A plataforma americana Kalshi, que atua no mercado de previsão de jogos, negocia uma nova rodada de investimentos que deve levar a empresa para um valor de mercado de US$ 40 bilhões, segundo o Financial Times.
As negociações para outro financiamento da Kalshi ocorrem após a empresa ter captado US$ 1 bilhão no mês passado, o que lhe assegurou um valuation de US$ 22 bilhões. Com o novo plano em curso, a empresa vai praticamente dobrar seu valor.
A movimentação consolida ainda mais a fortuna da cofundadora da empresa, a matemática brasileira Luana Lopes Lara, que hoje ocupa a ponta do ranking entre as mulheres mais ricas do país, segundo a lista atualizada da Forbes. Com 30 anos, ela é também a jovem mais rica do mundo.
Pelo levantamento, Luana apresenta hoje uma fortuna de US$ 2,6 bilhões, seguida por Ana Lúcia de Mattos Barretto Villela, que pertence à família fundadora do banco Itaú, com US$ 2,3 bilhões; e Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, com US$ 1,6 bilhão.
Com a concretização da nova rodada e o crescimento expressivo de valor de mercado da Kalshi, a perspectiva é que Luana, que também é a COO da empresa, veja sua fortuna quase dobrar de tamanho.
Oficialmente, a empresa não revela, mas o mercado estima que a participação acionária da brasileira seja de 12%. Com a plataforma valendo US$ 40 bilhões, ela passa a ter um patrimônio estimado de US$ 4,8 bilhões.
A última rodada de captação contou com a participação de várias companhias de Wall Street, como a Coatue, empresa de investimentos de Philippe Laffont, além da Sequoia Capital, Andreessen Horowitz e Morgan Stanley. Em dezembro de 2025, a Kalshi chegou a um valor de mercado de US$ 11 bilhões. No início do ano passado, ela valia US$ 5 bilhões.
A Kalshi cresceu rapidamente nos Estados Unidos e passou a ter uma grande projeção global a partir das eleições americanas de 2024, quando previu que Donald Trump venceria a disputa contra Kamala Harris.
A startup tem mais de 90% da atividade no mercado nos Estados Unidos, além de contar com a maior parte do volume global. Nos últimos seis meses, o volume anualizado de negociações na plataforma mais que triplicou, passando de US$ 52 bilhões para US$ 178 bilhões.
“Há poucas categorias na história recente que escalaram tão rapidamente fora da IA”, disse Tarek Mansour, cofundador e CEO da Kalshi, no mês passado. “Os contratos de eventos podem se tornar um mercado de trilhões de dólares e ainda estamos nos estágios iniciais dessa transição.”
A empresa atraiu mais de US$ 17 bilhões em volume de negociação no mês passado, um aumento significativo em relação ao montante de menos de US$ 5 bilhões registrados um ano antes.
A ascensão meteórica da Kalshi foi impulsionada pela abordagem permissiva dos reguladores americanos em relação às empresas de mercado de previsão e pela aprovação tácita de Trump.
Em maio, o presidente chamou diversos críticos das plataformas de “escória” em uma publicação nas redes sociais. No início de 2025, o filho mais velho do líder da Casa Branca, Donald Trump Jr., juntou-se à Kalshi como consultor estratégico.
Na semana passada, a Chicago Mercantile Exchange (CME) processou a Commodity Futures Trading Commission (CFTC), órgão regulador de derivativos dos Estados Unidos, por aprovar os chamados contratos futuros “perpétuos” de Kalshi, que permitem apostas nos preços das criptomoedas.
O produto da Kalshi concorre com os contratos futuros da CME, amplamente negociados em Wall Street.
As apostas esportivas dominam a plataforma, representando cerca de 65% do volume da Kalshi. As apostas combinadas com várias seleções, semelhantes a apostas múltiplas ou acumuladas, têm se mostrado extremamente populares desde que foram lançadas na plataforma em setembro passado.
Diversos estados americanos, que desempenham um papel significativo na regulamentação dos jogos de azar nos Estados Unidos, entraram com ações judiciais contra a empresa à medida que ela expandiu seus negócios. A Kalshi tem contestado as acusações.