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Negócios

As bitcoins sumiram e os investidores querem saber: cadê o defunto?

Usuários da plataforma canadense Quadriga CX pedem a exumação do corpo de Gerald Cotten, fundador da empresa, falecido há um ano. A suspeita é de que ele tenha forjado a própria morte e causado um prejuízo de pelo menos US$ 137 milhões a mais de 115 mil clientes

 

Gerald Cotten, o fundador da Quadriga CX

Em rápida ascensão nos últimos anos, a febre das criptomoedas alimenta, a cada dia, o apetite de investidores em todo o mundo. Ao mesmo tempo, o segmento coleciona uma série de polêmicas, o que desperta dúvidas e coloca em xeque a continuidade dessa onda.

Cercado de controvérsias, o caso mais recente envolve a Quadriga CX, uma das principais plataformas de criptomoedas do Canadá. Ou mais especificamente, a morte de seu fundador, Gerald Cotten.

Em janeiro deste ano, a empresa anunciou, por meio de uma postagem no Facebook, que Cotten havia falecido um mês antes, aos 30 anos, durante uma viagem de férias na Índia, vítima de complicações da doença de Crohn.

Na sexta-feira 13, um grupo de usuários da Quadriga CX entrou com um pedido, junto a autoridades canadenses, de exumação do corpo de Cotten. O documento justifica que o objetivo é confirmar a identidade e a causa da morte, “dadas as circunstâncias questionáveis em torno do óbito e as pernas significativas dos usuários afetados.”

Alguns pontos sustentam o pedido e as suspeitas de que o empreendedor teria forjado a sua morte. O principal elemento nesse enredo, no mínimo curioso, é o fato de Cotten ser, inexplicavelmente, a única pessoa com senhas e acesso às carteiras digitais com ao menos 180 milhões de dólares canadenses (US$ 137 milhões) investidos em criptomoedas, de 115 mil usuários, segundo a rede britânica BBC.

Nesse contexto, no início de abril, a empresa entrou com um pedido de proteção contra falência na Corte Suprema de Nova Scotia. O órgão nomeou a Ernst & Young (EY) para supervisionar o processo. E um relatório produzido pela companhia, divulgado em junho, trouxe à tona novas informações que reforçaram as dúvidas sobre o caso.

O documento reforça que as atividades estavam centradas em Cotten e expõe as falhas da empresa no que diz respeito aos controles financeiros e operacionais. A auditoria também revela sinais de que os fundos de usuários mantidos pela Quadriga foram utilizados para outros fins. E destaca que o empreendedor pode ter retirado “recursos substanciais” da plataforma, para os quais a EY não encontrou justificativas.

A viúva de Cotten, Jennifer Robertson, afirmou por meio de advogados que estava com o “coração partido” ao saber do pedido dos usuários. E que a morte de seu marido não deveria ser colocada em dúvida.

Fundada em 2013 e com sede em Vancouver, a Quadriga já era alvo de questionamentos antes mesmo da morte de seu fundador, com uma série de casos de atrasos em saques e disputas judiciais. Em janeiro de 2018, por exemplo, o Canadian Imperial Bank of Commerce (CIBC) congelou US$ 30 milhões em fundos da empresa por não conseguir identificar seus proprietários.

Perdas e danos

O novo capítulo na saga da Quadriga CX fecha um ano no qual as criptomoedas estiveram no centro de outras polêmicas. Segundo a consultoria americana de segurança Cipher Trace, as fraudes relacionadas ao segmento geraram um prejuízo de mais de US$ 4,26 bilhões apenas no primeiro semestre. Em todo o ano de 2018, as perdas ficaram em US$ 1,7 bilhão.

A lista de fraudes e prejuízos ligados às criptomoedas que foram reveladas nesse ano traz exemplos de diversos países. Em Israel, dois irmãos foram presos por terem roubado mais de US$ 100 milhões em criptomoedas por meio de sites que imitavam as principais bolsas do setor.

Com sede em Malta, a plataforma Binance teve mais de US$ 40 milhões roubados por cibercriminosos. Outros casos semelhantes aconteceram em locais como Japão, Reino Unido, Holanda e Singapura.

Um dos exemplos recentes mais emblemáticos, no entanto, é a OneCoin, empresa liderada por Ruja Ignatova, que se autoproclamava a “Rainha das Criptomoedas” e criou uma criptomoeda para rivalizar com o bitcoin.

Entre agosto de 2014 e março de 2017, a companhia captou cerca de £4 bilhões (R$ 21 bilhões). Desde então, Ruja simplesmente desapareceu, assim como os pagamentos dos rendimentos previstos aos investidores.

O Brasil também integra esse mapa de confusões. Um dos principais casos envolve o Grupo Bitcoin Banco (GBB), fundado pelo empresário Claudio Oliveira que, coincidência ou não, ficou conhecido por adotar a alcunha de Rei do Bitcoin.

Acusado de fraudes ao reter saques dos usuários de suas corretoras NegocieCoins e TemTBC desde meados de maio, o grupo enfrenta uma série de ações na Justiça e, no início de novembro, entrou com um pedido de recuperação judicial.

“As criptomoedas são um conceito excepcional e boa parte das empresas nesse mercado é tocada por pessoas idôneas e corretas”, diz Rubens Neistein, diretor-executivo da BlockMaster e especialista no segmento. “Mas, como tudo o que é novidade e tem potencial, esse mercado também atrai gente mal intencionada, que usa a moeda e as promessas de ganho fácil para se aproveitar.”

Diante da profusão de casos no caminho da consolidação desse conceito, Neistein não vê riscos para um eventual desaparecimento das criptomoedas do mercado. “Mas vão ficar muito poucas, umas trinta, no máximo”, prevê. “Entre elas, o bitcoin, que já tem um ecossistema gigantesco de sustentação.”

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