No Brasil, o terceiro maior mercado pet do mundo, cerca de 85% dos animais de estimação não são vacinados regularmente. Apenas três em cada dez recebem o tratamento correto contra pulgas e carrapatos e as medicações, tanto de uso contínuo quanto pontual, raramente são seguidas à risca.

A falta de cuidado acontece por falta de conhecimento e, principalmente, de dinheiro. Atualmente, os gastos com pets representam cerca de 8% do orçamento familiar — o equivalente a aproximadamente R$ 700 por mês.

Num universo de 160 milhões de animais de estimação, a baixa adesão a vacinas e medicamentos cria uma oportunidade ainda pouco explorada pelo setor. É essa lacuna que a Petlove quer ocupar ao lançar um programa de benefícios para medicamentos, o PBM.

A aposta não é pequena. Batizado de PetVet, o segmento responde por 25% do mercado veterinário, movimentando cerca de R$ 3,2 bilhões anuais, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal. Até 2034, o nicho deve registrar uma taxa de crescimento anual entre 9% e 11%.

A estratégia da Petlove é transformar esse potencial em consumo. Com o PBM, os descontos em cerca de 140 medicamentos selecionados podem chegar a 40%. Por enquanto, a empresa mantém parcerias com alguns dos principais nomes da indústria farmacêutica veterinária, como as americanas Zoetis e Elanco, a francesa Virbac e as brasileiras Biovet e Ourofino.

“Nosso objetivo é aumentar o acesso da população pet ao tratamento preventivo e garantir que os tratamentos necessários sejam seguidos até o fim”, afirma Talita Lacerda, CEO da Petlove, ao NeoFeed. “A expectativa é que, em pouco tempo, dobremos o que chamamos de compliance —  ou seja, o uso dos medicamentos pelo tempo prescrito.”

Para acessar o benefício, o consumidor deve fazer parte do plano de saúde da empresa, que conta atualmente com cerca de 1 milhão de clientes e cujos preços partem de R$ 14,90.

Ele precisa também integrar o  clube da companhia. Inicialmente, o valor da adesão ao clube, que tradicionalmente custa a partir de R$ 9,99 por mês, será subsidiado pela própria Petlove.

Esse subsídio custou caro à companhia. Lacerda não crava um número, mas diz que uma boa parte da receita, que fechou 2025 em R$ 2,4 bilhões, foi usada no PBM. Para 2026, a Petlove projeta um crescimento de 40% no faturamento.

“Nosso sonho é ser a principal plataforma de cuidado para os pets e tenho muita confiança de que o PBM nos levará a isso”, diz a CEO.

Talita Lacerda lidera a Petlove há cinco anos e acredita que a companhia, fundada em 1999, passou por uma grande fase de amadurecimento nesse período (Foto: Divulgação)

Atualmente, a vertical de planos de saúde tem sido um forte motor de crescimento da companhia – e não só para pessoas físicas. Entre janeiro e maio de 2025, os planos corporativos da Petlove apresentaram um aumento de 60% na base de clientes e um crescimento de 160% na procura pelo serviço.

Já são mais de 220 companhias cadastradas, entre elas Colgate, Philips, Andrade Gutierrez e P&G.

Para a Petlove, esses números são preciosos. O plano de saúde, afinal, é responsável por triplicar a frequência dos animais de estimação nos veterinários.

O maior gerador de receita da companhia, porém, é o recém-lançado programa de assinatura paga, que conta com mais de 4,5 mil parceiros ativos, 10 mil assinantes e 15 mil pets cadastrados.

“Eu gosto de dizer que, desde a minha chegada há cinco anos, a gente conseguiu amadurecer a companhia e trazer vida para as teses que tínhamos dentro do ecossistema", afirma a CEO. "Hoje, o serviço é tão importante quanto o produto e isso é muito relevante.”

Atualmente, 95% do consumo na Petlove é realizado por meio do digital, apesar da empresa ter mais de 20 lojas físicas e cerca de 8 mil pet shops parceiros credenciados.

Fusão Petz e Cobasi

A Petlove foi uma grande voz contra a perspectiva de monopólio durante a  fusão entre Petz e Cobasi, oficializada no final de 2025.

Desde lá, muito se falou sobre a compra das 26 lojas que pertenciam às duas gigantes e, apesar do nome da Petlove ter sido citado nessa negociação, Lacerda diz que não está acompanhando os trâmites da venda, demonstrando distância do assunto.

A executiva afirma que a presença da Petlove na negociação da Petz e Cobasi tinha a intenção de “garantir que as regras do jogo são justas, transparentes e claras. Estávamos ali como uma voz setorial para garantir que um bom processo fosse conduzido”.

“Todo mundo tem de ter as mesmas oportunidades para fazer seu trabalho, trazer as soluções para os pets e para os tutores, enfim”, argumenta.

A fusão das companhias foi responsável pela criação da maior rede de petshops do país, com mais de 480 lojas e faturamento de aproximadamente R$ 7 bilhões.