Após reajustes, Qualicorp paga o preço com “cancelamentos sem fim”, diz Credit Suisse

O banco suíço destaca a taxa “consideravelmente alta” na perda de clientes da operadora de planos de saúde, que vem enfrentando uma debandada após reajustes de preços. Para os analistas, essa é a principal barreira para a tese de investimento da companhia

0
388
Leia em 2 min

No segundo trimestre de 2021, 138 mil clientes deixaram a base da Qualicorp

O aumento de preços praticado pela Qualicorp em 2021, um reajuste que estava reprimido em razão do congelamento imposto no ano passado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), segue se refletindo em novos cancelamentos para a administradora focada em planos de saúde por adesão coletiva.

Para a equipe de analistas do Credit Suisse, que distribuiu um relatório sobre a operadora nesta quarta-feira, 11 de agosto, a taxa de saída registrada pela empresa no segundo trimestre, de 11,6%, foi “consideravelmente alta”, acima do número previsto pelo banco suíço, de 10,6%.

No documento, intitulado “os cancelamentos que nunca acabam”, os analistas Mauricio Cepeda e William Barranjard afirmam que a pressão causada pelo reajuste de preços no primeiro trimestre não alcançou a “tranquilidade esperada” nos três meses seguintes.

As ações da Qualicorp estão entre as que mais caem nesta quarta-feira. Por volta das 12h15, os papéis negociados na B3 recuavam 10,83%, para R$ 21,65.

Depois de 150 mil clientes terem deixado a Qualicorp nos primeiros três meses de 2021, outros 138 mil se desligaram no segundo trimestre, resultando em um saldo negativo, uma vez que as entradas somaram 132 mil.

“A companhia acredita que o reajuste de preços segue influenciando”, escrevem os analistas, que destacam que os preços acumulam avanço de 23%. Para o Credit Suisse, a alta taxa de cancelamento da Qualicorp ainda é a principal barreira para a tese de investimento na companhia. “Afeta tanto o crescimento quanto a lucratividade”, diz o banco suíço.

No segundo trimestre, o lucro líquido da Qualicorp caiu 27% em relação ao trimestre anterior e 21% na comparação com igual período do ano anterior, para R$ 92 milhões. Os indicadores foram divulgados em balanço publicado na terça-feira, dia 10 de agosto. “Foram resultados fracos”, disseram os analistas.

A empresa, contudo, tem aumentado os investimentos na área comercial, para atrair novos clientes, reconhece o banco. As despesas gerais com vendas e administrativas cresceram 17% na comparação com o trimestre anterior e 50% em relação ao segundo trimestre do ano passado.

“As despesas administrativas devem voltar aos patamares anteriores, mas as comerciais já atingiram o novo normal”, dizem os analistas. “O equilíbrio econômico para a empresa depende da solução para os cancelamentos, voltando ao típico caso de alta geração de caixa.”

Apesar do alerta, o Credit Suisse ainda vê potencial para valorização das ações da Qualicorp. A estimativa de preço-alvo é de R$ 34, acima dos R$ 24,3 no fechamento do pregão na terça-feira. “A empresa tem corretamente perseguido melhores adições brutas de clientes, incorrendo nas despesas comerciais necessárias.”, afirmam.

Leia também

Brand Stories