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A guerra de números entre Ser Educacional e Laureate

Quem vai ficar com os ativos do grupo educacional americano Laureate no Brasil: a Ser Educacional ou a Ânima? A decisão vai depender de como um juiz pode interpretar os números dessa aquisição. Entenda a disputa

 

A Universidade Anhembi Morumbi é um dos principais ativos da Laureate no Brasil

A disputa para saber quem vai comprar a operação brasileira Laureate se transformou em uma guerra de números. Afinal, qual proposta para levar os ativos da dona do Anhembi Morumbi e da FMU é maior: a da Ser Educacional ou a da Ânima? Essa questão será chave para resolver mais essa briga empresarial do mercado brasileiro.

Em setembro, a Ser Educacional anunciou a compra da Laureate no Brasil em um negócio estimado em R$ 4 bilhões, que envolvia R$ 1,7 bilhão em dinheiro. O grupo americano ficaria com uma fatia de 44% do grupo educacional do empresário Janguiê Diniz.

Os termos do acordo permitiam que a Laureate buscasse outro comprador até 13 de outubro. Se recebesse uma oferta melhor, a Ser Educacional poderia cobrir a proposta.

Nesta quarta-feira, 21 de outubro, a Laureate informou que recebeu uma oferta do grupo Ânima que é R$ 500 milhões superior a da Ser Educacional. Esta, por sua vez, afirma que a sua proposta é maior e foi à Justiça para tentar valer o seu direito de ficar com os ativos da Laureate.

As contas pelos ativos da Laureate variam, dependendo de cada interlocutor. A proposta da Ânima é de R$ 3,8 bilhões em dinheiro. A empresa também assumirá dívidas de R$ 623 milhões. Há um potencial de ganho de R$ 200 milhões a depender de novas vagas nos cursos de medicina. No negócio, a Ânima também pagará a multa de R$ 180 milhões à Ser Educacional.

Ao recorrer à Justiça, que deu uma liminar impedindo a Laureate de assinar o negócio com a Ânima, a Ser Educacional apresentou números totalmente diferentes. A nova conta incluiu em seus cálculos os ganhos de sinergia (R$ 677 milhões) e de economia com ganho de capital (R$ 219,7 milhões). E também acrescenta um ganho potencial com vagas de medicina (R$ 89,3 milhões). Só esses itens acrescentam quase R$ 1 bilhão ao negócio.

A oferta da Ser Educacional, pelos cálculos da empresa, é de R$ 5,577 bilhões. Na ponta do lápis, quase R$ 800 milhões superior a que foi apresentada pela Ânima para Laureate, estimada em R$ 4,778 bilhões.

O NeoFeed apurou também que a Ser Educacional acredita que há outras irregularidades na proposta da Ânima. O grupo educacional reclama que a primeira notificação à Ser Educacional da proposta da Ânima estava errada. E a segunda notificação, com as informações corretas, chegou fora do prazo estipulado em contrato.

A Ser Educacional também diz que a proposta da Ânima não traz garantias financeiras bancárias firmes, o que contrataria o contrato assinado entre as duas partes.

Em nota, a Laureate informou que “pretende exercer vigorosamente seu direito de rescindir o contrato de transação com a Ser e concluir a venda de suas operações brasileiras de acordo com os termos da proposta superior.”

Se a Ânima vencer a disputa, ela vai dar um salto no ranking dos maiores grupos educacionais, passando da nona para a quarta posição no País. Com pouco mais de 119 mil alunos, ela passaria a ter R$ 390 mil. A receita combinada das duas empresas seria de aproximadamente R$ 3,5 bilhões.

A união da operação brasileira da Laureate com a Ser Educacional criaria o quarto maior grupo de ensino superior do Brasil com 450 mil alunos.

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