A era de ouro do Alibaba está com os dias contados?

Diante da ofensiva do governo local contra as big techs e da ascensão de novos concorrentes em seu mercado doméstico, a gigante chinesa registra o menor crescimento trimestral desde o seu IPO, em 2014

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A receita do Alibaba foi de US$ 38 bilhões no trimestre encerrado em dezembro, alta de 10% sobre um ano antes

Durante anos, o Alibaba se consolidou como uma empresa dominante na China e em todo mercado asiático, capaz de afugentar empresas ocidentais que tentaram se aventurar pelo continente. Essa era de ouro da gigante fundada por Jack Ma pode estar, no entanto, próxima do fim.

Divulgado nesta quinta-feira, o resultado do grupo referente ao seu terceiro trimestre fiscal, encerrado em 31 de dezembro de 2021, traduzem, em boa medida, o desafio à frente da empresa. No período, a receita da companhia foi de US$ 38 bilhões, alta de 10% sobre um ano antes.

Apesar do avanço, um outro dado chama atenção nesse indicador. Esse foi o menor crescimento trimestral registrado pelo Alibaba desde que a empresa abriu capital na Nasdaq, em 2014, levantando US$ 25 bilhões na oferta.

Na bolsa americana, as ações do Alibaba estão sendo negociadas por um terço do pico de US$ 300, alcançado em outubro de 2020. Nesta quinta-feira, os papéis da empresa, avaliada em US$ 298,4 bilhões, estavam sendo negociados a US$ 105, por volta das 14h (horário local), com queda de 4,01%.

O crescimento mais lento e a desvalorização das ações do Alibaba coincidem com as colisões da empresa e de outras big techs do país com o governo chinês. Nos últimos seis meses, a queda das ações da companhia é de quase 40%. No intervalo de doze meses, a baixa fica próxima de 60%.

As relações entre o governo chinês e as big techs começaram a se deteriorar ainda em 2020, quando Jack Ma, fundador da Alibaba, cometeu um “sincericídio” ao criticar o modus operandi de bancos a reguladores de mercado na China. Segundo o empresário, o sistema financeiro do país desacelerou o processo de inovação das empresas.

O pronunciamento gerou atritos e o presidente chinês Xi Jinping ordenou a suspensão da oferta pública de ações do Ant Group, uma das empresas do guarda-chuva do Alibaba, que planejava levantar US$ 37 bilhões na bolsa de valores da Xangai, naquele que seria o maior IPO da história.

Esse foi o primeiro grande movimento do governo chinês em relação a regulação do mercado de internet com políticas antitruste mais rigorosas. Em abril do ano passado, o Alibaba foi penalizado com uma multa recorde de US$ 2,8 bilhões por abusar de sua posição de liderança no setor com a prática de monopólio.

Para piorar a situação, meses depois, em setembro, o governo chinês aprovou uma nova lei para tratar sobre a segurança de dados e que versa fortemente sobre o uso de informações sigilosas colhidas de usuários na China.

Um dos principais pontos trata da restrição do envio dessas informações para o exterior, o que pode dificultar ainda mais a situação do Alibaba, principalmente para consolidar sua presença em novos mercados.

Ao mesmo tempo, em seu mercado doméstico, a empresa vem sofrendo com a desaceleração dos gastos dos consumidores e também com algo impensável até pouco tempo para a companhia: uma concorrência mais acirrada no comércio eletrônico.

Esse novo ambiente vem sendo personificado na ascensão de rivais que investem em formatos como o live commerce e em nomes como Pinduoduo, Kuaishou e Douyin, operação da ByteDance, controladora do TikTok.

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