Quando todos achavam que a novela da venda da Warner Bros. Discovery havia chegado ao fim, com a proposta de US$ 110 bilhões da Paramount Skydance em fevereiro, o Poder Judiciário dos Estados Unidos acrescentou uma nova temporada ao drama corporativo que essa transação se transformou.
Na segunda-feira, 20 de julho, a juíza Araceli Martínez-Olguín, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia, determinou que as empresas adiassem a conclusão do acordo por 14 dias.
A magistrada alegou que a operação "provavelmente" viola a legislação antitruste, um banho de água fria para Paramount e Warner Bros., que esperavam concluir o negócio na quarta-feira, 22 de julho, segundo a agência de notícias Bloomberg.
Uma audiência foi marcada para 3 de agosto para definir se a suspensão será prorrogada até depois do julgamento que determinará se o acordo fere as regras antitruste dos Estados Unidos.
A notícia fez as ações da Warner recuarem no pregão - por volta das 16h10, os papéis caíam 3,82%, a US$ 25,84.
A interrupção foi determinada após um grupo de 12 estados americanos entrar com uma ação contra a Paramount para tentar bloquear a compra da Warner. A alegação é de que o megadeal prejudicará a concorrência nos mercados de cinema e televisão ao combinar dois dos cinco maiores estúdios de Hollywood.
Na decisão, a juíza afirmou que os estados demonstraram que "questões sérias relativas ao mérito permanecem" em sua contestação da fusão. Segundo os estados, o acordo daria à Paramount Skydance o controle de 27% do mercado de filmes amplamente lançados nos cinemas.
O atraso na aprovação vai custar caro para a Paramount. Segundo a Bloomberg, a empresa tem até 4 de junho de 2027 para concluir o negócio, mas deverá começar a pagar à Warner Bros. uma taxa diária de US$ 7 milhões a partir de 30 de setembro, até que a transação seja concluída.
A Paramount venceu a disputa com a Netflix pela Warner. A pioneira do streaming havia acertado, em dezembro, um acordo de US$ 82,7 bilhões, incluindo a dívida assumida, para adquirir os negócios de estúdio e streaming da Warner.
Mas sucessivas contraofertas da Paramount pela companhia inteira reacenderam a disputa. A empresa, comandada por David Ellison, filho de Larry Ellison, cofundador da Oracle, venceu o embate após oferecer US$ 31 por ação, em dinheiro.
A aquisição, se passar, unirá dois estúdios de Hollywood responsáveis por filmes lendários como Casablanca, Harry Potter e Missão Impossível; duas grandes redes de notícias, CNN e CBS; a gigante do streaming HBO Max e dezenas de canais a cabo.
A Paramount também contava com a simpatia de Donald Trump. Segundo a CNBC, o presidente dos Estados Unidos afirmou, em dezembro, que a compra da Warner pela Netflix "poderia ser um problema" por causa da participação de mercado que a empresa passaria a ter.
Ainda de acordo com a CNBC, em documento enviado à Securities and Exchange Commission (SEC, a CVM dos Estados Unidos), a Paramount revelou que sua oferta é apoiada por Jared Kushner, genro de Trump e ex-conselheiro da Casa Branca.