A Movida divulgou a prévia dos resultados do segundo trimestre deste ano e o resultado gera otimismo em relação às perspectivas de a empresa reduzir mais sua alavancagem financeira - um tema que vem pesando sobre a tese de investimento da locadora de veículos.
A companhia informou, na quinta-feira, 16 de julho, que o lucro líquido somou R$ 135,6 milhões entre abril e junho deste ano. O montante é o maior registrado pela companhia em um único trimestre nos últimos quatro anos.
O valor também é o dobro do registrado no mesmo período de 2025 e superou o guidance divulgado pela companhia, que previa lucro líquido entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões.
Para Felipe Nielsen, analista do Citi, os resultados operacionais "apresentaram força, os lucros superaram o limite superior do guidance e ficaram 11,4% acima de nossas estimativas".
A prévia mostrou ainda que a receita bruta totalizou R$ 4 bilhões no segundo trimestre, alta de 3,2% na comparação anual. Segundo a Movida, a unidade de locação registrou receita recorde de R$ 2,6 bilhões, avanço de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior.
"A receita de locação foi o destaque positivo, possivelmente impulsionada por uma melhor utilização da frota e melhores preços, especialmente considerando a sazonalidade baixa do trimestre", complementou o especialista do Citi.
O Ebitda foi de R$ 1,7 bilhão, crescimento de 22%, e o Ebit ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 1 bilhão, com expansão de 29% em relação ao segundo trimestre de 2025. O balanço completo está previsto para ser divulgado em 12 de agosto.
Os resultados preliminares agradaram também os analistas do Banco Safra, que, em relatório divulgado na segunda-feira, 13 de julho, projetavam lucro líquido de R$ 131 milhões e Ebitda de R$ 1,6 bilhão.
Segundo os analistas Luiz Peçanha e Arthur Godoy, a expectativa estava baseada no "aumento da rentabilidade da divisão de locação". Eles apontaram ainda que o desempenho deveria ser sustentado "pela demanda aquecida, pelo alto nível de utilização da frota e pela manutenção da disciplina na política de preços, tanto no aluguel de carros (RAC) quanto na gestão e terceirização de frotas (GTF)".
O desempenho no segundo trimestre é uma boa notícia para os planos da empresa de reduzir a alavancagem, tema recorrente nos relatórios de analistas.
A Movida fechou o primeiro trimestre com uma relação entre dívida líquida e Ebitda de 2,6 vezes, a menor dos últimos cinco anos, mas estável em relação ao quarto trimestre de 2025. O indicador considera a injeção de R$ 750 milhões proveniente do aumento de capital que concretizou a entrada do BNDESPar como acionista relevante da companhia.
A redução da alavancagem é considerada fundamental, já que a Movida atua em um setor intensivo em capital e precisa lidar com um ambiente de juros elevados, que pressiona o resultado financeiro.
Nos primeiros três meses do ano, a empresa registrou despesa financeira líquida de R$ 753,8 milhões, alta de 15%. No balanço, a Movida afirma que esse crescimento reflete a elevação da taxa Selic, que fez o CDI médio subir de 11,23% ao ano no primeiro trimestre de 2025 para 14,79% no mesmo período de 2026, além do aumento da dívida líquida, de R$ 15,9 bilhões para R$ 16,3 bilhões.
Em relatório divulgado em maio, a XP Investimentos avaliou que, do ponto de vista de crédito, os resultados do primeiro trimestre indicaram melhora operacional e avanço no processo gradual de desalavancagem.
"Mas a companhia segue dependente da continuidade da geração de Ebitda, do controle do capex e do acesso ao mercado de capitais para administrar uma estrutura de capital ainda pressionada no curto prazo, especialmente sob a ótica de liquidez", diz trecho do relatório.
Os resultados preliminares do segundo trimestre reforçam a expectativa da Fitch Ratings, divulgada em 1º de junho. Para a agência de classificação de risco, a melhora operacional registrada e a injeção de recursos abrem caminho para que a Movida reduza de forma sustentável sua alavancagem financeira.
"A agência espera que a relação dívida líquida/Ebitda continue abaixo de 3 vezes no horizonte de rating, em comparação com a média de 3,6 vezes registrada entre 2022 e 2025 e de 3,2 vezes em 2025, refletindo a agressiva expansão da empresa em 2024", diz trecho do comentário.
A agência também espera que o fluxo de caixa volte a ficar positivo, com o fluxo de caixa das operações (CFFO) alcançando R$ 3,8 bilhões em 2026 e R$ 4,2 bilhões em 2027.
No primeiro trimestre, a Movida informou que o caixa livre antes de juros registrou geração de R$ 17,6 milhões, revertendo o consumo de R$ 1,2 bilhão observado no mesmo período de 2025, principalmente em razão do aumento do Ebitda e da redução do capex líquido.
Por volta de 12h30, a ação MOVI3 registrava alta de 1,49%, a R$ 8,84. No ano, os papéis da Movida registram queda de 9,24%, levando o valor de mercado a R$ 3,5 bilhões.