A reestruturação operacional que a Dasa vem conduzindo ao longo dos últimos anos, alicerçada na filosofia back to basics, vem produzindo resultados positivos para a empresa, segundo o Itaú BBA.

Mesmo assim, isso não tem sido suficiente para fazer com que a equipe de research do banco fique otimista a ponto de recomendar a compra das ações da companhia de medicina diagnóstica, pelo menos neste momento.

Na retomada da cobertura das ações da Dasa, os analistas Vinicius Figueiredo, Lucca Generali Marquezini e Felipe Amancio estabeleceram recomendação neutra para os papéis e preço-alvo de R$ 3,30 - o DASA3 tem sido negociado na casa de R$ 2,60.

A avaliação é de que o turnaround ainda precisa se traduzir em uma geração de caixa mais robusta e em maiores retornos aos investidores, e que isso ocorra de forma sustentada.

“Vemos de forma positiva a transformação em curso da Dasa, sustentada pelas melhorias observadas em seu negócio de diagnósticos premium e no segmento B2B, além do potencial de expansão de margens da Rede Américas, o que deve se traduzir em uma contribuição robusta dos resultados das investidas à companhia”, diz trecho do relatório.

“Ainda assim, no atual cenário do mercado acionário, os investidores buscam não apenas avanço operacional, mas também evidências mais claras de uma aceleração na geração de fluxo de caixa livre (FCF) e de maiores retornos aos acionistas”, complementa.

Segundo os analistas do Itaú BBA, após a narrativa deixar de ser exclusivamente sobre a alavancagem financeira — que passou das 4,4 vezes registradas no início de 2023 para um intervalo entre 2,5 vezes e 3,0 vezes —, a Dasa passou a focar no core business, vendendo ativos adquiridos no passado como parte do projeto de construir um “ecossistema de saúde”.

Esse esforço resultou em uma estrutura “mais simples e saudável” para a Dasa, de acordo com o Itaú BBA. O resultado foi uma melhora da margem Ebitda, que subiu de 15,5% no quarto trimestre de 2024 para 20,9% nos primeiros três meses de 2026.

O relatório aponta ainda os benefícios da joint venture com a Amil na área hospitalar, após o insucesso da Dasa em operar esse tipo de ativo por conta própria.

“A sobreposição entre os hospitais da Rede Américas e os beneficiários dos planos de saúde da Amil pode ser um fator importante para garantir operações mais saudáveis da nova companhia”, diz trecho do relatório.

Para 2027, a expectativa é de que a Dasa apresente um aumento de 10% na receita, impulsionado pelo crescimento de volumes. A margem Ebitda deve alcançar 23,2% em 2026 e 25,2% em 2027.

Excluindo os efeitos da joint venture e da linha de “Outros”, o Itaú BBA projeta que a margem Ebitda alcance 22,7% em 2026 e 23,4% em 2027.

A combinação de uma operação de diagnósticos mais saudável, maior contribuição da Rede Américas e uma agenda de alocação de capital mais disciplinada deve se traduzir em um perfil de geração de caixa mais robusto, com fluxo de caixa livre de R$ 235 milhões em 2026.

Ainda assim, o Itaú BBA quer ver mais da Dasa, num momento em que as ações são negociadas a um múltiplo EV/Ebitda estimado de 4,5 vezes para 2026.

“Reconhecemos um potencial relevante de valorização em relação às nossas estimativas e à tese de investimento nos níveis atuais. Por ora, contudo, preferimos acompanhar a execução da estratégia e a entrega de fluxo de caixa livre antes de avaliar um ponto de entrada mais atrativo”, diz trecho do relatório.

As ações da Dasa acumulam queda de 41,1% no ano, levando o valor de mercado da companhia a R$ 3,3 bilhões.