Negócios

Com aumento de impostos, Biden propõe plano trilionário para estimular a economia

Com foco na infraestrutura e na aceleração da indústria de carros elétricos, o pacote de US$ 2 trilhões que o presidente dos Estados Unidos apresenta hoje terá um longo caminho até a aprovação pelo Congresso por conta do aumento de impostos a empresas

 

O presidente dos EUA, Joe Biden (foto: AFP)

O presidente americano Joe Biden vai apresentar, nesta quarta-feira, 31 de março, um plano de US$ 2 trilhões com o objetivo de estimular a economia americana no período pós-pandemia, transformar a área de infraestrutura e ajudar setores mais afetados da população. Após a apresentação, o plano será discutido no Congresso.

Os investimentos serão destinados a diversos setores da economia. A área de infraestrutura de transporte como pontes, estradas, transporte público, portos, aeroportos e veículos elétricos receberá a maior parte dos recursos, cerca de US$ 621 milhões.

Mais de 32 mil quilômetros de rodovias serão modernizados e serão construídas mais de 500 mil estações de recarga para carros elétricos. Outros US$ 581 milhões serão destinados à indústria, incluindo pesquisa, desenvolvimento e treinamentos. Um dos focos é na produção de semicondutores.

Ainda na área de infraestrutura, US$ 300 milhões vão para a expansão de redes elétricas, acesso à internet de banda larga e infraestrutura de água potável. Outros US$ 300 milhões serão destinados à construção e à reforma de moradias populares, além da construção e recuperação de escolas. Por fim, mais US$ 400 milhões serão dedicados a programas de ajuda a idosos e pessoas com deficiência.

Esses investimentos serão feitos ao longo dos próximos oito anos. Para financiar todos os investimentos, o governo americano propõe um reajuste de 28% no imposto de renda sobre a pessoa jurídica. O valor fica entre os atuais 21%, alterados pelos republicanos em 2017, e os 35% da alíquota antiga.

A reforma também prevê um aumento nos impostos cobrados sobre o lucro de empresas no exterior: dos 10,5% para 21% sobre a receita estrangeira de companhias americanas. A taxa será sobre os lucros em cada país, reduzindo a chance de empresas explorarem paraísos fiscais.

O objetivo do plano econômico é ampliar a oferta de empregos, fomentar a indústria americana, afetada pela pandemia do novo coronavírus, e combater as mudanças climáticas a partir da transição para energias renováveis.

Políticos e analistas, no entanto, estão longe de um consenso sobre o sucesso do plano. O analista Dan Ives, da Wedbush Securities, afirmou em nota a seus clientes que espera uma “grande onda verde” no setor de veículos elétricos com a aprovação do pacote. Ives acredita que a aprovação vai ampliar a oferta de créditos fiscais a montadoras dedicadas a participar dessa transição.

No campo político, os republicanos representam a maior barreira, já que não veem com bons olhos o aumento nos impostos. Afinal, defenderam as mudanças propostas em 2017 que reduziram a alíquota para grandes empresas. Os democratas moderados estão preocupados com o volume de gastos. E o campo mais progressista afirma que o pacote não é ambicioso o suficiente.

A Câmara de Comércio americana divulgou uma nota em que afirma que o plano proposto é “perigosamente equivocado”. “Nós nos opomos fortemente ao aumento de impostos proposto pela administração, que vai atrasar a recuperação econômica e tornar os Estados Unidos menos competitivos globalmente, exatamente o oposto do objetivo do plano”, diz a instituição.

Esta é a segunda grande iniciativa de Biden após a aprovação de um pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão que fez com que a projeção de crescimento do PIB passasse para 6,5% em 2021, mais do que o dobro de 3,2% originalmente previstos em dezembro pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Em abril, o presidente americano deve anunciar ainda outro plano com foco em educação e saúde.

Leia também

UM CONTEÚDO:

BRAND STORIES

VÍDEOS

Assista aos programas CAFÉ COM INVESTIDOR e CONEXÃO CEO