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Negócios

A pergunta de um milhão de dólares respondida pelo presidente do Banco Central

Em evento do Credit Suisse, Roberto Campos Neto respondeu sobre sua visão sobre a competição bancária. Ele deixou claro sua aposta no open banking e nos pagamentos instantâneos. E avisou: “a torta vai ser maior, mas os grandes bancos terão um pedaço menor”.

 

Roberto Campos Neto, presidente do BC, em sua apresentação no evento do Credit Suisse

Um encontro dos dois mais recentes presidentes do Banco Central marcou a abertura do Latin America Investment Conference, evento que está sendo realizado nesta semana pelo Credit Suisse, em São Paulo.

O chairman do conselho do Credit Suisse no Brasil, Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central no governo Michael Temer, foi o responsável por mediar a apresentação do atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Durante quase 60 minutos, Campos Neto fez uma apresentação técnica, falando de China, juros, inflação e crescimento econômico. No final, Goldfajn fez algumas perguntas da plateia.

Quando o tempo estava perto de ser esgotado, o ex-presidente do Banco Central fez a pergunta de US$ 1 milhão – e que talvez – pudesse ser o tema de toda a apresentação.

“Qual é a sua visão da evolução da competição bancária no futuro e qual o papel o Banco Central nesse processo?”, questionou Goldfajn, ao ler uma pergunta da plateia.

Em sua resposta, curta, mas não tão breve, Campos Neto deixou claro o compromisso do Banco Central com a questão do open banking e dos pagamentos instantâneos.

Confira o que respondeu o atual presidente do Banco Central:

“O mundo bancário tem alguns pilares. São barreiras de entrada, como ter um sistema de agência pulverizado. Ele tem também uma vantagem muito grande de ser um sistema fechado até um tempo atrás. Ou seja, o banco poderia vender todos os produtos internos para o cliente num sistema de plataforma fechada. E era também uma estrutura bastante verticalizada. Então, existem vários fatores em blocos que fazem com que o sistema bancário tenha uma barreira de entrada grande.

Uma barreira que eu não mencionei para deixar para o fim é o tema da informação. O banco tem muita informação sobre todos os clientes. A gente vê, por exemplo, que as plataformas financeiras preferem atuar em modalidades de crédito onde o problema de informação assimétrica é menor, onde existe mais garantias.

Não é à toa que as plataformas de crédito estão bastante grandes no tema de home equity. Tem gente agora até fazendo empréstimos com garantia de automóvel. Quanto mais informação assimétrica eu tenho, mais caro é o meu crédito. Se eu estou competindo com alguém que tem mais informação do que eu, tenho que estar numa modalidade de crédito onde a informação assimétrica pese menos.

Quando a gente olha as barreiras: ter um monte de agências e ter capilaridade deixou de ter valor, porque o mundo virou digital. Acho que hoje ninguém consegue mais sobreviver com uma plataforma fechada. O que sobra, e é muito importante, é o tema da informação. Por isso que para a gente o processo de open banking é tão importante.

Como eu vejo o sistema lá na frente? Exatamente como eu descrevi no final: eu vejo uma coisa instantânea, interoperável e aberta. O que significa isso? Significa maior bancarização, menor custo de intermediação financeira, maior especialização. Os bancos no futuro não vão fazer de tudo. Como a plataforma será aberta, terá um aplicativo ou uma fintech que vai ocupar aquele espaço. Mas a minha visão é que vai aumentar muito a função de intermediação financeira e, no final, vai ter uma torta muito maior, mas talvez os grandes bancos terão um pedaço menor.”

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