A Vêneto Family Office, multi family office independente com R$ 6,7 bilhões sob gestão criada em 2010 por Carlos Pessoa e Fernando Damasceno, está comprando uma participação majoritária na FC Partners, boutique de fusões e aquisições voltada a empresas familiares do middle market.
As duas casas continuarão atuando de forma independente, mas passam a operar em uma joint venture para atender famílias empresárias em diferentes momentos do ciclo patrimonial.
Na nova estrutura societária, os sócios da FC Partners permanecem à frente do negócio, com exceção do sócio-fundador Ricardo Resende Silva, que deixa a operação para se dedicar à atuação em conselhos de administração, investimentos e planejamento estratégico no Brasil e nos Estados Unidos. Ele seguirá próximo da empresa durante o período de transição.
A operação cria um grupo com 90 profissionais, presença nacional e atuação em setores como tecnologia, educação, agronegócio, energia, saúde e construção. A ideia é que a parceria funcione por meio de fluxo coordenado de clientes, projetos conjuntos e metodologias integradas. O tamanho da fatia adquirida não foi revelado, assim como os valores da transação.
Fundada em Minas Gerais, a FC Partners está há 14 anos no mercado e se especializou no atendimento a empresas familiares. Além da área de M&A, a boutique também atua em governança corporativa, uma frente que, segundo Lucas Della-Sávia, sócio-fundador da FC Partners, aumenta a complementaridade com a Vêneto.
“A sinergia é muito grande, com cada operação originando negócios para a outra. Quando o cliente vende a empresa geramos liquidez para a Vêneto. E quando não se quer vender, preparamos a governança da empresa para uma sucessão”, diz.
A FC Partners soma mais de R$ 2 bilhões em transações assessoradas e atua em empresas com valor entre R$ 30 milhões e R$ 600 milhões, com serviços de sell-side, buy-side, valuation, governança corporativa, análise de viabilidade financeira, project finance e plano de negócios. A casa também mantém o F.CEO, grupo de troca de experiências entre líderes de empresas familiares.

A Vêneto, por sua vez, tem mais de 70 profissionais e se posiciona como multi family office independente com tíquete mínimo de R$ 10 milhões, que fornece o serviço de single family office as a service para clientes com ao menos R$ 100 milhões em liquidez.
Para Carlos Pessoa, CEO da Vêneto, a FC traz a peça que faltava para dar o suporte ao seu público alvo, famílias empresárias. "Eles têm muita experiência nessa demanda e geram bastante liquidez, o que com certeza ajudará a alavancar o crescimento do family office, ao mesmo tempo em que aumentamos a presença comercial para eles", diz.
A tese por trás do acordo é atacar um ponto sensível no mercado de empresas familiares. No Brasil, esse universo reúne cerca de 5 milhões de negócios e responde por 65% do PIB nacional, segundo dados da Fundação Dom Cabral.
Em algum momento, boa parte dessas empresas passa por uma decisão estratégica: vender o controle, buscar um sócio, reorganizar a governança ou preparar a sucessão.
E a joint venture irá atacar essa necessidade, com uma oferta de serviços que inclui valuation e diagnóstico empresarial, assessoria em fusões, aquisições e desinvestimentos, governança corporativa, plano de negócios, análise de viabilidade financeira, projetos de expansão, gestão personalizada de investimentos, offshore, fundos exclusivos e planejamento financeiro, patrimonial e sucessório.
A movimentação ocorre em um momento em que a FC Partners vê o mercado de M&A mais aquecido do que esperava no fim do ano passado. Neste ano, a boutique já concluiu quatro operações de M&A, além de três mandatos de dívida, e tem mais dois deals no pipeline para 2026.
Para os próximos meses, a leitura é que a agenda eleitoral pode trazer alguma cautela para os compradores e vendedores. Mas a expectativa da FC Partners é de um mercado mais forte no ano seguinte, impulsionado por juros menores e pela busca de investidores por ativos capazes de entregar retornos mais altos em um ambiente global ainda instável. O que ajudará a Vêneto a alcançar a sua meta de chegar a R$ 14 bilhões sob gestão até 2029.