A “terceira via” de Howard Marks

Longe dos extremos do mercado, o cofundador da Oaktree Capital Management aconselha que os investidores calibrem seus portfólios com posições entre a “agressividade e a defensividade”

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O investidor americano Howard Marks (Crédito: Paulo Bareta)

Na semana passada, em mais de um seus famosos memorandos a clientes – foram mais de 140 desde que eles começaram a ser distribuídos, na década de 1990, Howard Marks falou sobre a necessidade de investir na direção contrária ao “rebanho” do mercado para obter retornos superiores.

Essa tese marcou a trajetória de 53 anos de Marks e alçou o americano de 76 anos ao status de lenda, com “fãs” confessos como Warren Buffett. E se mostrou ainda mais acertada na Oaktree Capital Management, empresa de investimento em ativos de risco cofundada por ele em 1995 e que tem US$ 159 bilhões sob gestão.

Diante do cenário global atual, tal abordagem indicaria que Marks está indo na contramão do mercado e adotando um viés bastante otimista nos investimentos da Oaktree. Entretanto, longe de qualquer extremo, sua inclinação parece estar muito mais próxima de uma “terceira via” nesse contexto.

“Isso não é necessariamente certo o tempo todo. Apenas quando as massas estiverem cometendo um erro”, disse Marks, durante sua participação no Expert XP, no fim da manhã desta quarta-feira, 3 de agosto. “E acho que seria um erro ficar otimista e muito agressivo nesse momento.”

Como parte da sua avaliação e de seus conselhos para esse contexto, ele citou a postura habitual da Oaktree. “Em tudo o que fazemos incorporamos um pouco de cada coisa”, disse. “E acredito que cada um de nós deve calibrar o seu portfólio entre ser agressivo e defensivo.”

Nesse cenário, Marks também falou sobre os fatores que estão afetando o mercado no curto prazo, como a pressão inflacionária e a guerra da Ucrânia, e das projeções que apontam para um panorama ainda bastante instável à frente para a economia global.

“Eu não acredito em previsões, nem mesmo nas minhas”, brincou. “Na Oaktree, nós também temos as nossas opiniões, mas as consideramos imperfeitas. Então, não apostamos fortemente nelas e nosso processo nunca depende de previsões macroeconômicas.”

Em linha com essa visão, ele acrescentou: “Ao invés de determinar o que a economia vai fazer, nós vamos de baixo para cima”, disse. “Quais são as empresas e títulos mais baratos hoje? Sem preocupação com projeções e preferências de indústria. E, historicamente, tem funcionado.”

Em outro trecho, quando foi incitado a dar um conselho aos investidores brasileiros, em particular, os que estão ingressando ou entraram recentemente nessa arena, Marks pontuou que um dos atrativos é fato de que, em uma economia, as empresas e ativos tendem a evoluir no decorrer dos anos.

“E a beleza do investimento é captar essa tendência de longo prazo”, afirmou, ressaltando que não há um problema em tentar retornos mais polpudos no curto prazo. “Contanto que você tenha a maior parte do seu portfólio investida no longo prazo e sem ficar mexendo nessas posições.”

Para finalizar e reforçar esse posicionamento, ele recorreu justamente a uma das frases escritas em seu último memorando. “Se você esperar em um ponto de ônibus por tempo suficiente, é garantido que pegará um ônibus. Mas se correr de ponto em ponto, talvez nunca pegue um.”

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