O ano de 2026 mal começou e o mercado de fintechs e bancos digitais já vem chamando a atenção por ser o palco de uma série de novidades de alguns de seus principais players no Brasil e no exterior. E, reforçando essa tendência, quem está movimentando esse balcão agora é o Nubank.
A empresa comandada por David Vélez anunciou na quinta-feira, 29 de janeiro, que obteve a aprovação condicional do Escritório do Controlador da Moeda (OCC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos para a constituição de novo banco nacional em solo americano, o Nubank, N.A.
“Esta aprovação não é apenas uma expansão da nossa operação. É uma oportunidade de provar nossa tese de que um modelo digital em primeiro lugar, centrado no cliente, é o futuro dos serviços financeiros globais”, afirmou, em nota, Vélez.
Fundador e CEO global da Nu Holdings, ele acrescentou: “Embora continuemos totalmente focados em nossos principais mercados no Brasil, México e Colômbia, este passo nos permite construir a próxima geração bancária nos Estados Unidos”.
No comunicado, o Nubank ressaltou que, uma vez aprovada, a licença bancária nacional permitirá que a empresa opere sob uma estrutura federal abrangente, o que abrirá caminho para o lançamento de contas de depósito, cartões de crédito, empréstimos e custódia de ativos digitais nos EUA.
Cofundadora do Nubank, Cristina Junqueira estará baseada nos Estados Unidos, de onde irá liderar a operação como CEO da unidade de negócios emergentes no país. Já Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central brasileiro, irá atuar como presidente do conselho de administração.
"Receber a aprovação federal para uma licença de banco nacional é um passo significativo em nossa jornada para nos tornarmos uma instituição regulamentada sólida, em conformidade com as normas e competitiva nos EUA", disse Junqueira.
O Nubank ressaltou que irá se concentrar agora na organização do novo banco, que envolve o cumprimento de condições específicas do OCC, além das aprovações pendentes da Corporação Federal Asseguradora de Depósitos (FIDC, na sigla em inglês) e do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
A empresa destacou ainda que, durante essa etapa, vai se concentrar em capitalizar totalmente a nova instituição dentro de 12 meses e que o plano é abrir o banco em até 18 meses, conforme exigido pelos reguladores.
O Nubank apresentou o pedido de obtenção de uma licença bancária nacional à OCC em 30 de setembro de 2025. A aprovação agora pelo órgão abre a perspectiva de expandir um mapa que, hoje, inclui a presença nos mercados do México, da Colômbia e, claro, do Brasil.
“Estamos construindo o Nubank passo a passo e ainda tem muito pela frente”, disse Vélez, ao NeoFeed, quando a companhia iniciou esse processo nos Estados Unidos, há quatro meses. Na oportunidade, ele ressaltou que esse era o maior movimento, até então, da empresa. E também o mais competitivo.
No que diz respeito à competição e à expansão, os rivais também estão se mexendo. Nesta semana, a britânica Revolut anunciou o lançamento oficial de suas operações bancárias no México, onde o Nubank desembarcou em 2019 e já conta com 13,1 milhões de clientes.
Com o caminho aberto para consolidar uma oferta bancária completa no México – o primeiro país fora da Europa a receber uma operação da empresa, a Revolut, que tem uma base total de mais de 70 milhões de clientes, contra 127 milhões do Nubank, ampliou seu mapa de atuação para 40 países.
No lançamento, a Revolut destacou que capitalizou a operação mexicana com mais de US$ 100 milhões – mais que o dobro exigido pela regulação, o que resultou em um Índice de Adequação de Capital (CAR) de 447,2%.
De volta aos Estados Unidos, um player do setor que também mexeu os ponteiros nesta semana foi outro nome brasileiro – o PicPay. A empresa tocou a campainha na Nasdaq nesta quinta-feira, quando registrou uma demanda quase 13 vezes superior ao book e levantou US$ 490 milhões.
No IPO, que foi ancorado pela Bicycle, de Marcelo Claure, e atraiu fundos como BlackRock, GIC, Columbia e Fidelity, a companhia foi avaliada em US$ 2,6 bilhões. A J&F, dos irmãos Batista, por sua vez, permaneceu como controladora da operação.
Conforme apuração do NeoFeed, que ouviu investidores que acompanharam os roadshows dos executivos do PicPay, nessa nova etapa, o PicPay vai se concentrar em frentes como crédito, seguros e M&As nas áreas que ainda atua por meio de parceiros.
No seu primeiro dia de negociações na bolsa de valores americana, as ações do PicPay registravam alta de 1,16% por volta das 15h20, cotadas a US$ 19,22. Já os papéis do Nubank, listados na Bolsa de Nova York, tinham ligeira queda de 0,69%, dando à empresa um valor de mercado de US$ 90,2 bilhões.
Em paralelo a essas iniciativas e às suas próprias estratégias de expansão no exterior, o Nubank também tem investido para ampliar seu escopo no Brasil. Em dezembro de 2025, a empresa anunciou a intenção de obter uma licença bancária no país, ainda nesse ano.