Burger King e McDonald’s ganham espaço no menu do Bank of America

Em relatório sobre as redes de fast food na América Latina, o banco elevou a recomendação para as ações da Arcos Dorados e da BK Brasil, ao destacar que esses grupos estão saindo melhores da pandemia

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Assim como em outros segmentos da economia, a pandemia trouxe um duro golpe para o setor de alimentação e restaurantes. Com as quarentenas e restrições de funcionamento, muitas dessas empresas sucumbiram no período.

Mas, em meio a esse cenário, é possível encontrar grupos que tiveram fôlego e recursos para aprimorarem suas operações e que agora surgem como uma boa opção no cardápio dos investidores. É o que mostra um relatório divulgado nesta quinta-feira, 24 de março, pelo Bank of America (BofA).

Com foco no mercado de fast food da América Latina, a análise inclui nesse menu a Arcos Dorados, gestora do McDonald’s na região, e a BK Brasil, grupo master franqueado das bandeiras Burger King e Popeyes no mercado brasileiro. A mexicana Alsea completa a lista.

Na Arcos Dorados, o banco elevou a recomendação de neutra para compra, com um preço-alvo da ação de US$ 10, contra a faixa anterior de US$ 7,80. Os analistas também revisaram a estimativa de um lucro por ação de US$ 0,31 e US$ 0,38, em 2022 e 2023, para US$ 0,35 e US$ 0,43, respectivamente.

O relatório também muda a recomendação da BK Brasil de neutra para compra, saindo de um preço-alvo de R$ 8 para R$ 9. Ao memo tempo, a nova estimativa de prejuízo por ação é de R$ 0,03, contra a projeção anterior de R$ 0,24.

Para os analistas, esses grupos estão emergindo da pandemia com estruturas de custo mais enxutas, maior automação de lojas, marketing mais direto ao consumidor e ferramentas mais sofisticadas de gestão de relacionamento com os clientes, além de sustentarem níveis elevados de vendas via delivery.

Ao mesmo tempo, eles ressaltam que as redes em questão estão registrando vendas mais fortes que o esperado e uma recuperação de margem bruta “impressionante”, mesmo com a inflação dos alimentos e a pressão sobre o bolso do consumidor.

“À medida que reduzem o gap em relação às vendas pré-pandemia, esperamos que as margens possam convergir e, posteriormente, exceder os níveis anteriores”, escreveram os analisas Robert Aguilar, Melissa Byun, Vinicius Pretto e Guilherme Vilela.

O quarteto aponta que parte dessa melhora das margens reflete os esforços de segmentação de preços, com estratégias promocionais mais inteligentes, que permitem reduzir ou ampliar os valores cobrados, a partir da adaptação de ingredientes e da adição ou remoção de itens do menu.

Outros componentes são as taxas de penetração ainda baixas da categoria de fast food – no caso do Brasil, na casa de 7%. E também a estimativa de que mais de 220 mil restaurantes tenham fechado na região durante a pandemia, o que cria uma grande oportunidade de consolidação do segmento.

Nesse contexto, no caso da Arcos Dorados, o Bank of America ressalta que o grupo está entre os mais avançados do setor em digitalização na América Latina.

“A empresa parece estar sustentando o delivery à medida que os mercados se normalizam, reduzindo os custos da equipe e mitigando as pressões dos custos dos alimentos com iniciativas de gestão de receita e do relacionamento com o cliente”, afirmam os analistas.

As estratégias de gestão de preços e receitas também são destacadas na análise sobre a BK Brasil, juntamente com um investimento “agressivo” em automação das lojas, o que reduziu custos de equipe e melhorou os níveis de serviço.

Os analistas acrescentam que um dos fatores incluídos na revisão do preço-alvo da ação do grupo responsável pelo Burger King no País é o reconhecimento do potencial de longo prazo da rede Popeyes.

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