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Bernie Sanders: o pesadelo dos democratas e o sonho de Donald Trump

O senador democrata pelo Estado de Vermont é o favorito a concorrer contra o republicano Donald Trump. Mas seus aliados temem que suas posições radicais e extremistas os levem a uma derrota em novembro

 

O senador Bernie Sanders, durante sua campanha em abril de 2019

A eleição presidencial americana acontece em 3 de novembro, mas a corrida pela Casa Branca começou há tempos. Nos Estados Unidos, os possíveis candidatos dos partidos Republicano e Democrata se enfrentam nas chamadas primárias, uma etapa que leva meses – e que, neste ano, está mais concorrida do que nunca.

Apesar de haver sete nomes disputando a nomeação dos democratas, o senador pelo Estado de Vermont, Bernie Sanders, surge como o favorito para ficar com a nomeação e concorrer contra o republicano Donald Trump, que tentará a reeleição.

E, assim como aconteceu com Trump, em 2016, que ganhou a indicação pelo partido Republicano, apesar de não ser o preferido dos cardeais do partido, Sanders está trilhando o mesmo caminho do atual presidente.

Sanders já venceu as três votações realizadas até agora pelo Partido Democrata em Iowa, em New Hampshire e em Nevada. Além disso, ele lidera a corrida entre os eleitores democratas, segundo uma pesquisa da rede de tevê CNN, com 28% de apoio.

Atrás dele, com 16%, está o ex-vice-presidente americano Joe Biden. O bilionário Michael Bloomberg não fica muito atrás, com 15%, enquanto a senadora Elizabeth Warren acumula 13% de aprovação.

O ex-prefeito de South Bend, Pete Buttigieg, se mantém na briga com 10% das indicações. E Amy Klobuchar acumula 7%, perdendo apenas para o lanterninha Tom Steyer, que tem 2% de apoio.

O favoritismo de Sanders, que defende propostas consideradas radicais ou difíceis de serem realizadas, como educação e saúde gratuita para todos e o aumento dos impostos das pessoas mais ricas, está deixando o Partido Democrata em pânico.

A proposta de saúde pública para todos, por exemplo, custará US$ 30 trilhões em dez anos, o equivalente a uma vez e meia o PIB americano, de US$ 20 trilhões.

Por esse motivo, Sanders tem sido duramente criticado por seus pares na disputa pela nomeação presidencial. Eles consideram sua indicação um “tiro no pé” e que suas visões radicais facilitariam a reeleição de Trump em um país sensível a ideias consideradas socialistas.

No último confronto democrata, que aconteceu na terça-feira, 27 de fevereiro, na Carolina do Sul, os oponentes de Sanders não pegaram leve nos ataques.

O senador de Vermont foi questionado por suas declarações feitas durante uma entrevista ao programa televisivo “60 Minutes”, da CBS. Na ocasião, Sanders disse que era errado presumir que tudo em Cuba é ruim.

“Somos muito opostos à natureza autoritária de Cuba, mas, sabe, é injusto dizer que tudo é mau”, declarou ele, ao show da CBS. “Quando Fidel Castro assumiu o poder, sabe o que ele fez? Implementou um programa literário massivo. Isso é ruim? Mesmo que Fidel o tenha feito?”, concluiu.

No palco, Sanders voltou a defender sua posição de que é contra o regime autoritário de países como China e Cuba, mas que reconhece que nem tudo o que venha deles é necessariamente ruim para o povo.

Essa postura tem feito as lideranças democráticas se movimentarem para tentar brecar a indicação de Sanders.

O jornal The New York Times, por exemplo, entrevistou 93 funcionários do partido — todos eles superdelegados, que podem opinar quanto ao indicado na convenção — e identificou uma oposição maciça à indicação do senador de Vermont para a candidatura se ele tiver o maior número de delegados, mas não a maioria deles.

Uma rápida explicação: a indicação de um candidato democrata é feito por 3.200 delegados eleitos nos Estados e mais quase 800 superdelegados, que são dirigentes partidários.

A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o senador Chuck Schumer, líder da minoria democrata, têm sentido na pele a pressão dos políticos. Eles recebem constantes alertas de seus aliados a respeito das possíveis derrotas no Congresso em novembro, se o partido indicar Sanders como candidato à presidência. Além disso, congressistas democratas compartilham seus temores em relação a Sanders em grupos de mensagens.

Nas casas de apostas, Trump vence Sanders em novembro

Curiosamente, os investidores de Wall Street, que torcem o nariz para Sanders, acenaram com uma bandeira branca ao candidato democrata – pelo menos, por enquanto. Mas por um motivo pouco comum: eles não acreditam na vitória do senador do Estado de Vermont sobre Trump.

Uma boa amostra do que pensa Wall Street pode ser observada nos mercados de apostas, como o Iowa Electronic Markets e o PredictIt. Ambos preveem a vitória de Sanders entre os democratas. Mas a vitória de Trump na eleição em novembro.

Super-terça

O cenário sobre quem deve competir com Trump nas eleições em novembro deve ficar mais claro na próxima terça-feira, dia 3 de março, quando acontece a chamada Super-Terça.

Neste dia, um grande número de Estados realiza suas primárias e o vencedor ganha fôlego para ser nomeado pelo Partido. Se Sanders vencer, sua nomeação ficará bem perto de ser concretizada.

Mas a cientista política formada pela UCLA, Camila Rodriguez, que trabalha como analista para o instituto de pesquisa Latino Decision, acredita que ainda pode acontecer reviravoltas na disputa democrata.

“O ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, resolveu se candidatar há poucas semanas e já conseguiu se classificar para os debates democratas. Isso mostra como as coisas podem mudar de última hora”, diz Rodriguez ao NeoFeed.

Ela afirma ainda que esta eleição deve sentir o peso e a importância do voto latino, que constitui o segundo maior bloco eleitoral do país. Para ela, sempre houve o entendimento de que o voto latino é apático e pouco expressivo, mas que isso não é verdade.

“Sobretudo neste ano, estamos monitorando o quão motivados e encorajados os latinos estão para votar”, afirma Rodrigues, explicando que o voto latino pode definir essa eleição.

Ao que tudo indica, a campanha eleitoral americana caminha para uma decisão entre Sanders e Trump. A revista britânica The Economist, em sua edição americana, chamou essa opção de “uma escolha terrível”.

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