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A hora da verdade: Palantir, o próximo grande IPO de tecnologia, nunca deu lucro

Documentos vazados mostram que a Palantir será mais uma empresa do Vale do Silício a abrir capital sem atingir o lucro. Dependência de contratos governamentais também preocupa. Será que os investidores entenderão?

 

Com mais de US$ 3 bilhões captados desde sua fundação, em 2004, e uma avaliação privada de US$ 20 bilhões, a Palantir postergou o quanto pode a sua abertura de capital. Mas o “Dia D” está chegando.

A misteriosa empresa de coleta e análise de dados criada por Peter Thiel deve estrear no bolsa de valores em setembro, no que é considerado uma das principais aberturas de capital de uma empresa de tecnologia deste ano.

Com isso, as informações financeiras, guardadas em segredo até agora, estão começando a se tornar públicas. E os dados, que vazaram através de uma série de capturas de tela dos documentos protocolados pela companhia para sua listagem na bolsa, estão mostrando uma realidade nada animadora aos investidores.  

Segundo o site Techcrunch, que primeiro teve acesso às imagens, um relatório datado em 20 de agosto aponta que a receita de 2019 foi pouco acima de US$ 740 milhões, um ganho de 25% em relação aos US$ 595 milhões movimentados no ano anterior. 

Embora a taxa de crescimento seja considerável, o resultado desanima porque os investidores acreditavam que a Palantir estivesse “batendo na trave” de US$ 1 bilhão há anos.

Mas a “tragédia” mesmo foi a constatação do prejuízo. Em 2019, a startup perdeu US$ 580 milhões, valor praticamente idêntico ao ano anterior. Desde sua fundação, a Palantir nunca operou no azul.

Em startups de crescimento exponencial, é normal operar no prejuízo. Mas desde o IPO da Uber e o fracasso da abertura de capital do WeWork, ambos no ano passado, os investidores passaram a ser mais seletivos com empresas deficitárias. E, no caso da Palantir, os dados chegaram a ser uma surpresa.

Em 2020, a Palantir tem respirado com um pouco mais de alívio, reportando US$ 481 milhões de receita nos primeiros seis meses do ano, um aumento de 49% em comparação ao mesmo período do ano passado.

Paralelo a isso, a companhia tem apertado os cintos nos gastos, tentando manter a mesma média dos ciclos anteriores, mesmo com o aumento da movimentação financeira. 

Outra “curiosidade” foi a questão da dependência governamental da Palantir. No primeiro semestre deste ano, a companhia obteve US$ 258 milhões com produtos e serviços prestados ao governo. Isso corresponde a 53,5% de toda a receita do período. Enquanto isso, a movimentação provenientes de acordos com empresas privadas foi de US$ 224 milhões (46,5%). 

Já nos primeiros seis meses de 2019, a Palantir ganhou US$ 146 milhões em contratos públicos, ou 46,5% de sua receita. Com a venda de suas atividades para companhias privadas, a Palantir movimentou US$ 177 milhões, o equivalente a 55%.

Ainda não se sabe exatamente como esses dados todos vão afetar a estreia da companhia na bolsa, que optou pelo modelo de listagem direta, que exclui o roadshow e os bancos de investimento, oferecendo os papéis diretamente ao público.

Este modelo tem como vantagem o baixo custo, mas “cobra o preço” da volatilidade, uma vez que não há restrições, ou lockups, para a venda de ações. Num processo de IPO tradicional, é comum que funcionários e investidores só sejam autorizados a vender suas ações depois de seis meses ou um ano. 

Na listagem direita essa regra não existe, o que deixa a companhia bastante vulnerável: se todos os acionistas resolvem disponibilizar seus papéis na sequência do IPO, a tendência é que as ações caiam consideravelmente e machuquem a percepção do valor a longo prazo da empresa.

Para se blindar deste “perigo”, porém, a Palantir está estudando trilhar o caminho da listagem direta, mas com período de lockup, algo até então inédito.

Embora tenha saído do papel só em 2004, a Palantir nasceu, como ideia, no pós-atentado às Torres Gêmeas, em Nova York, em 11 de setembro de 2001. A tragédia gerou tensões governamentais e grandes decisões precisavam ser tomadas.

Peter Thiel, que foi um dos cofundadores do PayPal, idealizou uma empresa capaz de consolidar e processar dados de forma rápida e segura, para que organizações públicas e privadas pudessem ter acesso à maior quantidade de informações possíveis, a fim de fazer escolhas mais ponderadas. 

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