Quatro dias depois de a companhia aérea britânica EasyJet ter aceitado a proposta de aquisição da gestora americana Castlelake por 6,90 libras esterlinas por ação, num acordo de US$ 6,7 bilhões, após semanas de insistência, o roteiro do M&A mudou.

Nesta sexta-feira, 10 de julho, a empresa chegou a um acordo com a gestora Apollo Global Management para aceitar uma oferta de aquisição de 7,15 libras esterlinas por ação, ou US$9,59 cada, o que avalia o negócio em US$ 7,6 bilhões. A reviravolta representa um aumento de 3,7% no valor da proposta por ação, na moeda inglesa.

O mercado financeiro reagiu com otimismo à mudança de planos da companhia de aviação de baixo custo. Na Bolsa de Londres, as ações da EasyJet registravam valorização de 14,6% nesta sexta-feira, 10 de julho, por volta de 14h40 (horário local), em seu maior patamar alcançado em quatro anos.

“O conselho da EasyJet considerou cuidadosamente a proposta de oferta junto com seus consultores financeiros e concluiu por unanimidade que os termos financeiros da proposta em vista estão em um nível que seria adequado recomendar aos acionistas caso uma intenção firme de fazer uma oferta seja anunciada em tais termos financeiros”, afirma a empresa, em comunicado divulgado nesta sexta-feira, 10.

A potencial disputa ocorre em um momento de turbulência no setor aéreo. O início da guerra no Oriente Médio, a partir do conflito entre Estados Unidos e Irã, elevou os preços do combustível de aviação, interrompeu rotas e afetou a demanda por viagens. Em abril, a EasyJet emitiu um comunicado explicando sobre o aumento dos custos de combustível relacionados ao conflito.

A oferta da Apollo representa um prêmio de 22% em relação ao valor de fechamento de quinta-feira das ações e um prêmio de 81% em relação ao preço das ações em 28 de maio, o último dia antes do início do período de oferta da Castlelake.

Na proposta, a gestora oferece aos acionistas uma alternativa ao acordo, que seria integralmente em dinheiro da Castlelake, permitindo a troca de ações da EasyJet por uma participação no veículo de investimento que a Apollo pretende usar para comprar a companhia aérea.

A Apollo afirmou que pretende manter a marca, caso a aquisição seja concretizada, e que não planeja alterar seu atual contrato de licenciamento com a EasyGroup, empresa pertencente ao fundador Stelios Haji-Ioannou.

De acordo com a plataforma de dados LSEG, a família Haji-Ioannou é a maior acionista da EasyJet, com uma participação de 15,3%.

Ainda que a proposta tenha sido aceita pela EasyJet, a Apollo tem até o dia 7 de agosto para formalizar o acordo.

“Não é nenhuma surpresa que um segundo interessado tenha surgido na EasyJet”, diz Chris Beauchamp, analista-chefe de mercado da plataforma de investimentos e negociação IG, à Reuters. “O potencial do negócio continua substancial, apesar do desempenho decepcionante dos últimos anos”, afirma.

A Apollo planeja manter os principais funcionários da companhia aérea para dar continuidade à estratégia da EasyJet de expandir a capacidade e desenvolver suas rotas de viagens.

“A proposta não só aumenta a oferta aos acionistas, como também, da perspectiva do conselho da EasyJet, apoia a atual estratégia de crescimento da companhia aérea”, afirma o analista do setor aéreo John Strickland.

O mercado do Reino Unido tem enfrentado recentemente uma série de ofertas estrangeiras, impulsionando um número recorde de M&As, visto que alguns analistas afirmam que as empresas britânicas estão subvalorizadas.

Somente no primeiro semestre de 2026 o total de ofertas para aquisições de empresas britânicas aumentou 210% em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a US$ 231 bilhões. Mais da metade das aquisições foi feita por companhias dos Estados Unidos.

A Apollo afirmou que buscará atender à condição necessária para que investidores estrangeiros controlem uma companhia aérea europeia.

Assim como a Castlelake, a Apollo é uma empresa americana, o que significa que não pode obter o controle total da EasyJet, pois a companhia aérea opera sob as regras do Reino Unido e da Europa, que exigem a propriedade e o controle majoritários por acionistas da região.

O setor de aviação não é novidade para Apollo nem para a Castlelake. A empresa que faz a primeira proposta foi coinvestidora no processo de aquisição pela Air France-KLM da companhia aérea escandinava SAS.

Já a Apollo administra uma unidade de financiamento de aeronaves que inclui uma empresa de leasing, gestão e financiamento com escritórios em Nova York, Dublin e Singapura. A plataforma de aviação da empresa financia mais de 360 ​​aeronaves comerciais e mais de 60 motores.