Em mais um passo para ampliar seu volume de investimentos no plano de expansão da cadeia de suprimentos de inteligência artificial (IA), a fabricante americana de chips Intel anunciou que levantou US$ 20 bilhões em uma venda ampliada de suas ações, um terço a mais do que a meta inicial da companha.
A gigante do setor de tecnologia precificou sua oferta em US$ 95 por ação, segundo comunicado da própria empresa. Isso representa em desconto de 6,5% sobre o valor que o papel foi negociado na Nasdaq na sexta-feira, 7 de agosto.
No pregão de segunda-feira, 10 de agosto, as ações da companhia na bolsa americana fecharam em queda de 4%, a US$ 97,5 por papel. Segundo a Bloomberg, a oferta atraiu mais de US$ 100 bilhões em demanda.
O movimento da Intel demonstra justamente o apetite da demanda dos investidores por ações ao longo de toda a cadeia do setor de desenvolvimento de IA.
Neste sentido, as maiores ofertas de ações nos Estados Unidos em 2026 neste ano foram dominadas por empresas que aproveitaram a avenida de crescimento do segmento.
A Alphabet, dona do Google, está em processo de captação de até US$ 85 bilhões por meio de ofertas de ações. A Oracle também tem um plano que envolve levantar US$ 20 bilhões em venda de seus papeis no mercado.
Recentemente, a fabricante sul-coreana de chips SK Hynix captou US$ 26,5 bilhões em sua oferta públicas inicial de ADRs na bolsa dos Estados Unidos, na maior listagem realizada por uma empresa estrangeira em Wall Street.
Sua concorrente direta, a CXMT, arrecadou cerca de US$ 9,9 bilhões no mês passado em uma oferta pública inicial, que se tornou a maior empresa listada na China continental.
A Intel está acumulando reservas de caixa com o objetivo claro de assumir um papel mais central no boom da inteligência artificial.
A expansão global de data centers já impulsionou a demanda por seus processadores de uso geral, mas a empresa vem enfrentando dificuldades para competir diretamente com a Nvidia e a Advanced Micro Devices (AMD) no mercado de processadores de IA.
A companhia também precisa de recursos para construir uma rede de fábricas que atenda à sua meta de se tornar um polo de produção terceirizada para a indústria de tecnologia. Na prática, a Intel, que já foi uma força global na indústria de chips, agora quer diminuir a distância para a líder TSMC.
"Como uma empresa que contribuiu significativamente para a destruição de seu próprio balanço patrimonial e perspectivas ao se concentrar em engenharia financeira em vez de engenharia física, faz todo o sentido para a Intel captar recursos, especialmente após um aumento de cinco vezes no preço das ações desde agosto passado", diz Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, à Reuters.
A transição para agentes de IA impulsionou a demanda por unidades centrais de processamento (CPUs) além da capacidade de produção da Intel, levando a fabricante de chips a aumentar sua previsão de gastos de US$ 18 bilhões para US$ 20 bilhões neste ano.
No mês passado, a Intel anunciou ciclo de investimentos de US$ 5,8 bilhões para modernizar a expandir a fabricação de chips na Irlanda, em um projeto que representa mais de 25% de sua previsão de aportes para 2026.
Os bancos J.P. Morgan, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup atuaram como coordenadores conjuntos da oferta de ações da Intel.
No acumulado de 2026, as ações da Intel na Nasdaq registram valorização de 164,2%. Em 12 meses, a alta é de 372%. A Intel tem valor de mercado de US$ 492 bilhões.