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A máscara de US$ 1 milhão que pode ser a “cura” de pandemias

Fundação XPrize, que usa desafios para solucionar problemas de escala global, vai premiar jovens que consigam propor máscaras faciais capazes de transformar a “perspectiva cultural do uso desse acessório”. Prêmio é financiado pelo empresário Marc Benioff e o apresentador da CNBC, Jim Cramer

 

Jovens entre 25 e 24 anos podem participar desta competição da XPrize

Quem quer ser um milionário? Os jovens interessados em embolsar uma pequena fortuna não precisam responder a múltiplas perguntas, mas uma só: como criar uma máscara de proteção, tipo cirúrgica, que seja usada de forma frequente pela população dos Estados Unidos e além? 

O desafio faz parte do hall de competições pagas da XPrize, uma fundação que promove concursos criativos para responder a problemas de escala global. Fundada em 1995 por Peter Diamandis, o homem por trás da Singularity University, a XPrize lançou nesta semana essa disputa que pretende pagar US$ 1 milhão a jovens entre 15 e 24 anos que consigam propor novas máscaras faciais capazes de transformar a “perspectiva cultural do uso desse acessório”. 

Financiado pelo empresário Marc Benioff, criador da Salesforce, e pelo apresentador Jim Cramer, da rede americana de televisão CNBC, o desafio tem a duração de oito meses e está aberto a interessados de qualquer país. 

No total, três projetos serão selecionados por um júri composto por especialistas dividirão o prêmio de US$ 1 milhão e, depois, serão conectados a fábricas e fabricantes que possam dar escala à produção das máscaras propostas.  

“Se todos nós usássemos máscaras por apenas três semanas, o vírus seria totalmente extinto. O que está nos impedindo de criar uma cultura que incentive o uso desse protetor nos EUA, como já acontece no Japão? Se você resolver esse quebra-cabeça, pode ganhar US$ 1 milhão”, provocou Benioff em seu perfil no Twitter.  

De acordo com a XPrize, cerca de um terço da população nos Estados Unidos não faz uso frequente das máscaras faciais, mesmo elas sendo encorajadas ou obrigatórias em boa parte do país. 

Todos os protótipos submetidos para avaliação da bancada da fundação devem ter, comprovadamente, um poder de filtragem igual ou superior ao das máscaras cirúrgicas convencionais; levar em consideração as principais razões pelas quais as pessoas não usam o acessório nos EUA; e tenham um estilo que promova e incentive seu uso. 

Além deste desafio, cujo foco é diretamente ligado à saúde pública, outros concursos milionários também estão ativos na XPrize. 

A plataforma vai remunerar em US$ 5 milhões quem propor uma solução que capacite trabalhadores de baixo poder aquisitivo para a revolução digital; US$ 10 milhões para quem apresentar um projeto que ajude a aumentar o entendimento científico do ecossistema da floresta tropical; e outros US$ 5 milhões aos indivíduos ou equipes que conseguirem demonstrar como humanos podem colaborar com a inteligência artificial para solucionar problemas globais. 

O maior e mais bem-pago desafio vigente na XPrize tem como alvo a mudança climática: a fundação vai remunerar em US$ 20 milhões quem apresentar uma tecnologia disruptiva que consiga converter emissão de gás carbônico em algum produto útil. 

Corrida espacial e o “big-bang” de um novo mundo

A ideia de tirar do ambiente esportivo as competições e dar-lhe uma roupagem empreendedora nasceu em 1919, pelas mãos (e criatividade) do hôtelier Raymond Orteig. O empresário ofereceu US$ 25 mil – algo que hoje valeria quase US$ 400 mil – ao primeiro corajoso que sobrevoasse, sem escala, o Atlântico. 

Muitas tentativas e seis vidas perdidas depois, o piloto Charles Lindbergh conseguiu cumprir a missão em maio de 1927. Ele foi de Nova York a Paris a bordo de seu avião Spirit of St. Louis. 

A solução para o desafio da falta de água em algumas regiões remotas. Na foto, a proposta vencedora da Skysouce/Skywater Alliance

Operando sob lógica semelhante, Peter Diamandis lançou a XPrize em 1995, com a promessa de recompensar em US$ 10 milhões a primeira companhia privada que fosse capaz de levar ao espaço um foguete usado. 

Ao longo de oito anos, 26 times de sete países fizeram suas tentativas. Combinadas, as empresas investiram mais de US$ 100 milhões. A American Mojave Aerospace Ventures, que tinha o cofundador da Microsoft Paul Allen como investidor, se consagrou vitoriosa em outubro de 2004. 

Embora não estivesse dentro da aeronave, Allen acreditava tanto na ideia que injetou sozinho US$ 26 milhões na empreitada – mais do que o prêmio em si.

A XPrize acredita que seu desafio tenha sido a gênese da corrida espacial entre companhias privadas, um setor que hoje reúne alguns dos homens mais ricos e poderosos do mundo, como Elon Musk, da Tesla e SpaceX, e Jeff Bezos, da Amazon e Blue Origin. 

Depois deste concurso, a fundação propôs outros desafios, como, em 2007, o desenvolvimento de um veículo de baixa emissão de poluentes. A competição durou três anos e contou com mais de 100 inscrições e pode ser considerada a primeira etapa para o “boom” de veículos elétricos que vemos hoje.

Mais recentemente a XPrize desafiou inovadores a extrair água do ar. Em 2018, a equipe da Skysource e Skywater Alliance recebeu o prêmio de US$ 1,5 milhão por um aparelho que atendesse aos critério: “filtrar” 2 mil litros de água por dia, usando apenas energia renovável e com custo inferior a US$ 0,02/litro. 

Mas nem todos os desafios da XPrize são boas histórias de sucesso. O concurso com o maior prêmio da história da fundação, o Google Lunar Xprize, de US$ 30 milhões, acabou sem nenhum vencedor. Os finalistas não conseguiram cumprir a missão de levar e operar um robô na Lua até março de 2018.

Uma empresa chegou a “completar” a aterrissagem trágica de um rover no satélite natural da Terra em abril de 2019 e, por isso, ganhou uma espécie de prêmio de consolação de US$ 1 milhão. 

Isso não significa, contudo, que o concurso foi totalmente em vão. Parte da verba previamente alocada no desafio lunar foi revertida para pesquisas e desenvolvimento espaciais que foram as “sementes” das companhias espaciais privadas na Índia, Malásia, Israel e Hungria. 

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