Menos de um ano depois de levantar US$ 10 milhões, a agtech holandesa Source.ag acaba de receber US$ 23 milhões, em uma rodada de série A, liderada pela Astanor Ventures e Acre Venture Partners. Com o investimento, o financiamento total na empresa chega a US$ 35 milhões.

Apontada por analistas do mercado como uma das grandes promessas do ecossistema global de inovação agroalimentar, a startup usa inteligência artificial (I.A.) de última geração para orientar o cultivo indoor de frutas e legumes.

Fundada em novembro de 2020, em Amsterdam, por Ernst van Bruggen e Rien Kamman, atual CEO, a Source.ag desenvolveu uma tecnologia proprietária que permite aos agricultores ajustar as condições do ambiente às necessidades de cada cultura, otimizando seus recursos e maximizando seus rendimentos.

O financiamento inicial foi usado na construção da primeira plataforma da empresa, a Source Track, em 2022. Até o final do ano, Bruggen e Kamman pretendem lançar dois novos produtos, o Source Cultivate e o Source Control.

“Estamos dando aos produtores uma bola de cristal, na qual eles podem ver como fatores externos e decisões afetarão o desenvolvimento de suas plantações, incluindo o uso de recursos, custos e retornos associados”, diz o CEO da agtech. “Com base nisso, nós os ajudamos a encontrar a estratégia de crescimento ideal para seus negócios.”

Na opinião de Arnout Dijkhuizen, diretor de investimentos da Astanor Ventures, a Source.ag “foca onde a tecnologia encontra a natureza, tornando o cultivo indoor globalmente acessível e escalável e democratizando o acesso a frutas e legumes frescos”.

Um dos clientes da startup, um produtor francês de tomate, usou o Source Cultivate, em caráter experimental, para simular diferentes opções de poda e de clima dentro da estufa. A resposta, segundo os fundadores da Source.ag, da I.A. foi instantânea, sobre como esse ou aquele tipo de desbaste aferia a saúde da planta, o rendimento e o lucro de toda uma safra.

“Nosso objetivo é dar aos agricultores superpoderes, com conselhos em tempo real sobre a melhor forma de cultivar, não importa o que eles cultivem ou como cultivem”, completa Kamman.

Ernst van Bruggen e Rien Kamman, da Source.ag
Da esq. para a dir: Ernst van Bruggen e Rien Kamman, da Source.ag

Os tais “superpoderes” só são possíveis graças à conjunção de duas grandes inovações dos sistemas agroalimentares: a agricultura de ambiente controlado e as tecnologias preditivas.

Com ferramentas como I.A. e ciência de dados, o agricultor passa a ter domínio sobre todos os parâmetros do cultivo. Ele vira uma espécie de senhor da fotossíntese – da luz, temperatura, umidade e qualidade dos nutrientes que alimentam as plantações.

Nas estufas ultramodernas ou nas fazendas urbanas, os negócios não se pautam pelo ritmo das estações, exigem de 1% a 5% da água e 5% da terra usada nas lavouras em campo aberto. Ao fim e ao cabo, metro quadrado por metro quadrado, o cultivo indoor é mais produtivo.

A qualidade dos alimentos também tende a ser superior. Como as plantações estão protegidas de intempéries e das pragas, dispensam o uso de agrotóxicos. A necessidade de fertilizantes tende a ser 50% menor. O resultado? O prato ganha alimentos mais saborosos e nutritivos.

Com o aperfeiçoamento da I.A., suas aplicações na agricultura se ampliam. Além de possibilitar fazer mais com menos, uma necessidade urgente em tempos de crise climática, a tecnologia pode ajudar a enfrentar um dos principais problemas do setor atualmente –a escassez de mão de obra.

Nas contas da plataforma Crunchbase, no mínimo, US$ 400 milhões foram investidos em agtechs americanas, no ano passado. Em 2021, os apostes não chegaram a US$ 220 milhões.