Em meio às negociações com os credores com dívidas de R$ 4,5 bilhões para acertar a parte financeira, o GPA anunciou na quinta-feira, 16 de abril, a chegada de três novos executivos à sua diretoria executiva para ajustar a parte operacional.
A varejista informou ter contratado José Rafael Vasquez, que foi CEO do Sam’s Club no Brasil e liderou a divisão de varejo do Carrefour no país, além de passagens por Walmart, Cencosud e Pague Menos, para a posição de diretor comercial.
O GPA também trouxe Jonas Laurindvicius, ex-CEO do Grupo DPSP, para ser diretor executivo de supply chain, e Jorge Jubilato, que teve passagens por Pague Menos, Rede de Farmácias São João e Atacadista Roldão, para liderar a área de recursos humanos.
Com a chegada dos três executivos, o GPA consolida a estrutura de sua diretoria executiva, que conta com Pedro Albuquerque como diretor financeiro e de relações com investidores, e Marcelo Prieto, atual diretor executivo de operações, e parte agora para acelerar a agenda estratégica, pautada em ganho de eficiência e retomada da rentabilidade.
“Temos um desafio grande. Precisamos resolver os passivos fiscais, trabalhistas e financeiros que a companhia tem, mas tão importante quanto isso é o próprio dia a dia”, diz Alexandre Santoro, CEO do GPA, ao NeoFeed. “Por isso, montamos um time superexperiente, com vivência no varejo e comprovada capacidade de execução, para tornar a companhia mais eficiente.”
Santoro diz que a nova composição da diretoria reflete as prioridades da companhia. Desde que assumiu o comando do GPA, há 90 dias, Santoro estabeleceu três temas como linha mestra do seu trabalho na parte operacional: entrega de experiência aos clientes, aumento da eficiência operacional e disciplina financeira.
Com os novos diretores, o objetivo é aprofundar aquilo que já foi feito e colocar em prática novas iniciativas. Na parte de eficiência operacional, Santoro diz que o GPA vem trabalhando para melhorar o sortimento e está redesenhando a logística, promovendo ajustes nas diferentes bandeiras da companhia – Pão de Açúcar, Extra, Mini Extra e Minuto Pão de Açúcar.
Santoro prevê aproveitar o trabalho feito pela diretoria anterior, liderada por Marcelo Pimentel. Um dos pontos que ficam é focar o Pão de Açúcar para um público mais premium. “Essa estratégia para o Pão de Açúcar faz todo o sentido. O que tem de diferente é que estamos revendo as operações de proximidade e a bandeira Extra”, afirma o CEO.
A nova diretoria também vai em busca de reduzir custos, buscando tornar o GPA mais “leve”, e rever os investimentos, sem planos de realizar grandes desinvestimentos. O objetivo é cortar mais de R$ 700 milhões em custos e capex, meta anunciada no final do ano passado.
“Ao longo dos últimos anos, a companhia acabou investindo muito em expansão e, neste momento, não vamos investir em expansão”, diz. “Nossa grande prioridade é melhorar o parque atual de lojas, o que significa também uma economia de capex.”
A chegada da nova diretoria vai ajudar ainda a refinar o plano estratégico, baseado nos princípios básicos que Santoro vem implementando. A expectativa é de apresentar esse planejamento ao mercado mais adiante, com Santoro não querendo se comprometer com prazo.
Melhorar a parte operacional, com aumento de rentabilidade e redução de custos e capex, é fundamental para lidar com a pressão vinda do lado financeiro. Com o caixa sob pressão, ainda que positivo, o GPA tem cerca de R$ 1,7 bilhão em dívidas a vencer nos próximos 12 meses, enquanto o fluxo de caixa operacional, após as variações de capital de giro, atingiu R$ 1,3 bilhão no fim de 2025, avançando 37,8%.
A pressão financeira fez com que o GPA tivesse que entrar com um pedido de recuperação extrajudicial, no começo de março, para suspender, por 90 dias, qualquer execução de dívida e obter carência de pagamento dos juros no período.
Na largada, a companhia conseguiu o apoio de credores não operacionais que respondem por cerca de 46% da dívida, boa parte deles bancos – o GPA precisa contar com mais de 50% para avançar com a recuperação extrajudicial.
Segundo Santoro, as conversas avançam em tom positivo, com as partes engajadas. “É um momento de discussão, negociação, mas diria que é em alto nível, e temos ainda mais 60 dias para terminar as negociações”, diz.
Outro ponto que a nova diretoria pretende endereçar com o plano de negócios é a questão dos R$ 17 bilhões em contingências fiscais e trabalhistas nos próximos anos. “Temos uma série de medidas que temos feito, existem planos para endereçar e estruturar esses passivos”, diz Santoro.
As ações do GPA fecharam o dia com alta de 0,87%, a R$ 2,33. No ano, os papéis registram queda de 41,1%, levando o valor de mercado a R$ 1,16 bilhão.