A IDtech brasileira Unico, que hoje tem atuação em 20 países, anunciou na tarde de quarta-feira, 29 de abril, Luis Felipe Monteiro para a cadeira de CEO da América Latina. O executivo, que desde fevereiro do ano passado ocupava a função de vice-presidente global de relações institucionais da companhia, chega com a missão de expandir os negócios na região.
A primeira ação de Monteiro será a de implementar a chegada da companhia na Argentina, que ocorrerá até o fim do primeiro semestre. Também há planos de entrar no mercado da Colômbia, possivelmente no início de 2027.
O Brasil, que responde por 80% da receita da empresa no segmento de verificações de identidade da empresa, registrou crescimento de 34% no primeiro trimestre. E a perspectiva é de fechar 2026 com alta entre 30% e 40%. No México, país em que a empresa atua há cerca de dois anos, o crescimento foi de 100%.
“A Unico não é mais uma empresa local. É uma big tech brasileira expandindo seus serviços pelo mundo. E uma região em que a gente passa a ter muito mais atenção é a América Latina”, diz Monteiro, em entrevista ao NeoFeed.
Entre os mercados em que a companhia já atua estão Estados Unidos, Oriente Médio, Indonésia e leste europeu. No caso da América Latina, a avenida de crescimento está justamente nas oportunidades de desenvolvimento do segmento de prevenção a fraudes.
“A estratégia de avanço na América Latina tem relação com o fato de que a digitalização, principalmente no sistema, ainda está em uma expansão acelerada. A Argentina é um desses casos, a exemplo do que foi o Brasil há alguns anos”, afirma o CEO.
Ao mesmo tempo, o volume de fraudes sofisticadas vem crescendo de forma expressiva nos países do bloco, o que faz com que a demanda pelo serviço da Unico aumente.
Na plataforma da empresa, as tentativas de fraudes mais elaboradas cresceram 1.082% no ano passado, principalmente com a utilização de inteligência artificial (IA) para replicar rostos, vozes e comportamentos.
“E esses fraudadores estão explorando estes outros países. Recentemente conversamos com bancos argentinos, que detectaram a escalada destas tentativas de fraude, com perfis muito semelhantes aos do Brasil. Por isso que faz muito sentido a Unico ampliar sua atuação”, afirma Monteiro.
A exemplo do que já ocorria na função de VP global, Monteiro seguirá se reportando ao CEO global da Unico, o fundador Diego Martins. Com a mudança do organograma, cada país na América Latina contará com um head na operação, mas sob a liderança do novo CEO da região.
Antes de chegar à Unico, Monteiro teve passagens no poder público, na área de tecnologia. Entre 2018 e 2021, foi secretário nacional de Governo Digital, onde liderou a criação da plataforma digital Gov.br.
A Unico também acabou de entrar no mercado de tecnologia de verificação de idade, principalmente com a implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital.
“Essa é uma indústria nova, em que é vedada a autodeclaração. As plataformas precisam confirmar com precisão que a pessoa é maior de idade. Estamos lançando este produto nas próximas semanas”, conta Monteiro.
No Brasil, a Unico hoje tem cerca de 800 clientes, em 23 segmentos de negócios. Entre eles, estão os cinco maiores bancos privados do país e nove entre as 10 maiores companhias varejistas.
Em 2025, a empresa registrou 32% de crescimento da receita, em comparação ao ano anterior. E alcançou Ebitda positivo pelo segundo ano consecutivo. A empresa não abre os números.
No ano, a Unico realizou 1,5 bilhão de verificações de identidade, o que, segundo a companhia, evitou perdas de R$ 23 bilhões a partir de fraudes.
O crescimento da empresa também passa pelo modelo de aquisições. No ano passado, a Unico comprou a americana OWnID, voltada para o mercado de autenticação sem senha.
“A gente aprendeu que a estratégia de expansão internacional funciona muito bem no modelo inorgânico. Encontramos um parceiro em cada uma dessas regiões e avaliamos o melhor modelo. E isso faz parte da estratégia das novas regiões”, afirma Monteiro.
O executivo diz que há intenção de compras de novas empresas, mas não revela o tamanho do cheque separado. “Nossa visão é de criar uma rede global de identidade, que protege a sociedade no mundo digital. Esse player ainda está sendo construído, e a Único está muito bem posicionada.”
Investida de SoftBank, General Atlantic e Goldman Sachs, a Unico realizou a última rodada de captação em 2022, quando passou a ser avaliada em US$ 2,6 bilhões.