O Mercado Livre, por meio do Mercado Pago, o seu braço financeiro, e o Nubank estão apertando o passo e se consolidando como os principais motores de crescimento da concessão de crédito via cartões no mercado brasileiro.
Esse é o ponto de partida de um novo relatório enviado a clientes pelo Itaú BBA. O banco de investimentos ressalta que, juntas, as duas companhias responderam por aproximadamente 36% do crescimento da carteira de cartões no Brasil nos últimos 12 meses.
Essa aceleração é reforçada quando se compara o crescimento somado da dupla – também de cerca de 36% - no quarto trimestre de 2025 com a expansão de aproximadamente 30% registrada pelas duas empresas no primeiro trimestre do ano passado.
A partir dessa constatação e da inclusão dos números do quarto trimestre de 2025 nessa conta, o Itaú BBA destrincha alguns indicadores de cada operação no segmento e, com base nesses números, estabelece uma comparação entre os desempenhos e estratégias das duas companhias.
“O Mercado Livre emitiu quase 3 milhões de novos cartões no Brasil, México e Argentina no quarto trimestre (um aumento em relação aos cerca de 2 milhões no terceiro trimestre e 1,5 milhão no segundo trimestre)”, aponta um dos trechos do relatório.
Os analistas do banco observam que esse crescimento foi impulsionado por melhorias nos modelos de crédito do grupo no Brasil e no México, além da expansão na Argentina. No mercado brasileiro, a empresa cresceu seu portfólio de cartões em cerca de US$ 840 milhões (R$ 4,6 bilhões) no período.
Nesse mesmo intervalo, o Nubank acrescentou cerca de US$ 2,1 bilhões (R$ 11,4 bilhões) ao seu portfólio. O banco também destaca que a empresa quase dobrou o crescimento de sua carteira de cartões no período, em relação ao terceiro trimestre de 2025.
“Curiosamente, ambas as empresas parecem confortáveis com seus modelos de crédito e estão aproveitando a oportunidade para acelerar o crescimento”, escrevem os analistas.
Em uma comparação entre as duas operações, num intervalo mais amplo, o banco aponta que a carteira de cartões do Mercado Livre cresceu US$ 2,6 bilhões (R$ 12,9 bilhões) nos últimos 12 meses, o equivalente a cerca de 40% dos US$ 6,5 bilhões (R$ 26,6 bilhões) do Nubank.
Há outras diferenças entre os portfólios. O Itaú BBA pontua, por exemplo, que a margem financeira líquida após perdas – índice que mede a rentabilidade do crédito descontada a inadimplência – do Nubank está em um bom patamar de 19%. A do Mercado Livre está negativo em cerca de 6% a 7%.
O banco também frisa que a operação de cartões do Nubank foi impulsionada por uma fatia maior do seu portfólio que gera juros, de cerca de 35%, do que o índice de aproximadamente 15% do Mercado Livre, o que permitiu à empresa de David Vélez ter um rendimento bruto mais elevado.
“O Nubank também se beneficia de um custo de risco menor, de aproximadamente 14% (ligeiramente superior em relação ao ano anterior) versus a faixa de 23 a 24% do Mercado Livre (que teve uma melhora significativa, ano contra ano, de redução de 7 pontos percentuais)”, dizem os analistas.
No que diz respeito ao Mercado Livre, o banco afirma que a margem negativa reflete o impacto da rápida emissão de novos cartões. E que essa pressão deve se manter em 2026, à medida que o grupo acelera essa frente na Argentina, onde a operação não se beneficia da maturação de safras mais antigas.
Em contrapartida, o Itaú BBA ressalta que a empresa já observou que as safras com mais de dois anos na operação brasileira já apresentam margem positiva. E que aproximadamente metade da carteira de cartões no Brasil atingiu o patamar de rentabilidade.
“Como resultado, estimamos que a margem financeira líquida após perdas geral dos cartões no Brasil esteja praticamente no ponto de equilíbrio ou ligeiramente negativa se considerarmos o financiamento de 100% da carteira”, traz outro trecho do relatório.
O Itaú BBA destaca que o Mercado Livre leva ampla vantagem, porém, quando o tema é a rentabilidade no segmento de crédito aos consumidores e sellers, com uma margem de aproximadamente 46% contra 19% do Nubank.
Com base nesses e em outros dados do quarto trimestre de 2025, o banco atualizou algumas de suas estimativas para o Mercado Livre em 2026. Em um desses indicadores, reduziu em 13,8% a projeção de crescimento do lucro antes de juros e impostos (Ebit), para US$ 3,5 bilhões, com margem de 9,1%.
Já no que diz respeito ao lucro líquido, a nova estimativa aponta para US$ 2,3 bilhões, um recuo de 14,3% em relação à projeção anterior. Ao mesmo tempo, o banco reduziu o preço-alvo das ações da empresa, de US$ 2.600, para US$ 2.500, mas manteve a recomendação de compra para o papel.
As ações do Mercado Livre fecharam o pregão da sexta-feira, 13 de março, na Nasdaq, cotadas a US$ 1.670, com ligeira queda de 0,60%, dando a empresa um valor de mercado de US$ 84,6 bilhões. No ano, os papéis acumulam uma desvalorização de 17%.
Já as ações do Nubank encerraram as negociações de sexta na Bolsa de Nova York com um recuo de 0,57%, a US$ 13,89. Em 2026, os papéis têm uma queda acumulada de 17%. A empresa está avaliada em US$ 67,4 bilhões.