O Citi rebaixou a recomendação para as ações da Rumo de neutro para venda. O argumento é que o otimismo do mercado com o curto prazo não condiz com os riscos que a companhia enfrenta, com o valuation em patamares muito elevados.

A mudança na recomendação veio acompanhada do corte no preço-alvo para os papéis, que passou de R$ 15 para R$ 13,50. O valor está abaixo dos R$ 16,59 em que os ativos fecharam o pregão de quinta-feira, 16 de abril, queda de 2,18%. No ano, as ações acumulam alta de 12,5%, levando o valor de mercado a R$ 30,8 bilhões.

Para o analista Filipe Nielsen, ainda que exista espaço para reajustar as tarifas de serviços e a redução na previsão de capex para o projeto ferroviário de Lucas do Rio Verde (LDRV) alivie as preocupações em torno da geração de fluxo de caixa, a demanda do setor agrícola por transporte ferroviário está se mostrando baixa, limitando a margem de manobra da companhia.

“Com a Rumo priorizando crescimento de volume em um ambiente em que a demanda não é tão positiva, ganhos incrementais de market share em cima dos caminhões devem exigir incentivos de tarifas adicionais, algo que deve pesar na receita e na margem Ebitda”, diz trecho do relatório.

Segundo o analista do Citi, dados apontam que as margens no setor de transporte rodoviário, principal concorrente da Rumo, no primeiro trimestre, após a colheita da soja, acabaram comprimidas. Isso indicaria uma desconexão entre o potencial de exportação e o fluxo logístico executado até o momento.

“Apesar da safra recorde de soja neste ano, as vendas permanecem abaixo da média histórica, limitando a demanda logística e o repasse do aumento do custo do combustível para o preço do frete”, diz trecho do relatório.

Outro ponto particularmente negativo para a Rumo é o fato de que a demanda interna por milho, puxada por usinas de etanol no Centro-Oeste, deve reduzir a disponibilidade do produto que vai para os portos para exportação, um dos focos do serviço da Rumo.

O analista do Citi também alerta para as perspectivas de 2027. Segundo ele, o aumento previsto no preço dos fertilizantes, consequência da guerra no Irã, deve elevar os custos desses insumos. A situação deve limitar a expansão da área cultivada, afetando as perspectivas da Rumo de obter ganhos em volumes.

“Apesar de continuarmos esperando um aumento das tarifas da Rumo no segundo trimestre e no segundo semestre, apoiado por uma base de comparação mais benigna após os reajustes do ano passado, a perspectiva para 2026 em diante permanece desafiadora para novos aumentos de preços”, diz trecho do relatório.

Diante desse cenário, o analista do Citi avalia que a relação entre risco e retorno não é favorável para investir nas ações da Rumo, considerando o valuation atual.

Segundo ele, o EV/Ebitda dos papéis para 2026 expandiu para 6 vezes, enquanto o spread da taxa interna de retorno (IRR, na sigla em inglês) real está abaixo da média apurada no período de setembro de 2024 a abril deste ano – 3,1% contra 4,6%.

“O valuation se aproximou da parte alta da faixa daquilo que consideramos razoável, incorporando expectativas que se apoiam basicamente em um cenário operacional favorável no curto prazo, ignorando boa parte dos riscos de médio e longo prazo”, diz trecho do relatório.