Após demissões, QuintoAndar contrata ex-Google e ex-Red Ventures para liderança

Em entrevista ao NeoFeed, o fundador Gabriel Braga fala sobre chegada de novos executivos, demissões de funcionários e sobre esforços para preservar caixa em meio à redução da liquidez para as startups

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Gabriel Braga, cofundador e CEO do QuintoAndar

No momento em que a elevação das taxas de juros pelo mundo está enxugando a liquidez no mercado, uma famosa expressão de Wall Street – cash is king – vem se tornando um mantra entre as startups. 

Depois de vários anos aproveitando um cenário de recursos em abundância, o que  possibilitou levantar dinheiro em diversas rodadas de captação e permitiu uma menor preocupação em ter uma operação superavitária, muitas startups estão tendo que revisar o modelo de negócios e suas operações para poupar caixa.

Nem mesmo alguns dos grandes nomes conseguiram escapar de ter que fazer ajustes. O QuintoAndar, startup mais valiosa do País e quarta maior da América Latina, avaliada em US$ 5,1 bilhões, segundo levantamento feito pela consultoria CB Insights, recentemente demitiu 4% na base de funcionários, o que representa algo próximo de 160 pessoas desligadas. 

Ainda que não esteja incólume ao cenário atual e tenha feito ajustes em sua estrutura, a plataforma digital de compra, venda e aluguel de imóveis não pretende engavetar os planos de expandir as atividades no Brasil e no mundo. E, para isso, trouxe dois executivos de peso para reforçar e expandir suas atividades. 

A companhia anunciou a contratação da americana Larissa Fontaine, até recentemente vice-presidente e gerente-geral do Google One, serviço de armazenamento por assinatura do Google, para ser a nova Chief Product Officer. A empresa também trouxe Frederico Sant’Anna, que liderou os negócios da Red Ventures como diretor sênior, para ser vice-presidente de soluções para corretores da empresa. 

Em conversa com o NeoFeed, o cofundador e CEO do QuintoAndar, Gabriel Braga, afirmou que as contratações estão em linha com o momento vivido pela companhia, de buscar inovação e eficiência para seus produtos, ao mesmo tempo em que busca preservar capital dentro de um contexto muito mais complexo para captação de recursos

“A chegada da Larissa e do Frederico é muito consistente com este movimento, por trazermos lideranças experientes, que agregam bastante para o time, trazem experiências complementares e nos ajudam a sermos mais eficientes no uso dos recursos”, disse Braga. 

Fontaine, que tem no currículo uma passagem pela seleção americana de ginástica artística, vem com a missão de liderar a organização de produtos da empresa no Brasil e no mundo. Já Sant’Anna tem como propósito desenvolver soluções para as imobiliárias parceiras, unificando uma série de soluções, da parte financeira e de classificados do mercado.

Ambos se juntam à companhia para ajudar na transformação dela de uma plataforma puramente imobiliária, atualmente com R$ 80 bilhões em ativos e 150 mil contratos de aluguéis sob gestão, para uma empresa que oferece serviços voltados à moradia em geral, desde refinanciamento de imóveis até soluções que modernizam serviços condominiais. 

Mas os executivos chegam num momento conturbado para o QuintoAndar. As demissões, que se tornaram públicas no final de abril, foram mal vistas pelo público e interpretadas como mais um sinal de que as coisas não andam bem no mundo das startups, no momento que as fontes de financiamento dessas empresas sinalizam que vão segurar os aportes. 

Pesou também para o QuintoAndar o fato de que outras startups seguiram por este caminho. O NeoFeed apurou em abril que a Facily, que atua em comércio eletrônico, demitiu entre 200 e 300 funcionários, o que representa quase 30% do quadro de funcionários. 

Na Loft, com a qual o QuintoAndar trava uma disputa na Justiça a respeito de suposta violação de direitos autorais de fotos e uso de meio fraudulento para desviar clientes, foram demitidos 159 funcionários.

Ainda que reconheça a dificuldade do momento das startups, Braga destacou que os desligamentos no QuintoAndar fazem parte de uma constante rotina de reajuste da equipe e não representam qualquer tipo de problema estrutural da companhia.

“Fizemos várias aquisições e tem projetos que a gente está indo melhor do que imaginou, projetos que estão indo mais devagar”, disse. “São ajustes de percurso, não tem nada de estrutural sobre QuintoAndar que mudou nos últimos tempos.”

Segundo ele, o QuintoAndar não vai deixar de fazer os investimentos que considera necessários para seu futuro. A ordem é manter a rota traçada nos últimos anos, mas com um pouco mais de cautela, diante das circunstâncias. 

“Obviamente estamos cientes que o contexto está sofrendo alterações e não vamos ser ingênuos de ficar cegos em relação a isso”, disse. “Cash is king desde o começo do QuintoAndar.”

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