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Chega de segredos: Palantir vai abrir capital e movimenta o Vale do Silício

Startup especializada na coleta e na análise de dados ensaiou sua estreia na bolsa de valores diversas vezes, mas natureza de seu negócio e fartas rodadas de investimento adiaram o processo. Mas chegou a hora da verdade: a companhia de Peter Thiel deve negociar seus papéis em Wall Street em setembro

 

Peter Thiel, o fundador da Palantir

Para uma empresa especializada na coleta e análise de dados, a Palantir tem sido bastante discreta quanto ao recém-protocolamento de sua abertura de capital. A empresa, fundada em 2004 pelo ex-cofundador do PayPal, Peter Thiel, deu entrada na papelada para negociar suas ações na bolsa de valores, mas não revelou a quantidade e nem o valor de seus papéis. 

O prazo para a estreia da companhia em Wall Street depende dos agentes reguladores, mas a expectativa é que aconteça, finalmente, em setembro deste ano. A startup já ensaiou esse movimento outras vezes, mas adiou a decisão graças a generosos aportes.

Desde seu lançamento, fundos como Binux Capital, Oceanic Partners, Sompo Holding e Founders Fund injetaram US$ 2,6 bilhões na Palantir. Em uma rodada de investimento de 2015, a companhia foi avaliada em US$ 20 bilhões. Apesar do tamanho, a Palantir ainda não entrega uma operação lucrativa.

Em abril deste ano, um artigo publicado na Bloomberg trouxe a informação de que a companhia espera gerar US$ 1 bilhão ainda em 2020. No ano passado, sua receita foi de US$ 750 milhões e, de acordo com Alex Karp, cofundador e CEO da empresa, o fluxo de caixa da startup já é positivo desde o primeiro trimestre deste ano.

No mercado, o comentário é que esse IPO pode ser o maior de uma empresa de tecnologia desde a abertura de capital da Uber, que levantou US$ 8,1 bilhões em 2019. O IPO, entretanto, deve ocorrer por listagem direta, como Spotify e Slack fizeram no passado. Esse processo, que exclui bancos e agentes intermediários, é mais barato e dinâmico, mas também mais volátil. 

Ao optar por esse caminho independente, a Palantir mostra plena confiança na saúde financeira de seu negócio, que usa tecnologia para decifrar dados e detectar padrões em aplicações que podem ser úteis, sobretudo, para empresas de saúde e segurança, sejam elas públicas ou privadas.

Para Bilal Zuberi, partner da Lux Capital, uma empresa que administra US$ 2,4 bilhões em ativos, o sucesso da companhia se deve a fontes estatais. “Embora tenha diversificado seu negócio para atender empresas privadas, a Palantir é talvez a primeira startup estruturada depois de 11 de setembro, data do ataque às Torres Gêmeas, para ter o governo como cliente. O resultado de seu IPO vai certamente refletir no presente e no futuro de outras companhias de defensetech“, disse o investidor ao NeoFeed.

A fala de Zuberi é facilmente comprovada. Nos Estados Unidos, por exemplo, as ferramentas da Palantir foram empregadas na operação militar de captura do saudita Osama bin Laden, e ainda são exploradas pelo departamento de Imigração e Alfândega dos EUA. 

Mais recentemente, os produtos da companhia ganharam as manchetes por auxiliarem no combate à pandemia do novo coronavírus. Seu software, capaz de concentrar todas as informações em um único ambiente, permite que os agentes competentes aprimorem a gestão da ocupação de hospitais, que são categorizados de acordo com variáveis como números de leitos, especialistas e vacância nas unidades intensivas de tratamento.

Os dados coletados também ajudam a entender a duração da permanência de cada paciente diagnosticado com a Covid-19, além de identificar populações mais vulneráveis.

Mas nem só de louros vive a Palantir: a empresa é alvo de duras críticas quanto a invasão de privacidade e coletas de dados ilegais. Embora negue todas as acusações e reafirme que trabalha apenas agregando e analisando informações públicas, reportagens e fontes anônimas citam histórias diferentes. Até agora nenhuma suspeita foi confirmada.

Gênesis

Para entender a Palantir, é preciso contextualizar sua criação, que aconteceu no pós-atentado às Torres Gêmeas, em Nova York, em 11 de setembro de 2001. A tragédia gerou tensões governamentais e grandes decisões precisavam ser tomadas.

Três anos depois, Peter Thiel estruturou uma empresa capaz de consolidar e processar dados de forma rápida e segura, para que organizações públicas e privadas pudessem se municiar de informações para fazer escolhas mais ponderadas. 

Um dos contratos ainda em vigor é o acordo que a Palantir mantém com o Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC). A agência de saúde americana conta com a inteligência da startup para concentrar dados públicos para estudar e mitigar crises no setor.

As conversas relativas à segurança ou não dos cigarros vaporizadores têm sido balizadas pelas informações agregadas pelo software da empresa de Thiel, por exemplo.

Dada a natureza desse ofício, abrir capital não era uma decisão fácil para a Palantir. A transparência obrigatória junto aos acionistas e à sociedade é algo delicado para uma empresa que trabalha com informações tão sensíveis. 

Houve quem apostasse que o IPO da Palantir nunca fosse acontecer, mas conversas sobre esse movimento sempre existiram. Elas voltaram à tona no final ano passado, mas a pandemia paralisou, momentaneamente, os planos – nota-se, porém, que não por muito tempo. 

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