Agentes que otimizam investimentos de acordo com os objetivos do usuário, trocam de fornecedor quando os preços de mercado mudam ou fazem as compras do mês com base no que falta na geladeira — tudo isso de forma automática. Essa realidade, que até pouco tempo parecia distante, está cada vez mais próxima com os avanços da inteligência artificial.

O mar de oportunidades aberto por essa nova tecnologia tem provocado uma corrida para conectar modelos de IA aos meios de pagamento. A disputa por esse mercado envolve gigantes de cartões, como Visa e Mastercard, além do mercado de stablecoins.

É nesse contexto que a Iniciador, fintech brasileira de infraestrutura para Open Finance, afirma ter lançado a primeira solução de pagamentos agênticos do mundo baseada em um sistema de pagamentos instantâneos.

“O dinheiro pode ir de qualquer conta para qualquer conta, em qualquer banco, e tanto o pagador quanto o recebedor são notificados desse processo”, afirma Gustavo Bresler, CPO e co-fundador da Iniciador.

A solução se apoia em duas infraestruturas criadas nos últimos anos pelo Banco Central: o Pix e o Open Finance. O Pix funciona como o trilho de liquidação instantânea, enquanto o Open Finance permite que uma instituição autorizada inicie a transação a partir de outras interfaces, fora do aplicativo do banco.

Com a licença de iniciador de transação de pagamento, a Iniciador consegue conectar diferentes instituições e permitir que uma transação seja iniciada em outras jornadas digitais — como de um e-commerce ou de um aplicativo de delivery.

A partir dessa infraestrutura, a empresa já vinha desenvolvendo aplicações como Pix por aproximação e Pix Inteligente, que permite criar regras automáticas de movimentação entre contas do próprio usuário.

Criada no fim de 2021, a Iniciador já lidera o ranking de chamadas de APIs ligadas à iniciação de pagamentos no país — indicador que mede as comunicações entre instituições no Open Finance.

Nos últimos três meses, a companhia teve 283 milhões de registros, segundo dados do Banco Central, à frente do Google Pay Brasil, com 162,3 milhões, e do Nubank, com 112,3 milhões.

Em 2025, a empresa faturou R$ 10 milhões, quatro vezes mais que no ano anterior. No ano passado, levantou US$ 6 milhões em sua primeira rodada de captação institucional, liderada pela Valor Capital, e, posteriormente, também recebeu investimento da Prosus.

A nova fronteira para seguir crescendo, agora, é a conexão dessa estrutura com agentes de IA.

Segundo Bresler, já existem soluções baseadas em cartões de crédito, mas lojistas podem esperar semanas para receber ou pagar taxas de antecipação, e iniciativas de pagamentos agênticos com cripto e stablecoins ainda dependem da tokenização dos depósitos.

“Outros modelos pelo mundo não têm essa conexão direta que o Pix já tem com todos os bancos do Brasil”, afirma. “O Pix é como se já tivesse tokenizado os depósitos do Brasil inteiro.”

O avanço do Pix no comércio também reforça essa leitura. Segundo o último Global Payments Report, o Pix já superou os cartões de crédito em volume transacionado no Brasil. Em 2025, respondeu por 42% do volume no e-commerce, ante 40% dos cartões de crédito. Nas lojas físicas, a fatia foi de 34%, contra 31% do crédito.

“Estamos vendo começar o que vai ser essa parte de comércio agêntico e bancarização agêntica também”, diz Bresler. “Em vez de você entrar num marketplace para comparar produtos, você poderia fazer isso diretamente no ChatGPT, no Claude ou no Gemini, porque é um lugar em que hoje você já entra para pesquisar o que é melhor para você.”

Como provedora de infraestrutura para o mercado financeiro, a proposta da Iniciador é vender a solução para bancos, instituições de pagamento, adquirentes, subadquirentes e plataformas digitais — o mesmo público para o qual já oferece serviços ligados ao Open Finance.

Bresler afirma que a empresa não pretende criar agentes de IA, mas fornecer a camada tecnológica e regulatória que permite que esses agentes iniciem pagamentos via Pix.

A estratégia por trás desse modelo é liberar bancos e instituições financeiras de uma parte considerada mais operacional do Open Finance. Segundo Bresler, muitas instituições montaram equipes próprias para cumprir as exigências regulatórias, mas boa parte precisava se dedicar apenas à manutenção, às atualizações e à integração do sistema.

Além da tecnologia desenvolvida por trás da nova solução, um dos ativos mais valiosos conquistados pela companhia nesses menos de cinco anos de existência foi a carteira de clientes. Entre eles, estão Stone, PagBank, iFood, CloudWalk, Banco Genial, Wise, Caju, Núclea, Nomad e Vindi.

“A gente consegue não só cuidar de toda a manutenção recorrente, que é o mais trabalhoso do Open Finance, mas também ajudar aquela instituição a habilitar, dentro dos seus produtos, todas as mil e uma possibilidades que o Open Finance tem.”

Com a integração aos agentes de IA, a Iniciador quer levar essa mesma lógica. Em vez de cada banco ou fintech construir do zero a conexão entre seus assistentes, o Pix e o Open Finance, a empresa quer fornecer toda a infraestrutura, liberando as instituições financeiras da parte técnica para que possam focar no desenvolvimento de novos produtos.