Maior produtora global de proteínas, com operações em mais de 20 países e dona de marcas como Seara, Friboi, Swift e Pilgrim’s Pride, a JBS está incorporando um novo ingrediente – ou melhor, alguns ingredientes – a esse seu já vasto cardápio de operações.
O grupo brasileiro inaugura na quarta-feira, 1º de abril, o JBS Biotech Innovation Center, hub de biotecnologia aplicada à cadeia de alimentos que vai reunir frentes de pesquisa avançada, engenharia de processos e ciência de dados.
Fruto de um projeto de quatro anos, o novo centro está instalado no Sapiens Parque, em Florianópolis (SC), em uma área total de quatro mil metros quadrados. E concentrou, até aqui, um investimento de US$ 37 milhões (cerca de R$ 193 milhões).
“Esse projeto está totalmente ligado à nossa estratégia de investir em valor agregado”, diz Gilberto Tomazoni, CEO global da JBS, ao NeoFeed. “E temos um leque completo com muita escala, variedade e disponibilidade de matérias-primas para fazer isso.”
A partir desse menu amplo, ele ressalta que a JBS começou a desenvolver esse projeto quando muitos dos conceitos que guiam e sustentam essa iniciativa – as super proteínas, em particular - ainda eram bastante incipientes.
“Hoje, esses temas aceleraram muito, por conta de uma mudança geracional, mais preocupada em saudabilidade”, afirma ele. “Então, chegamos num momento em que temos capacitação e uma demanda a ser atendida no mercado.”
Em direção a essa demanda, o novo centro contará com 20 laboratórios e 28 profissionais, entre engenheiros, veterinários, biólogos, químicos e afins. E será comandado por Fernanda Berti, pós-doutora pelo Instituto Europeu de Excelência em Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa.
“Boa parte desse time é formado por cientistas brasileiros que nós repatriamos”, diz Berti. “É uma gama bem ampla de conhecimento que vem embarcado na mochila de cada uma dessas pessoas pra que a gente consiga pensar em soluções no curto, médio e no longo prazo para atender as estratégias da JBS.”
Com essa orientação, o hub terá como norte três frentes principais, seja na busca por tecnologias ou materiais que permitam aprimorar produtos já ofertados pelo grupo como também por novos ingredientes a serem incorporados ao seu portfólio.
A primeira é o desenvolvimento de proteínas com características diferenciadas. Entre elas, proteínas cuja formulação permite definir níveis de aminoácidos, digestibilidade e funcionalidade, alcançando, inclusive, níveis de personalização.
“É possível, por exemplo, entender como eu construo tecnologias que possam entregar proteínas funcionais e alternativas que possam ser direcionadas ao ganho de massa muscular para pessoas que fazem uso de canetas emagrecedoras”, afirma Berti.
Tomazoni complementa: “Quando se fala de super proteína, estamos falando de desenhar uma proteína específica para um grupo de pessoas”, diz. “Então, esse centro foi construído para, no final, termos esses ingredientes ou a aplicação deles nos nossos produtos tradicionais.”
Uma segunda vertente passa pela questão da saúde animal, com base em pesquisas de materiais e o desenvolvimento de soluções que possam trazer mais eficiência e produtividade às unidades de negócios da JBS.
Já o terceiro direcionamento, também bastante ligado à estratégia de valor agregado e ao campo da produção do grupo, passa pelo mapeamento de possíveis novas aplicações, ingredientes e produtos que possam ser desenvolvidos a partir de matérias-primas que, hoje, são subutilizadas nessas operações.
Um exemplo que ajuda a entender essa frente é a Genu-in, operação criada nos últimos anos pela JBS, especializada em colágeno, cujo portfólio é destinado a setores como indústria de alimentos, em segmentos como suplementos.
“Já temos vários portfólios de produtos em processamento”, diz Tomazoni, que guarda a sete chaves alguns dos estudos já em desenvolvimento no centro. “Quando eles estiverem no ponto, vamos pegar e fazer investimentos em fábricas para produzi-los.”
A própria Genu-in é um dos exemplos desse percurso dos “laboratórios” à escala industrial da JBS. A operação teve uma fábrica inaugurada em 2022, em Presidente Epitácio (SP) e já concentrou um investimento de R$ 400 milhões.
Um outro exemplo que se conecta com o centro foi o investimento feito pela JBS, no fim de 2021, para assumir o controle da espanhola BioTech Foods. Com o acordo, o mercado estreou no mercado de proteínas cultivadas - a produção de alimentos a partir de células animais, sem a necessidade do abate.
Fundada em 2017, a BioTech Foods já operava uma planta-piloto na cidade de San Sebastián. E, a partir da aquisição de uma fatia de 51% da operação pela JBS, anunciou a construção de uma nova fábrica, com um aporte estimado de mais de R$ 200 milhões, em uma área de 20 mil metros quadrados.
“Quando fizemos a aquisição, a Biotech já tinha a tecnologia e precisava investir para chegar ao nível comercial”, diz Tomazoni. “É um pouco do que vai acontecer no centro. Vamos desenvolver as tecnologias e colocá-las em fábricas para escalar.”