A Vale pode ver o níquel, até então o “patinho feio” de sua operação, se tornar um catalisador de valor em 2026, ajudando a elevar em 8% o Ebitda previsto para a empresa nesse ano e fazer com que a companhia deixe de ser vista apenas como uma produtora de minério de ferro.

A avaliação é do BTG Pactual, diante da valorização que a commodity vem registrando num curto espaço de tempo – em um mês, o preço do níquel subiu 25% no mercado internacional, atingindo US$ 18 mil a tonelada.

“Embora a Vale seja uma das maiores produtoras globais de níquel (atrás da Norilsk), o níquel tem sido visto pelos investidores como um problema para a Vale há anos”, diz trecho do relatório, assinado pelos analistas Leonardo Correa e Marcelo Arazi. “Durante vários trimestres nos últimos anos, a unidade de níquel da Vale apresentou Ebitda negativo e o negócio vem queimando caixa sequencialmente.”

A alta do níquel é fruto das incertezas regulatórias vindas da Indonésia, responsável por quase 50% da oferta da commodity no mercado global.

Mudanças nas regras de licenciamento têm sido o principal trigger para os preços no curto prazo, com o mercado tentando estimar quanto de minério e capacidade de processamento serão aprovados pelo governo indonésio para 2026.

As primeiras notícias apontam que, inicialmente, a meta de produção para 2026 foi estabelecida em 250 milhões de toneladas, abaixo das 379 milhões de toneladas registradas no ano passado.

Além disso, os analistas do BTG Pactual afirmam que atrasos no processo de licenciamento e a falta de clareza sobre as aprovações de projetos estão criando dúvidas sobre a disponibilidade futura de minério, mantendo os preços sustentados por precaução.

Este cenário fortalece a unidade de metais básicos da Vale, que deve responder por 15% a 20% do Ebitda da companhia, com algo em torno de US$ 3 bilhões – para 2026, os analistas do BTG Pactual estimam um montante de US$ 17,4 bilhões, alta de 12,6%. O BTG Pactual possui recomendação de compra para as ações, com preço-alvo de US$ 15 para as ADRs.

“Com o recente aumento nos preços do níquel e do cobre, essa marcação a mercado geraria um potencial de alta de 8% em nosso Ebitda consolidado, o que é bastante relevante (somente o Ebitda de metais básicos pode facilmente ultrapassar US$ 4 bilhões)”, diz trecho do relatório.

Partindo do pressuposto de que os preços do níquel permanecerão nos níveis, e que a gestão continue colhendo os frutos da reestruturação da unidade, os analistas do BTG Pactual afirmam que o valuation da unidade de metais básicos da Vale deve passar por uma revisão, um efeito positivo para as ações da empresa.

Eles destacam que o EV/Ebitda da Vale gira em torno de 4 vezes, enquanto seus pares são negociados a múltiplos entre 7 vezes e 10 vezes, pelo fato da empresa ser vista apenas como um play para minério de ferro.

“Como já afirmamos anteriormente, faz pouco sentido para a Vale negociar como uma empresa puramente de minério de ferro se ela tem uma exposição a metais básicos de quase 20% e esse número está crescendo”, diz trecho do relatório.

Segundo os analistas, se a unidade de metais básicos conseguir entregar US$ 4 bilhões em Ebitda em 2026, ela pode destravar quase 20% em equity value para a Vale.

Por volta da 11h28, as ações da Vale subiam 0,14%, a R$ 75,98. Em 12 meses, os papéis acumulam alta de 46,05%, levando o valor de mercado a R$ 345 bilhões.