Impulsionada pelo crescimento na receita do segmento de vestuário, a varejista de moda Riachuelo voltou a registrar lucro em um primeiro trimestre. Após seis anos de prejuízo nos três primeiros meses do ano, a companhia gerou R$ 5 milhões de lucro em 2026.

A receita líquida registrada entre janeiro e março foi de R$ 2,3 bilhões, alta de 6,7% sobre a mesma base do ano anterior. O Ebitda consolidado no período foi de R$ 268 milhões, um crescimento de 14,1% em relação ao mesmo período de 2025. A margem foi de 11,5%.

A base desse resultado está justamente na evolução do resultado ligado diretamente ao core business da companhia. As vendas de vestuário em mesmas lojas (SSS) cresceram 10,1% nos primeiros três meses do ano, marcando o 11º trimestre consecutivo de alta nesta divisão.

A margem bruta do segmento atingiu 54,9%, com aumento de 1,2 ponto percentual sobre o mesmo trimestre de 2025. Nesta linha, o avanço ocorreu pelo 10º trimestre seguido, associado diretamente ao ganho de eficiência e melhora na rentabilidade.

“Temos adotado muita gestão e melhora na cadeia de vestuário. Em um horizonte de três anos, crescemos a nossa margem bruta de vestuário em 5,2%. O crescimento de receita e de margem é que tem catapultado o resultado da companhia”, diz André Farber, CEO da Riachuelo, em entrevista ao NeoFeed.

Segundo o executivo, a evolução no resultado também tem relação com o avanço no modelo e formato das lojas físicas da Riachuelo. Recentemente, a empresa inaugurou o novo conceito de experiência na loja da empresa no Park Shopping Barigui, em Curitiba.

A unidade, que tem mais de dois mil metros quadrados (m²), ganhou um novo piso dedicado à moda masculina e infantil, e uma nova estética, um pouco mais imersiva, para os clientes. A ideia é que, ainda neste ano, a empresa adote a estratégia entre quatro e cinco lojas com este novo formato.

“Acabamos de entregar este modelo em Curitiba. Junto com isso, nossa equipe tem feito um bom gerenciamento da fábrica e evoluído na nossa precificação. A gente só havia dado lucro no primeiro trimestre antes da pandemia. E agora mudamos isso”, afirma Farber.

Um formato piloto, em menor escala, em uma loja de cerca de 200 m², foi testado no ano passado no bairro de Pinheiros, em São Paulo. Segundo o CEO, o resultado foi extremamente positivo e motivou a companhia a seguir com a proposta para a loja na capital do Paraná.

“A companhia vem avançando em uma crença que cada vez mais o que faz a diferença no nosso negócio é melhorar a experiência do consumidor. E isso passa por uma série de elementos, envolvendo lojas e produtos”, diz o CEO.

Segundo o executivo, a empresa tem investido também em equipes, para ter profissionais mais seniores no desenvolvimento de coleções. “Temos buscado mais estilistas para trazer mais inovação, ar fresco e inovação para a Riachuelo.”

Desta forma, a operação de mercadorias da Riachuelo manteve a trajetória de crescimento, com Ebitda de R$ 135 milhões, crescimento de 23,7% na comparação com os primeiros três meses de 2025.

A margem da unidade foi de 8,1%, um avanço de 1,1 ponto percentual, o melhor crescimento do segmento em um primeiro trimestre em nove anos para a varejista.

Outro ponto de destaque do grupo Riachuelo foi no segmento financeiro, com a Midway. A vertical registrou Ebitda de R$ 133 milhões, acréscimo de 5,8% sobre o reportado no primeiro trimestre do ano passado.

“A Riachuelo tem uma força muito grande na combinação de um negócio potente de moda com o negócio de serviços financeiros. É praticamente meio a meio agora, diferente de outros trimestres, em que a moda ultrapassa”, afirma Farber.

Nesta unidade, parte da explicação deste crescimento está na inovação de serviços e na oportunidade de desenvolvimento de novos produtos ao consumidor. No fim do ano passado, por exemplo, a Riachuelo lançou o crédito consignado, além da melhora na oferta de recursos.

“A gente vem melhorando a forma como faz a concessão de crédito, com novas modelos de gestão e utilização de mais dados. Nosso objetivo é oferecer estes recursos de uma maneira mais conservadora, mas permitindo que o consumidor tenha acesso”, explica.

Taxa das blusinhas

Mesmo com o avanço no resultado financeiro no primeiro trimestre e a volta para o lucro no período, Farber aponta preocupação com as discussões em torno do fim da chamada “taxa das blusinhas”, instituída pelo governo federal em 2024 e que assegura uma alíquota de 20% de taxa de importação sobre plataformas, principalmente asiáticas, para compras até US$ 50.

Recentemente, mais de 50 entidades de diversos segmentos do varejo chegaram a divulgar um manifesto em que abordavam os riscos do fim desta cobrança, sob risco de afetar a indústria nacional.

O documento divulgado pelas associações diz ainda que a possível revogação, discutida no Planalto, coloca em risco um volume de investimentos de cerca de R$ 100 bilhões no Brasil.

Na avaliação do CEO da companhia, essa é uma “conversa esdrúxula”. Para ele, não é razoável que as empresas brasileiras não tenham as mesmas condições das companhias chinesas que vendem para consumidores brasileiros.

“Hoje, uma camisa da Riachuelo, que a gente traz da Ásia, tem 90% de imposto. Hoje, o cross-border paga 45%, porque ele não paga Pis/Cofins e a taxa de importação é de 20%. O Brasil está vivendo uma inversão de valores. Isso não é taxa das blusinhas. É incentivo chinês”, afirma.

“Essa assimetria precisa ser corrigida. Ou para tirar impostos ou aumentar para todo mundo. Mas nós já crescíamos antes da taxa das blusinhas. E mesmo que haja esta situação de dumping às avessas, a gente está preparado para seguir com nosso ciclo de crescimento”, completa Farber.

No acumulado de 2026, as ações da RIAA3 na B3 registram valorização de 16,4%. A companhia tem valor de mercado de R$ 5 bilhões.