Negócios

“A isenção foi uma questão do ano passado”, diz CEO do Iguatemi

Com a perspectiva de que a nova quarentena seja menos duradoura, Carlos Jereissati Filho diz que não será preciso isentar os aluguéis dos lojistas e que os descontos serão mais cirúrgicos. Ele critica ainda a falta de isonomia na definição das restrições do isolamento

 

Em março de 2020, quando as quarentenas começaram a ser decretadas em todo o Brasil, fechando as portas do comércio, as principais administradoras de shopping centers no País passaram a adotar políticas de isenção de aluguéis e concessão de descontos para auxiliar os lojistas dos seus empreendimentos.

Um ano depois, com o Brasil vivendo a pior fase da pandemia e a adoção de novas e severas restrições de circulação, o grupo Iguatemi, uma das empresas que seguiram esse movimento, entende que não será preciso replicar parte dessas práticas.

“Obviamente, no ano passado, como o desconhecimento era total, nós trabalhamos mais próximos da cadeia”, afirmou Carlos Jereissati Filho, CEO do Iguatemi, em conferência com analistas nesta sexta-feira. “Vamos seguir dedicados em contribuir para que eles passem por esse momento, mas a isenção foi uma questão do ano passado.”

Segundo Jereissati, a postura do grupo será monitorar, caso a caso, segmento a segmento do varejo, as necessidades dos lojistas. “Vamos apoiar quem precisa e onde precisa”, afirmou. “As realidades são distintas. Vamos falar em descontos por segmentos, mas será mais dirigido e cirúrgico.”

Entre outras iniciativas, no primeiro mês da pandemia, em 2020, o Iguatemi anunciou medidas como a isenção do aluguel para lojistas, descontos de 40% a 50% no condomínio e de 60% a 100% nos fundos de promoção.

Jereissati também ressaltou que, hoje, já se sabe muito mais sobre a doença e sobre os protocolos para evitar o contágio, além da perspectiva das vacinas, o que alimenta a expectativa de que a nova quarentena não dure por muito tempo.

“A grande dificuldade que o setor enfrenta juntamente com outros segmentos da economia é a falta de isonomia. Nesse momento, tudo o que gera circulação deveria contribuir e estar fechado”, afirmou o empresário. “Eu brinco que, em pleno século XXI, fechar a atividade e o trabalho das pessoas e manter igrejas abertas beira a piada.”

À parte dessas questões, Jereissati destacou os avanços registrados com o Iguatemi 365, marketplace lançado no fim de 2019, mas que começou a ganhar corpo justamente durante a pandemia. Antes restrita à cidade de São Paulo, a plataforma já está presente hoje em 18 capitais e mais de dois mil municípios.

“Eu costumo dizer que já temos uma lojinha em cada uma dessas cidades”, afirmou o CEO do Iguatemi. Além dessa expansão, o marketplace ampliou sua oferta. Hoje, são cerca de 400 marcas plugadas e mais de 18 mil itens listados.

Balanço

O Iguatemi reportou um lucro líquido de R$ 82 milhões no quarto trimestre de 2020, cifra 26,7% inferior ao montante apurado em igual período, um ano antes. No ano, o lucro líquido também apresentou queda, de 35,6%, para R$ 202,3 milhões.

A receita líquida do grupo caiu 12,7% entre outubro e dezembro, para R$ 184,4 milhões. No resultado consolidado de 2020, a receita líquida ficou em R$ 684,2 milhões, o que representou um recuo de R$ 9,3%, comparado ao ano de 2019.

Por volta das 12h15, as ações da empresa estavam sendo negociadas a R$ 32,13, alta de 2,10%. Em 2021, levando-se em conta o fechamento do pregão da quinta-feira, os papéis da companhia acumulam uma queda de 15,2% no ano.

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