O frenesi das canetas emagrecedoras, baseadas no princípio da semaglutida (GLP-1), tem alimentado não apenas os investimentos da indústria farmacêutica, como também as estratégias de setores como o varejo, em seus mais diferentes balcões – das farmácias às redes de supermercados e atacarejos.

Esse é o caso da Track&Field. Na contramão de boa parte dos varejistas, o grupo de vestuário e artigos esportivos tem conseguido manter a forma diante de um ambiente macro mais conturbado. E essa categoria traz mais uma injeção de ânimo para a empresa seguir nesse percurso.

“O fenômeno do GLP-1 também tem um impacto muito grande no número de pessoas que começam a praticar esportes”, afirma Fred Wagner, vice-presidente de estratégia e novos negócios da Track&Field, ao NeoFeed. “E com a quebra das patentes no Brasil, essa tendência deve se acentuar.”

Para reforçar as boas perspectivas do mercado de bem-estar, Wagner, que também é CEO da TFSports, plataforma de eventos e experiências da companhia de varejo esportivo, vai mais longe e faz referência a outro turbilhão que tem movimentado os investimentos de diversos setores da economia.

“Também vemos uma mudança importante com a inteligência artificial”, diz. “Nós entendemos que, conforme as pessoas forem ficando mais produtivas com o uso dessas ferramentas, elas poderão ter, de alguma maneira, mais tempo para cuidar de si mesmas, o que também se conecta com os esportes.”

Enquanto faz esses exercícios sobre as perspectivas à frente, a Track&Field continua mantendo o fôlego em suas operações atuais. É o que mostram os dados do seu balanço do primeiro trimestre de 2026, divulgado na noite desta segunda-feira, 11 de maio.

Entre janeiro e março, o lucro líquido ajustado foi de R$ 41,5 milhões, alta, em base anual, de 6,3%. Na mesma base de comparação, a receita líquida cresceu 18%, para R$ 251,2 milhões. Já o Ebitda ajustado ficou em R$ 61,6 milhões, uma evolução de 12,6%.

No período, a rede registrou um sell out de R$ 442,9 milhões, uma expansão de 16,4%. Com um salto de 28,5%, as vendas captadas via e-commerce representaram 12,6% desse total. Já as vendas em mesmas lojas tiveram um avanço de 12,1%.

“O principal ponto é que, além do nosso histórico de dívida zero, nós mantivemos um crescimento robusto, em cima de uma base muito forte”, diz Fernando Tracanella, CEO da Track&Field. “Estamos fazendo a nossa parte, crescendo organicamente, controlando as despesas e gerando caixa.”

Fernando Tracanella, CEO da Track&Field (à esq.), e Fred Wagner, VP de estratégia e novos negócios da marca, e CEO da TFSports

Como parte dessa disciplina, Tracanella ressalta que, para 2026, o plano é manter a média de aberturas de cerca de 40 lojas registrada nos últimos anos. Segundo o executivo, esse é o número ideal para que o grupo consiga assegurar a qualidade dessas novas unidades plugadas na rede.

No primeiro trimestre, a empresa concluiu seis inaugurações, chegando a uma base total de 441 lojas, sendo 385 franquias e 56 próprias, que, por sua vez, incluem 14 outlets. No período, o grupo também modernizou outras três unidades.

Um desses projetos recebeu a operação do TFC Food & Market, de cafés e minimercados, integrados às lojas da rede. Hoje, são 16 unidades nesse formato, que registrou um crescimento de 40,3% no número de clientes atendidos no primeiro trimestre.

“Esse formato gera mais recorrência de uso”, afirma Tracanella. “As lojas que foram reformadas e reforçadas com o TFC crescem, em média, 15 pontos percentuais em relação às unidades que foram modernizadas sem essa operação.”

Além da expansão dessas unidades, o TFC também começa a ganhar outras fronteiras. Em particular, no digital. Seja na inclusão, há cerca de duas semanas, em plataformas como iFood, Rappi e 99Food. Ou no aplicativo do próprio grupo, por meio da TFSports.

Um dos primeiros movimentos na tese da Track&Field para ir além do seu negócio core e consolidar um ecossistema de esportes e bem-estar, a TFSports fechou o trimestre com 1,3 milhão de usuários, alta anual de 37,6%, e 1.091 eventos realizados, com mais de 130 mil inscritos.

“Esse ecossistema está realmente pegando tração”, afirma Wagner. “Estamos criando cada vez mais pontos de contato com os consumidores e uma conexão maior com o mercado endereçável de wellness, cuja estimativa é movimentar cerca de US$ 224 bilhões apenas no Brasil em 2034.”

Essa também inclui iniciativas como o tfmall, marketplace de artigos esportivos que hoje reúne 28 marcas, das quais, 12 foram adicionadas nos últimos 12 meses. Assim como a operação internacional, que começou a tomar forma há dois anos, com uma primeira unidade em Portugal.

Nesse primeiro trimestre de 2026, a rede chegou à sua terceira franquia em solo português, com a abertura de uma unidade no Cascais Shopping. E, para o ano, o plano é adicionar outras duas lojas a essa base no país.

“Temos organizado muitos eventos em Portugal para gerar awareness da marca e aumentar nossa base de clientes por lá”, diz Tracanella. “Nesse ano, estamos mais focados lá e no Brasil. Mas já começamos a olhar para outras geografias dentro dessa expansão internacional.”

As ações da Track&Field fecharam o pregão de hoje na B3 com queda de 1,96%, cotadas a R$ 15,50. No ano, os papéis acumulam queda de 4,9%, avaliando a empresa em R$ 2,34 bilhões.