A Zoom quer levantar US$ 1,5 bilhão para preencher suas "lacunas"

Para não perder mercado para rivais como Microsoft e Google, que avançam com suas plataformas de videoconferência, a Zoom precisa agregar novos serviços. E o dinheiro será usado para trazer talentos e comprar empresas

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Valor de mercado da Zoom é de US$ 98 bilhões

Ano novo, vida nova: a Zoom anunciou na terça-feira, 12 de janeiro, que vai colocar à venda 4,4 milhões de novas ações, o suficiente para levantar mais de US$ 1,5 bilhão. Essa é a segunda vez que a empresa de videoconferência faz uma oferta pública desde que abriu seu capital, em abril de 2019.

Os cálculos da companhia se baseiam na venda de papéis a US$ 337 cada – preço registrado no fechamento do pregão do dia 11 de janeiro. Hoje, porém, os papéis da companhia avançaram 5,6%, sendo cotados a US$ 356,81, numa valorização de 475,5% desde que chegou à Nasdaq. 

Na documentação enviada à SEC, equivalente a CMV no Brasil, a companhia registrou que o dinheiro que será captado “pode ser usado para aquisições ou investimento estratégicos em negócios complementares, produtos, serviços ou tecnologias”. 

Uma das companhias mais beneficiadas com a pandemia que “institucionalizou” o trabalho remoto, a Zoom lançou mais de 400 novas ferramentas só em 2020, entre elas a criptografia de ponta-a-ponta; o OnZoom, uma plataforma virtual para eventos; e o Zoom for Home, que permite a qualquer pessoa integrar um dispositivo de colaboração pessoal para videoconferências, chamadas, quadro interativo e anotações.

O aumento da oferta está diretamente ligado ao aumento da demanda. No ano passado, a Zoom foi a plataforma escolhida por usuários para sediar 300 milhões de reuniões e encontros diários. Com isso, a empresa viu sua receita praticamente dobrar, partindo de US$ 330 milhões, em 2019, para US$ 622 milhões, em 2020. O lucro também saltou de US$ 7,5 milhões, em 2019, para US$ 25,3 milhões no ano passado. 

A Zoom é hoje avaliada em US$ 102 bilhões. Isso não significa, contudo, que o futuro esteja garantido. Desde 19 de outubro, quando chegou ao seu pico e suas ações eram vendidas a US$ 568,34, a empresa vem experimentando queda após queda com as notícias de eficácia da vacina e a perspectiva de uma vida normal. No acumulado do período, a Zoom já recuou 37,3%. 

Esse “baque”, contudo, não parece preocupar Rishi Jaluria, analista da D.A. Davidson. Em conversa ao NeoFeed, o analista acredita que com a imunização da população, alguns devem voltar ao escritório, outros devem manter o home office e há quem opte por um modelo híbrido.

“O Zoom já provou seu talento para se tornar o programa ‘padrão’ de software para vídeos-conferências de grandes empresas”, afirma Jaluria, minimizando o impacto da concorrência, vindo de gigantes como Microsoft, Google e até Facebook. Mas não é bem assim. Essas plataformas podem ganhar boa parte do terreno conquistado pela Zoom.

Para além do Skype, a Microsoft oferece todo o ecossistema do Teams, que unifica a comunicação e colaboração entre usuários, combinando bate-papo, videoconferências, armazenamento de arquivos e integração de aplicativos no local de trabalho.

O Google, por sua vez, tem o Meets atrelado ao seu gigante Gmail, líder do mercado de correio eletrônico, com mais de 1,5 bilhão de usuários. Já o Facebook tem toda a estrutura da maior rede social do mundo para alavancar o seu Messenger Room.

No fim do ano passado, o professor da Stern School of Business da Universidade de Nova York, Scott Galoway, uma das vozes mais respeitadas quando o assunto é o futuro do Vale do Silício, não se dizia otimista com a Zoom e chegou a chamar a empresa de a “AOL de 2021”.

Para colocar em contexto: a AOL foi pioneira na área de internet, se fundiu com a Time Warner nos anos 2000, em uma megafusão estimada em US$ 163 bilhões em troca de ações e que criaria uma empresa avaliada em US$ 350 bilhões. E a transação foi um dos maiores fracassos da era pontocom.

A visão de Galloway sobre a Zoom é parecida. Ele acredita que a companhia pode se unir a uma empresa de telefonia e que essa fusão seria um desastre. Na opinião dele, a empresa não tem uma oferta tão abrangente como Google e Microsoft, que contam com ferramentas semelhantes de videoconferência e oferecem outros serviços agregados aos seus usuários corporativos.

O dinheiro do follow on, entretanto, pode servir para resolver esse problema. Se a companhia fundada por Erick Yuan adquirir as empresas certas e agregar novos serviços, estaria muito bem posicionada. Afinal, depois dessa pandemia, “fazer um Zoom” se tornou sinônimo de fazer uma videoconferência.

Embora não revele o número total de usuários, sobretudo porque muitos ainda usufruem das ferramentas gratuitas do Zoom, a companhia comemorou o aumento de 61% dos usuários corporativos com mais de 10 funcionários. De 31,1 mil clientes corporativos, a Zoom encerrou 2020 com 81,9 mil. O plano corporativo do Zoom começa em US$ 199,9/ano, enquanto o pessoal é de US$ 149,9/ano.

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