Capitalizada, Hotmart compra startup eNotas e promete mais M&As

As duas empresas já operavam juntas desde 2016 e agora farão parte do mesmo grupo. O acordo envolveu pagamento em dinheiro e troca de ações entre as empresas

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Christophe Trevisani, CEO da eNotas, e João Pedro Resende, CEO da Hotmart

Dando sequência ao seu plano de aquisições após captar US$ 130 milhões em 2021 junto ao fundo americano TCV, a Hotmart está concluindo mais uma operação de M&A. Nesta terça-feira, 5 de julho, a empresa que atua com ferramentas voltadas para criadores de conteúdo anuncia a compra da eNotas, fintech que trabalha com a emissão de notas fiscais eletrônicas.

O acordo, cujos termos financeiros não foram revelados, envolve pagamento em dinheiro e a troca de ações entre as companhias. “A junção dos negócios com a Hotmart, que já era um parceiro de longa data, foi um caminho natural”, diz Christophe Trevisani, CEO e cofundador eNotas ao lado de Jonathan Cunha, ao NeoFeed.

O anúncio acontece após quase um ano de conversas entre as duas empresas, que já mantinham uma parceria desde 2016. A Hotmart oferecia os serviços da eNotas, que permite gerenciar e emitir notas fiscais eletrônicas automaticamente, dentro de sua plataforma.

“Foi uma aposta que a gente fez em 2016 e, desde então, a empresa amadureceu e cresceu muito para se tornar uma das ferramentas preferidas dos nossos clientes”, diz João Pedro Resende, CEO e cofundador da Hotmart ao lado do sócio Mateus Bicalho. “Já era uma ferramenta que fazia parte quase que organicamente do nosso ecossistema.”

De acordo com os fundadores, as operações não vão sofrer mudanças imediatas com a negociação. As duas marcas serão mantidas e seguirão operando separadamente, tendo Trevisani como o principal executivo à frente da eNotas.

Fundada em 2012 em Belo Horizonte, a eNotas tem como clientes empresas de grande porte, como Totvs, Shopee e TV Globo. Nos últimos 18 meses, a startup emitiu mais de R$ 71 bilhões em notas fiscais para mais de 130 mil companhias que operam em mais de 1,5 mil municípios.

Do lado da Hotmart, a operação ressalta a disposição da empresa para aquisições. Em outubro do ano passado, a companhia a companhia chegou a anunciar a compra da BeUni, empresa de tecnologia em logística que opera com armazenamento e envio de brindes e produtos personalizados num negócio estimado em R$ 7 milhões. O acordo, no entanto, não foi finalizado.

Com o caixa reforçado e o status de unicórnio, oficializado após a Série C liderada pelo TCV e que contou com a participação da também americana Alkeon Capital, a Hotmart não deve encerrar sua temporada de compras com a eNotas. “Tem mais aquisições para este ano”, diz Resende.

De acordo com o executivo, há negociações em andamento com companhias que “tentam suprir algum problema que existe na jornada do cliente” ou que “ajudem a Hotmart a ganhar mercado e de forma mais rápida”.

O plano é se distanciar da concorrência, cada vez mais acirrada. Entre os principais competidores estão brasileiras como Eduzz e Monetizze, além da americana Udemy, avaliada em US$ 1,4 bilhão. No mês passado, a Skillshare, outra edtech americana, anunciou um investimento de US$ 5 milhões para expandir sua operação para a América Latina.

Correndo por fora nesta disputa está a Livus, startup fundada no ano passado por executivos que trabalharam no Neon. Em fevereiro, a companhia levantou R$ 5,6 milhões junto aos fundos K50 e Big Bets, além de investidores-anjo, que foram mantidos em sigilo.

“A competição só aumenta se você está em um mercado bom e que está em expansão”, diz Resende. No Brasil, a Hotmart tem 29 milhões de clientes e 420 mil produtos cadastrados. A companhia também tem presença no exterior, com escritórios em mercados como México, Estados Unidos, Colômbia, Holanda e Espanha, além de clientes em 188 países.

Para o futuro, os planos da empresa envolvem contratar mais funcionários – indo na contramão de outras empresas de tecnologia que realizaram demissões em massa nos últimos meses. Com 1,8 mil funcionários, a companhia já contratou 400 trabalhadores somente neste ano.

“Temos mais pessoas para contratar, mas estamos sendo mais prudentes”, diz Resende. “O mercado está mais sensível e é preciso tornar as empresas mais eficientes.”

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