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Depois de dois meses de isolamento, ir a um restaurante é como visitar a Disney

Filas de espera, garçons mascarados e clientes distantes: as atividades voltam com outra etiqueta. Mas, uma vez à mesa, com a família ou amigos, percebemos que o que realmente importa nunca muda. O NeoFeed conta como foi essa experiência na Califórnia, depois de dois meses de quarentena

 

Todas as unidades da rede Social Tap estão abertas desde o último final de semana

As borboletas no estômago eram um misto de fome e de nervosismo. Era a primeira vez, desde 19 de março, que eu e mais duas amigas íamos a um restaurante. 

Desde que as medidas de isolamento social começaram na Califórnia, os restaurantes estavam fechados. Pedidos eram feitos apenas via delivery.

À medida que as atividades econômicas são restabelecidas, a gente percebe que certas atividades tão corriqueiras, como almoçar fora, ganham tempero de novidade. E isso já é possível em algumas cidades do condado de Los Angeles.

De uma hora para outra, é como se todos tivéssemos que reaprender regras sociais não ditas. E, de repente, uma simples ida a uma hamburgueria parecia como uma visita à Disneylândia.

Em 23 de maio, no primeiro dia de operação completa desde o começo da pandemia, fui até o restaurante Social Tap, no condado de Ventura, na Califórnia.

Dirigi pouco mais de 40 minutos para poder vivenciar essa experiência “inédita” logo no dia de estreia. Descobri rapidamente que não era a única: pelo menos outros oito “grupos” de pessoas pareciam aguardar sua vez.

Ficava todo mundo tão espalhado (olá, distanciamento social!), que era difícil tentar entender quem já havia colocado o nome na lista de espera ou não.

Para dar fim à dúvida, coloquei minha máscara e me aproximei do balcão da recepcionista, que agora está posicionado no lado de fora do restaurante.

Uma placa com algumas regras foi fixada logo na parte frontal do totem que equilibra uma garrafa de álcool em gel, e onde a hostess aguarda com o sorriso (será?) escondido por uma máscara.

No cartaz, lê-se que não são aceitos grupos com mais de seis pessoas, ainda que da mesma família. Algumas mesas e cadeiras também foram bloqueadas, para que os clientes mantenham uma distância segura uns dos outros.

Por fim, o Social Tap relembra da importância de lavar as mãos antes e depois das refeições e garante que estão empregando todo cuidado nas atividades.

Optamos por uma mesa na parte externa, mas, como a área estava disputada, cedemos por uma vaga que surgiu, depois de uma hora e quinze de espera, no salão principal. 

Clientes ficam distantes, enquanto aguardam sua vez. Totem da hostess fica do lado de fora

Os clientes estavam sem máscaras, mas garçons, bartenders e toda a equipe da casa tinham narizes e bocas cobertos. Além disso, todos usavam luvas. 

Dali em diante, foi queda livre num mundo normal: entrega de cardápio, bate-papo sobre as opções mais pedidas e a escolha dos pratos.

Não era nenhum restaurante estrelado, mas sim uma casa descontraída, com opções de hambúrgueres, tacos, burritos e saladas. 

À mesa, tínhamos a disposição itens não descartáveis, afastando os rumores de que alguns restaurantes voltariam a operar com copos plásticos e afins. Pelo menos ali, o guardanapo era de tecido, o copo de vidro e o prato de louça. 

Entre uma garfada e outra, a garçonete se aproximava para confirmar se os pratos estavam do agrado de todos e se alguém gostaria de repetir a dose de alguma bebida, uma prática herdada da era pré-Covid 19. 

Satisfeitos com a comida e com a experiência, hora de refletir a gorjeta. Na Califórnia, é de bom tom deixar pelo menos 18% de gorjeta, mas para facilitar a conta, a maioria opta por acrescentar 20% ao total.

Uma campanha nas redes sociais têm incentivado as pessoas a serem mais generosas, sobretudo porque o setor de gastronomia foi um dos mais afetados pela crise, com ações paralisadas ou modificadas para entregas e take out. Agora, mesmo com as atividades restabelecidas, a capacidade máxima das casas foi drasticamente reduzida. 

A fome e a vontade de comer: o encontro dos desejos na reabertura dos restaurantes

Nossa mesa optou por uma gorjeta de 25%, mas, na caminhada rumo à saída do restaurante, vimos uma mesa deixando uma nota de US$ 50 como caixinha.

Como é pouco provável que aquele grupo de três pessoas tenha consumido US$ 250, fica quase evidente que trata-se de pura generosidade – ou prova de que o americano está disposto a pagar caro para voltar a comer fora. 

De fato, essa foi a minha refeição mais cara desde março de 2020, quando o comércio não essencial na Califórnia fechou as portas.

Mas o investimento valeu cada centavo: além da experiência em si, foi saboroso compartilhar algo no coletivo de novo. Mesmo que as máscaras nos tapem as bocas, os sorrisos escapam pelos olhos.

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