No primeiro trimestre de 2026, a Nvidia reportou resultados financeiros que superaram as expectativas, com uma receita de US$ 81,6 bilhões, alta de 85% em relação ao mesmo período do ano anterior, acima do consenso.

Para o trimestre atual, a companhia liderada por Jensen Huang projeta US$ 91 bilhões em vendas - bem acima da média das expectativas de Wall Street, que apontavam para a faixa de US$ 86 bilhões -, reforçando a percepção de que o ciclo de investimentos em inteligência artificial ainda está longe do pico.

Os números mostram que a demanda por infraestrutura de inteligência artificial continua em alta. E essa corrida tem gerado um caixa tão grande para a Nvidia que ela decidiu devolver aos acionistas.

A fabricante de chips anunciou um novo programa de recompra de ações de US$ 80 bilhões e anunciou a elevação dos seus dividendos trimestrais, de US$ 0,01 para US$ 0,25 por ação, ampliando pagamento total no ano para US$ 24 bilhões.

A decisão da Nvidia é rara para gigantes de tecnologia que estão em fase acelerada de crescimento. Nesse período, empresas têm de reinvestir praticamente todo o caixa em pesquisa, infraestrutura e aquisições.

Essa conta não inclui nenhuma receita potencial de chips de IA destinados à China. Na semana passada, Huang, fundador e CEO da Nvidia, acompanhou o presidente Donald Trump em sua visita ao país, o que ampliou as expectativas de que Pequim mudasse sua posição atual sobre a importação dos processadores da companhia.

“A construção de fábricas de IA – a maior expansão de infraestrutura da história da humanidade – está acelerando a uma velocidade extraordinária”, afirmou, em nota, Huang, ressaltando o fio condutor por trás desse roteiro.

Em um dos indicadores que refletem esse avanço, a receita da empresa no segmento de data center foi, novamente, um dos destaques do balanço, ao contabilizar a cifra de US$ 75,2 bilhões, o que representou um crescimento de 92% sobre o primeiro trimestre de 2025.

A Nvidia tem sido a empresa que, até o momento, mais se beneficiou do volume cada vez maior de investimentos destinados à infraestrutura de IA. E a perspectiva é de que equação siga sendo reforçada por big techs como Google, Microsoft, Amazon e Meta, que preveem aportes de US$ 725 bilhões nessa área em 2026.

Apesar desse impulso e do indicativo de manutenção desse cenário favorável, a Nvidia vinha sendo pressionada a retornar mais recursos aos seus acionistas, dado que, nesse contexto, a companhia acumulou uma enorme reserva de caixa.

No trimestre, a empresa seguiu destinando grandes cifras em aquisições. Como resultado, o fluxo de caixa líquido aplicado em atividades de investimento alcançou o patamar de US$ 26,4 bilhões, contra US$ 5,2 bilhões em igual período de 2025.

Em outros números do período, a Nvidia apurou um lucro líquido de US$ 58,3 bilhões, uma alta, em base anual, de 211%. Já o lucro por ação diluído foi de US$ 2,39, acima da média de US$ 2,30 estimada pelo mercado.

Na Nasdaq, as ações da empresa – que acumulam uma valorização de quase 20% em 2026 - fecharam o pregão de hoje com alta de 1,30%, avaliando a companhia em US$ 5,41 trilhões. Já no aftermarket, os papéis registravam queda de mais de 1,2%.