A Under Armour quer fincar o pé no trainning, “a modalidade de todas as modalidades”

A fabricante de equipamentos esportivos estabeleceu o treino como um dos focos prioritários, com o lançamento de um tênis fabricado no Brasil, linha de vestuário e patrocínio de academias e preparadores físicos

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Ao “construir o território de treino”, a Under Armour está de olho nos 9 milhões de praticantes de fitness, crossfit e treino funcional

Tênis específico só para treinar? Um levantamento feito pela marca esportiva Under Armour, que no país é representada pela Vulcabras, revelou que 98% dos brasileiros não usam o tênis correto na academia, no crossfit ou no treino funcional.

Como esse contingente de praticantes chega a 9 milhões, a companhia decidiu que este seria um dos focos prioritários no país, ou seja, conquistar este público ao valorizar o trainning como a “modalidade de todas as modalidades”.

“O treino é uma prática transversal a todas as modalidades esportivas e é uma área que nenhuma marca ainda se apropriou. Nossa ambição é construir e conquistar a liderança deste território do trainning com produtos e equipamentos com design e que tragam ganho de performance”, diz Guilherme Tamashiro, Head de Operações da Under Armour no Brasil.

O “filé mignon” dos calçados esportivos é o tênis de corrida, área em que todos os grandes players investem e disputam de forma acirrada. No ano passado, a categoria teria movimentado US$95,2 bilhões, sendo que tênis para running respondeu por 33% do resultado.

No Brasil, a marca vem registrando “resultados robustos” com trainning, running, e também com o basquete, “sendo a marca número dois das lojas da NBA no país”, esporte em que conversa em especial com o público de 18 a 24 anos.

 

Guilherme Tamashiro, Head de Operações da Under Armour no Brasil

Por mais que também concentre esforços em running, a Under Armor quer ter um segmento para chamar de seu com o trainning, onde encara “presença pontual da Nike e da Everlast” com alguns produtos.

Para fincar o pé nessa área, a Under Armour desenvolveu no país o primeiro tênis da marca com a tecnologia Tribase Cross (R$499), a mesma adotada nos produtos da collab com The Rock, o ator Dwayne Johnson, uma das parcerias de maior sucesso da marca desde 2017. Os modelos da linha Project Rock custam a partir de R$ 999.

O Tribase Cross foi construído para garantir estabilidade e “criar a sensação perfeita de base mais segura nos exercícios” e, ao mesmo tempo “permitir firmeza e tração para movimentos em qualquer direção com ainda mais rapidez”.

“De uma forma geral, as pessoas usam tênis de corrida para treinar e eles são construídos com um solado elevado que estimular o movimento. E isso, além de prejudicar a performance, pode ocasionar acidentes”, explica Tamashiro.

Com a fabricação nacional, a companhia acredita ter chegado com o modelo a um preço considerado democrático, para assim ampliar sua entrada em multimarcas. Ao mesmo tempo está ampliando suas linhas de vestuário que permitem o “melhor desempenho e recuperação muscular”.

Assim, a Under Armour vai estabelecer com varejistas como Centauro e Bayard áreas específicas de trainning dentro de lojas, de forma a facilitar o entendimento da categoria para o consumidor.

Para testar a tecnologia de seus produtos, por sua vez, está patrocinando academias reconhecidas por treinar atletas de alta performance no país como a Athlete Training Center, em São Paulo, que tinha o surfista olímpico Gabriel Medina em seus quadros, e a Estúdio Pretto, em Porto Alegre.

O Tribase Cross fabricado no Brasil custa R$ 499

Neste mesmo movimento, acaba de firmar uma parceria com a Core 360, uma das maiores plataformas de treinadores e preparadores físicos do país. Com a consultoria destes profissionais, planeja eventos de imersão em trainning, começando por São Paulo em outubro.

Em 2014 quando chegou ao país, a Under Armour vislumbrava o potencial do mercado esportivo com a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Naquele ano, a marca se tornou a segunda mais vendida nos Estados Unidos, superando a Adidas. Em seu auge a companhia chegou a ser avaliada em US$15 bilhões.

Mas assim como o 7X1 fraturou a imagem vencedora do Brasil, a Under Armour enfrentou vários reveses nos Estados Unidos desde então, como problemas técnicos em certos produtos, investigação por inconsistências contábeis e perda de rentabilidade. Na última sexta, a companhia era avaliada em US$3,5 bilhões.

Em 2018, a Vulcabras adquiriu a operação na Under Armour no Brasil e ampliou seu guarda-chuva de marcas esportivas que já contava com Olympikus e Mizuno. Desde então, a companhia busca desenvolver equipamentos no país diretamente ou com parceiros locais, como no caso do vestuário.

Nos demais mercados, o vestuário com tecnologia embarcada, é o principal fator de reconhecimento da Under Armour. “Nos Estados Unidos, 70% do resultado vem das roupas. Aqui 60% do resultado vem dos tênis. Faz parte da estratégia ampliar o brand awareness nessa categoria”, diz Tamashiro.

Até porque foi a criação de roupas esportivas que pudessem resistir ao suor e à atividade intensa que levou Kevin Plank, ex-capitão do time de futebol da Universidade de Maryland, a fundar a marca em 1996.

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