O Grupo Ri Happy acaba de mudar de dono. A BluSun Capital anunciou na tarde de segunda-feira, 31 de agosto, a aquisição de 100% de uma das mais principais empresas do setor de brinquedos e produtos infantis do Brasil.
A compra de 100% do Grupo Ri Happy encerra um ciclo de 14 anos da varejista sob o controle dos fundos de private equity Carlyle e SPX Capital, que assumiu a gestão em 2021.
O negócio, cujo valor não foi divulgado, traz Héctor Núñez de volta ao comando da maior rede. O executivo cubano-americano, que dirigiu a Ri Happy entre 2012 e 2020, substituirá Thiago Rebello, CEO desde fevereiro de 2024.
O novo controlador ainda é pouco conhecido. A BluSun Capital Partners foi constituída em São Paulo em 21 de agosto de 2026, dez dias antes do anúncio da aquisição, com atividade principal cadastrada como holding de instituições não financeiras.
Não há, até o momento, um portfólio público, informações sobre ativos sob gestão ou identificação dos investidores que aportaram os recursos para a operação. O anúncio da Ri Happy é a primeira transação divulgada sob a marca BluSun.
Mais do que uma troca de controle, a operação representa uma saída para um dos ativos mais antigos e trabalhosos herdados pela SPX do portfólio brasileiro do Carlyle. Nesse período, a Ri Happy tentou abrir o capital, atravessou a pandemia, renegociou dívidas, fechou lojas e recebeu novos recursos do antigo controlador para reforçar o caixa.
A Ri Happy foi fundada em 1988 pelo pediatra Ricardo Sayon, sua mulher, Juanita Sayon, e o administrador Roberto Saba. O Carlyle entrou na companhia em 2012, ao comprar 85% do negócio por um valor estimado à época em cerca de R$ 500 milhões. A gestora adquiriu posteriormente a participação remanescente dos fundadores.
Poucos meses depois da entrada do fundo, a Ri Happy comprou a PBKids, então sua principal concorrente. A combinação criou uma rede com aproximadamente 175 lojas e faturamento anual próximo de R$ 1 bilhão. Nos anos seguintes, o grupo acrescentou ao portfólio redes regionais como Everkid e Planeta Brinquedo.
O plano do Carlyle era consolidar o mercado, ampliar a rede e levar a empresa à bolsa de valores. Mas a situação da economia brasileira entre 2012 e 2015 atingiu o consumo, as vendas ficaram praticamente estagnadas e a Ri Happy registrou prejuízo de R$ 6 milhões em 2016. Uma tentativa de trazer um novo sócio para financiar a expansão também não prosperou.
Em 2018, a companhia chegou a protocolar um IPO que poderia avaliá-la entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,7 bilhão. Os investidores, porém, questionaram a dependência do negócio de brinquedos, a baixa participação do comércio eletrônico — inferior a 5% da receita — e o estágio ainda inicial da operação de produtos para bebês. A companhia adiou a abertura de capital por falta de demanda.
A Ri Happy entrou na carteira administrada pela SPX em 2021, quando a gestora brasileira incorporou a equipe e assumiu a gestão dos fundos de private equity do Carlyle no País. O acordo incluía ativos como Ri Happy, Tok&Stok, Madero, Uniasselvi e participações na Rede D’Or.
Em 2023, a Ri Happy contratou a Starboard Partners e renegociou R$ 289 milhões em dívidas com nove instituições financeiras, entre elas Banco do Brasil, Santander e BV. Os vencimentos foram alongados por até cinco anos, enquanto o Carlyle aportou R$ 75 milhões para recompor os estoques antes do Dia das Crianças, da Black Friday e do Natal.
O ajuste incluiu o fechamento de aproximadamente 20 lojas, renegociações de aluguéis com shopping centers, redução do tamanho de unidades e demissões na estrutura administrativa. Naquele momento, o grupo tinha 297 lojas, das quais 97 franquias, e movimentara R$ 2,1 bilhões em GMV no ano anterior.
Foi nesse cenário que Rebello, ex-vice-presidente de varejo do Grupo SBF e com passagens por Walmart, Bompreço e Casa do Pão de Queijo, chegou à Ri Happy, em novembro de 2022. Ele assumiu formalmente como CEO em fevereiro de 2024, no lugar de Ronaldo Pereira Júnior, e conduziu uma estratégia para aumentar a frequência nas lojas por meio de experiências e entretenimento, reduzindo a dependência da venda tradicional de brinquedos.
A volta de um velho conhecido
Para conduzir essa nova etapa, a BluSun recorreu a um executivo que conhece a operação. Núñez assumiu a Ri Happy em 2012, logo após a entrada do Carlyle, e comandou a integração com a PBKids, a expansão nacional e a tentativa de IPO. Ele deixou a companhia em julho de 2020, sendo substituído por Pereira Júnior.
Antes da Ri Happy, Núñez foi presidente do Walmart Brasil entre 2008 e 2010 e ocupou funções executivas na Coca-Cola, inclusive como vice-presidente de operações em diferentes mercados. Também presidiu o conselho da Lojas Marisa, foi conselheiro de companhias como Raia Drogasil e Vulcabras e chegou à Novonor em 2021.
Em março de 2022, assumiu a presidência da Novonor, antiga Odebrecht, e o conselho da construtora OEC, depois de a holding concluir etapas relevantes de sua recuperação judicial. Permaneceu como CEO até abril de 2024.
A mudança ocorre às vésperas do trimestre mais importante para o caixa da companhia, que concentra Dia das Crianças, Black Friday e Natal.