para uma etapa posterior, quando a empresa pretende ampliar o alcance da distribuição e fortalecer a marca.
Para escalar o negócio, a empresa aposta no Atlas Advisor, plataforma desenvolvida para assessores de investimento, que concentra a originação, a estruturação e a distribuição dos produtos.
“Hoje, o acesso não é direto. É via assessor de investimento, via asset, via MFO ou, se for o caso, via um banco. A chegada ao investidor final faz parte dos planos da Atlas, mas apenas em um segundo momento, quando a marca estiver mais forte”, afirma Siqueira.
A plataforma ainda está em versão beta, mas, segundo Siqueira, deverá encurtar a esteira de 8 meses de estruturação e distribuição de um IB tradicional para 30 dias.
“A gente já tem alguns bots rodando. Um deles é um agente de IA que faz o roadshow sem eu precisar estar presente. Ele usa o meu rosto, interage com o cliente e apresenta tanto o produto quanto a Atlas”, conta. “Se surgir alguma pergunta que o avatar não saiba responder, eu recebo uma mensagem no meu celular.”