Méliuz compra Picodi.com por R$ 120 milhões e chega a 44 países

Em seu primeiro negócio após o IPO, a Méliuz adquiriu uma fatia majoritária da plataforma de comércio eletrônico Picodi.com, que reúne cupons de descontos e códigos promocionais, e dá início a sua internacionalização

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Israel Salmen, fundador e CEO da Méliuz

Quando fez a abertura de capital, em novembro do ano passado, a empresa de cashback e de cupom de descontos Méliuz colocou R$ 300 milhões no caixa para aquisições.

Nesta sexta-feira, 26 de fevereiro, a companhia comandada por Israel Salmen anunciou a sua primeira aquisição e que marca o início de sua internacionalização. A Méliuz comprou 51,2% da Picodi.com em um negócio de R$ 120 milhões.

Fundada em 2010 na Polônia, a Picodi.com é uma plataforma internacional de comércio eletrônico, que reúne cupons de descontos e códigos promocionais, presente em todos os cinco continentes, em 44 países e em 19 línguas diferentes – há inclusive um site em português.

“A internacionalização é um movimento que já estudamos há cinco anos”, disse Salmen, ao NeoFeed. “Iniciamos o relacionamento com a Picodi.com em 2017 e analisamos mais de 100 targets antes de fazer a aquisição.”

A Picodi, cuja sede é na Cracóvia, conecta, mensalmente, mais de 12 mil lojas online a 4 milhões de usuários. Anualmente, a plataforma recebe cerca de 68 milhões de visitas, sendo que 71% é proveniente de tráfego orgânico.

De acordo com Salmen, a Méliuz, nos próximos quatro anos, vai focar no marketplace em sua operação internacional. “Vamos colocar o playbook do Brasil para funcionar em outras localidades”, diz o empreendedor. “Vamos acelerar parcerias com lojas online, cadastrar muitos usuários e torná-los ativos.”

Só depois de consolidar o marketplace, a Méliuz poderá pensar na inclusão de serviços financeiros, como já acontece no mercado brasileiro.

Da atual equipe de 178 pessoas, apenas dois, que são sócios da companhia, passam a focar na operação da Picodi, que será a marca global do grupo e permanecerá com uma operação separada. A Méliuz será a marca para o Brasil.

Em entrevista ao NeoFeed, em janeiro deste ano, Salmen disse que tinha assinado mais de 30 NDAs (Non Disclosure Agreement). E acrescentava que estava conversando com empreendedores do mundo inteiro.

“Buscamos empresas que em sua maioria já passaram daquele momento de queima de caixa, de crescimento ou que estavam se provando”, afirmou Salmen, na ocasião. “Queremos negócios mais provados, que tenham uma visão clara de crescimento e que sejam geradores de caixa.”

O acordo de aquisição da Picodi.com ainda será submetido à validação pelos acionistas da companhia em Assembleia Geral Extraordinária.

A Méliuz também acordou uma opção de compra dos 48,8% de ações restantes da Picodi, com os atuais acionistas da empresa. Elas serão adquiridas a partir do cumprimento dos objetivos operacionais, acordados entre as empresas.

Desde que abriu o capital, as ações da Méliuz subiram mais de 180%. Hoje, a empresa é avaliada em R$ 3,5 bilhões. Um dos planos da companhia é aumentar os serviços financeiros em sua plataforma.

A empresa já fornece um cartão de crédito em parceria com o Banco Pan e a Mastercard. Mas esse negócio só decolou recentemente, quando atingiu 2,5 milhões de solicitações de clientes nos dois últimos trimestres de 2020  – no total são 3 milhões de cartões solicitados.

A Méliuz, que tem 14 milhões de usuários cadastrados (5,3 milhões deles são ativos), também já organizou um marketplace financeiro, que oferece empréstimo pessoal, crédito consignado, seguros e até algumas iniciativas em investimentos via parceiros, como CreditasPorto SeguroYouUse, entre outros.

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