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As quatro medidas da Nova Zelândia para eliminar o coronavírus e reabrir a economia

Sob o comando da primeira-ministra Jacinda Ardern, o país adotou um pacote severo que incluiu uma quarentena rígida e precoce, fechamento das fronteiras, testagem em massa e rastreamento de contatos. Depois de registrar 1.154 casos e 22 mortes, a Nova Zelândia começou a retomar as atividades econômicas

 

Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia

Mesmo diante das curvas de casos e óbitos ainda em crescimento, muitos países estão relaxando suas medidas para conter o avanço da Covid-19. Entre eles, Brasil e Estados Unidos, líderes nas estatísticas do novo coronavírus.

Em contrapartida, há quem já esteja conseguindo retomar uma rotina próxima dos tempos pré-crise e dando bons exemplos. É o caso da Nova Zelândia, que anunciou no início desta semana a passagem do estado de emergência no país para o Alerta 1, o nível mais baixo da pandemia.

Na prática, o governo local retirou boa parte das restrições impostas aos cerca de 5 milhões de habitantes do país, ao permitir, por exemplo, a reabertura de escolas e escritórios, e a retomada das viagens domésticas.

As únicas exceções são a manutenção do fechamento das fronteiras para os não-residentes e a quarentena de 14 dias para os neozelandeses que chegarem ao país.

A decisão não foi tomada por acaso. Mas sim, com base em dados consistentes. Na segunda-feira, 8 de junho, data do anúncio, a Nova Zelândia completou 17 dias desde o último novo caso registrado em suas fronteiras e 12 dias sem um paciente de Covid-19 em seus hospitais. Até então, foram 1.154 casos e 22 mortes pela Covid-19 no país.

“Estamos confiantes de termos eliminado, por enquanto, a transmissão do vírus na Nova Zelândia”, disse a primeira-ministra Jacinda Ardern, em coletiva de imprensa, ao declarar o país livre do coronavírus. “Mas a erradicação não é um ponto no tempo, e sim um esforço contínuo.”

Sob a liderança de Jacinda, fortemente apoiada por uma comunicação transparente e por dados do ministério da Saúde local, o país adotou um pacote severo de medidas desde o início da pandemia.

Com essa abordagem, a Nova Zelândia estabeleceu um contraponto a nações como a Suécia, que investiu em políticas mais flexíveis, mas que, até o momento, não surtiram efeito. Com 10 milhões de habitantes, o país registrou 44.730 mil casos e 4.659 mortes até ontem.

O NeoFeed separou as principais iniciativas implantadas pela Nova Zelândia no combate ao coronavírus, que ajudaram na rápida abertura da economia. Confira:

1 – Quarentena rigorosa e precoce
A Nova Zelândia tinha 102 casos confirmados e nenhuma morte quando o governo decretou, em 23 de março, a quarentena no país.

Empresas de segmentos não essenciais foram fechadas, as aglomerações e viagens domésticas, proibidas. Somente os filhos de trabalhadores de serviços essenciais tiveram mantido o acesso às escolas.

Dois dias depois, as regras ficaram ainda mais rígidas e envolveram, inclusive, serviços como delivery de comida. A partir do dia 9 de abril, as políticas passaram a ser relaxadas, gradualmente, à medida que a curva da doença mostrava uma reversão.

2 – Fechamento das fronteiras
O lockdown foi acompanhado pelo fechamento das fronteiras para não residentes, a partir de 20 de março. Em 9 de abril, mesmo com a queda no número de casos, o governo reforçou as restrições ao adotar uma quarentena de 14 dias para todos os neozelandeses e cidadãos residentes que chegassem ao país. O período era cumprido em instalações oferecidas pelo estado.

3 – Testagem em massa
Desde 28 de fevereiro, quando o primeiro caso do novo coronavírus foi confirmado no país, a Nova Zelândia, já realizou quase 300 mil testes de Covid-19, ou cerca de 6% de sua população total.

Para efeito de comparação, segundo o site Worldometers, o Brasil está próximo de superar a marca de 1 milhão de testes realizados, o que representa 0,5% de sua população.

4 – Rastreamento de contatos
Em um esforço coordenado pelo ministério da Saúde local, o governo também montou uma ampla operação de rastreamento de contatos.

Na prática, a estratégia passa por mapear, isolar e, se possível, testar, todas as pessoas que tiveram contato com um paciente ou alguém com suspeita de ter contraído o vírus.

Entre outras iniciativas, a estratégia conta com o apoio de um aplicativo, no qual os cidadãos criam um registro dos lugares que visitaram por meio de QR Codes instalados em edifícios públicos e privados.

Ao mesmo tempo, o app permite o cadastro em um serviço específico criado para a pandemia, para que o usuário seja contatado, caso seja necessário.

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