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De investidor para investidor: Marisa ganha voto de confiança do mercado

Mesmo depois de reportar uma queda de 59,1% na receita líquida e um prejuízo 507% superior a perda divulgada um ano antes, a varejista conseguiu sustentar a crença dos investidores na sua reestruturação. Ações subiram 8,41%

 

Depois de um período conturbado de cinco anos, desde 2018, a Lojas Marisa ensaiava uma recuperação, com bons frutos. No ano passado, por exemplo, as ações da varejista acumularam uma valorização de 146%, o que alimentou a expectativa de que a reviravolta fosse concluída no decorrer de 2020.

Essa projeção foi frustrada, porém, com a chegada da Covid-19. E os resultados do segundo trimestre de 2020 trouxeram um retrato mais claro da extensão desses impactos. No período, a empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 171,7 milhões, 507% superior à perda de R$ 28,2 milhões, um ano antes. A receita líquida recuou 59,1%, para R$ 288,1 milhões.

A resposta no pregão desta terça-feira, 25 de agosto, veio na direção contrária do que os números do balanço projetavam. As ações da Marisa fecharam em alta de 8,41%, em um sinal de que nem mesmo os estragos do coronavírus abalaram a confiança do mercado na recuperação da empresa.

Na contramão dos indicadores menos animadores, um destaque do resultado foi a redução de 42,1% nas despesas com vendas gerais e administrativas, para R$ 146,9 milhões, a partir de medidas como a diminuição estrutural dos estoques, a renegociação de contratos de aluguel, os projetos de automação e a adoção de home office permanente para as áreas administrativas.

Além desses esforços no trimestre, alguns indicadores mais recentes ajudam a fortalecer a perspectiva mais otimista. “No segundo trimestre, apesar das restrições, tivemos uma performance acima do esperado nas lojas físicas e conseguimos alcançar 65% do volume que vendemos no mesmo período, há um ano”, disse Marcelo Pimentel, CEO da Marisa, em teleconferência. “E, em julho e agosto, esse desempenho está ainda melhor.”

Segundo o executivo, a varejista já tem praticamente 100% das suas 353 lojas reabertas. E, mesmo ainda operando com horário de funcionamento reduzido, cerca de 60% do habitual, as vendas já estão próximas de 90% do total realizado no mesmo período de 2019.

“Estamos percebendo um fortalecimento das lojas de rua, que já estão apresentando expansão nas vendas contra o ano anterior”, observou Pimentel. “Por conta da pandemia, muitos players regionais não estão retomando, o que nos abre uma oportunidade de crescimento nesse segmento.”

Pimentel também ressaltou que esses pontos de venda, posicionados em locais de grande fluxo, estão sendo essenciais para capturar uma parcela substancial de vendas no modelo de clique e retire, que registraram um salto de 33% em volume.

O formato é parte da estratégia mais ampla da Marisa em consolidar sua pegada multicanal, algo que já vinha em curso e ganhou velocidade com a Covid-19. No trimestre, a empresa apurou um crescimento de 113,1% nas vendas de sua plataforma digital e conquistou outros avanços na área.

Lançado em julho, o aplicativo da rede já tem mais de 800 mil downloads e já responde por 10% das vendas online. “No app, nós também identificamos uma taxa de conversão 40% maior do que no site”, afirmou Pimentel.

Outras novidades desse segmento no período foram os lançamentos do Sou Sócia Marisa, plataforma de vendas sociais que já conta com mais de 20 mil sócias cadastradas, e do hotsite de lingerie, categoria cujas vendas digitais registram um crescimento de 250% nos meses da pandemia.

No segundo trimestre, a empresa também retomou a parceria com o Magazine Luiza, que envolve a abertura de quiosques para a venda de smartphones e acessórios nas lojas da Marisa. O projeto, que havia sido suspenso, por conta da Covid-19, hoje tem 77 pontos em operação. Até o fim do ano, o plano é chegar a cerca de 300 unidades.

Em relatório, apesar de apontar o cenário de curto prazo da Marisa como muito desafiador, a Genial Investimentos ressaltou justamente sua confiança na capacidade de a empresa de retomar sua recuperação entre o fim de 2020 e o início de 2021.

“Ao mesmo tempo, acreditamos que a gestão será capaz de fazer um bom trabalho na preservação da liquidez até que as operações voltem a todo vapor”, escreveram os analistas Antonio Castrucci, Renan Sartorio e Eduardo Nishio.

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